Flávio Bolsonaro defende tratar milícias como organizações terroristas
Pré-candidato à Presidência lançou plano de segurança com propostas que englobam redução da maioridade penal e tropa de elite nas fronteiras

Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a defender, nesta quinta-feira (18/6), classificar milícias como terrorismo. A fala ocorreu durante o lançamento de plano de segurança, no Teatro B3, na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Ele já havia aderido ao tema durante evento na segunda-feira (15/6), na capital paulista.
“O terrorista vai ser tratado como terrorista. Vamos declarar PCC [Primeiro Comando da Capital], Comando Vermelho, milícias e todas as outras facções como organizações narcoterroristas. Eles serão perseguidos com força e inteligência para que os seus líderes sejam presos e os seus negócios ilícitos sejam asfixiados. Bandido armado com fuzil vai ser abatido pelas nossas forças de segurança”, afirmou Flávio.
As milícias são grupos armados que formam um poder paralelo às forças de segurança. Podem ser compostas por agentes ou ex-integrantes do próprio Estado, como policiais, mas também há grupos criados por civis. Atualmente, a legislação brasileira tipifica a formação de milícias como crime, punível com pena de reclusão.
O pré-candidato, que já vinha se posicionando frequentemente a favor da inclusão das facções no rol do terrorismo, acrescenta agora as milícias no discurso. No início deste mês, o PCC e o Comando Vermelho passaram a ser oficialmente consideradas organizações terroristas pelos Estados Unidos.
“As milícias e quaisquer outras organizações que tenham esse modo de operação, de dominar territórios, de impor o medo coletivo, de usar barricadas para impedir acesso a serviços públicos, às comunidades, polícia, ambulância, entregas em domicílio; que tocam fogo em ônibus, que atiram inocentes no meio que estão passando no meio da rua; pessoas dentro do ônibus, indo trabalhar, sendo alvejadas, como já aconteceu no Rio de Janeiro; por esse tipo de gente. Não dá para ter mais tolerância com esse tipo de marginal”, declarou Flávio.
Vínculo com Adriano
Em 2008, quando a Assebleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) instalou a CPI das Milícias, Flávio, enquanto deputado estadual, votou contra sua abertura. As milícias já dominavam comunidades, cobravam taxas ilegais, exploravam serviços, ameaçavam moradores e impunham medo em áreas inteiras do Rio.
Um episódio relevante da relação de Flávio com milicianos envolve Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como Capitão Adriano. Suspeito de liderar uma milícia na zona oeste do Rio e apontado como integrante do Escritório do Crime, ele recebeu de Flávio Bolsonaro a Medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj. A condecoração foi concedida enquanto Adriano estava preso sob acusação de homicídio.
A relação, porém, foi além da homenagem. A mãe e a então esposa de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Ambas deixaram os cargos em novembro de 2018, após virem à tona as suspeitas envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e amigo de longa data de Jair Bolsonaro.
As investigações sobre a temática foram encerradas em 2021 após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular as provas coletadas contra o senador.
Plano de segurança de Flávio
Batizado de Brasil sem Medo, o plano de segurança de Flávio propõe 12 medidas principais. Além do combate ao crime organizado, as propostas miram castração química de condenados por crimes sexuais; redução da maioridade penal de 18 para 16 anos; tropa de elite nas fronteiras; criação de novos presídios de segurança máxima; e sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais; entre outras.
Algumas das medidas apresentadas precisariam passar pelo Congresso Nacional, já que dependem de alteração da Constituição.
O deputado federal Guilherme Derrite (PP), pré-candidato ao Senado em São Paulo, e o senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao governo do Paraná, participaram do evento com Flávio.

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