“Eu trocaria tudo para ter ele de volta”, diz viúva de Adalberto. Vídeo

Caso completa um ano sem respostas sobre quem matou empresário que foi até evento de motociclismo no Autódromo de Interlagos

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Homem branco de cabelo curto à esquerda de mulher loira de cabelo longo - Metrópoles
1 de 1 Homem branco de cabelo curto à esquerda de mulher loira de cabelo longo - Metrópoles - Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Quando tudo aconteceu, a minha vida desmoronou”. A frase dita por Fernanda Dândalo, viúva de Adalberto Amarílio Júnior, resume o que sobrou depois de uma noite sem resposta, três dias de busca, um corpo encontrado em um buraco e um ano inteiro de espera.

O empresário e 35 anos desapareceu em 30 de maio de 2025, depois de ir a um evento de motociclismo no Autódromo de Interlagos, na zona sul da capital paulista. Foi achado morto três dias depois, sem calça, sem bota e sem boné, em uma obra próxima ao kartódromo.

Um ano depois, a família ainda não sabe quem matou Adalberto. Nem como o corpo dele foi parar ali. Nem por que a morte de um homem que havia saído para se divertir em um evento público se transformou em um caso tratado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) como homicídio por asfixia mecânica.

“É tudo muito difícil. Foi e continua sendo um período muito delicado, ainda mais porque a gente ainda não tem as respostas e não tem os culpados desse crime”, disse a viúva ao Metrópoles. “Reviver tudo isso é muito difícil. É pedindo muita força para Deus mesmo.”

Fernanda e Adalberto estavam casados havia 8 anos.

“Sozinha em tudo”

A ausência de Adalberto, para a viúva, não cabe apenas na palavra luto. Ela aparece nas pequenas rotinas que desapareceram junto com ele.

“A gente era muito parceiro. Ele compartilhava tudo comigo, eu com ele. Então, eu vivi sozinha em tudo, ainda estou sozinha.”

O casal havia acabado de se mudar. O projeto de uma nova casa, construído como etapa de vida, foi interrompido antes de se transformar em futuro. Havia outros planos, ainda maiores.

“A gente tinha acabado de se mudar, era algo que a gente tinha lutado muito por isso. No ano passado eu ia fazer 35 anos, a gente não tinha filhos ainda, e aí a gente ia pensar nesse próximo passo. Tudo isso foi interrompido, foi destruído.”

A saudade, segundo ela, está em tudo.

“Ele faz falta em tudo. Desde o bom dia no WhatsApp, desde o beijo de boa noite. Em tudo. Tudo ele faz falta.”

A noite em Interlagos

Adalberto passou o dia no evento de motociclismo. À noite, decidiu ir embora. Segundo a investigação, ele estava com um amigo, que havia ido de moto. O empresário, que estava de carro, disse que faria um caminho por dentro do autódromo para chegar ao estacionamento. A partir daí, sumiu.

A esposa tentou contato e não conseguiu. Amigos e familiares foram chamados. Um boletim de ocorrência de desaparecimento foi registrado. O carro dele foi localizado no estacionamento e encaminhado para perícia.

Na terça-feira seguinte, veio a notícia que a família mais temia. Um corpo havia sido encontrado dentro de uma canaleta em uma área de obra. Era Adalberto.

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Ele era empresário
Esposa de empresário lamenta morte nas redes sociais
Adalberto Junior estava desaparecido desde a última sexta-feira (30/5)
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O empresário Adalberto Junior com a esposa Fernanda
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O empresário Adalberto Junior com a esposa Fernanda

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Esposa de empresário lamenta morte nas redes sociais

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Adalberto Junior estava desaparecido desde a última sexta-feira (30/5)
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Buraco onde o corpo de Adalberto foi encontrado
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Empresário desapareceu em evento no Autódromo de Interlagos
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Empresário desapareceu em evento no Autódromo de Interlagos

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Corpo foi encontrado em buraco por funcionário de obra
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Corpo foi encontrado em buraco por funcionário de obra

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Caso segue sem solução
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Caso segue sem solução

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Ivalda Aleixo garantiu que investigação avançou e caso pode ser solucionado
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Ivalda Aleixo garantiu que investigação avançou e caso pode ser solucionado

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Caso intriga polícia, pelas dificultades da falta de registros de câmeras e depoimentos contraditórios
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Caso intriga polícia, pelas dificultades da falta de registros de câmeras e depoimentos contraditórios

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A diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Ivalda Aleixo, relembrou que o corpo não apresentava lesões aparentes quando foi localizado. O capacete estava sobre o crânio, mas em uma posição que chamou a atenção da polícia.

“O capacete dele com certeza foi jogado depois, porque estava ao contrário”, afirmou Ivalda. “Não tinha como saber o que tinha acontecido até sair o laudo necroscópico, que apontou que ele morreu por asfixia mecânica.”

Para a delegada, Adalberto não caiu acidentalmente no buraco. A polícia trabalha com a hipótese de que ele tenha sido colocado ali inconsciente ou já morto. Outra possibilidade considerada é a de que o corpo tenha sido deixado no local no dia seguinte ao desaparecimento.

“Tentaram achar justificativas para um crime”

A dor da viúva não veio apenas da morte. Veio também do que se disse depois dela.

Ela afirma que foi alvo de acusações falsas nas redes sociais e em parte da cobertura jornalística feita sobre o caso. Disse que Adalberto também teve a imagem atacada, como se fosse necessário encontrar uma explicação moral para que alguém tivesse sido morto.

“A internet é um local sem regras. Muita coisa foi colocada de acusação em mim, nele também, que ele estava fazendo coisas erradas. Tentaram achar justificativas para um crime”, afirmou complementando que “não existe uma justificativa para alguém matar outra pessoa, esconder o corpo e estar solto ainda.”

Fernanda disse ter sido acusada de interesse financeiro. Também citou boatos sobre traição e sobre vestígios encontrados no carro do empresário.

“Eu fui acusada de querer ficar com dinheiro. Eu trocaria tudo na minha vida para ter ele de volta, porque não é o dinheiro que traz felicidade”, disse. “Falaram que ele estava me traindo, que alguma coisa de errado tinha, que o sangue no carro era de outra mulher. Ninguém tinha provas e nem respaldo para falar isso.”

Ela afirmou ter se sentido respeitada pela Polícia Civil, mas não por alguns veículos que noticiaram o caso. “Não me respeitaram divulgando fotos do corpo dele no buraco.”

Investigação mira seguranças

O DHPP apura a conduta de seguranças que trabalhavam na área onde Adalberto desapareceu e foi encontrado morto. Segundo Ivalda Aleixo, a empresa ESC, responsável por aquela parte do evento, não colaborou com a investigação como deveria. O Metrópoles não localizou representantes da empresa para comentar a situação. O espaço segue aberto.

A delegada afirmou que a empresa enviou uma relação de funcionários, mas deixou de fora um nome considerado relevante para os investigadores. Também disse que houve dificuldade para localizar seguranças, apreender telefones e confrontar versões.

“A empresa não colaborou. Isso é muito ruim, porque é a vida de uma pessoa”, afirmou Ivalda. “Ela mais atrapalhou do que ajudou.”

A polícia já cumpriu mandados de busca e apreensão contra seguranças e aguarda a análise de mídias e celulares. Segundo a delegada, a etapa é decisiva para cruzar dados, verificar contradições e reouvir pessoas.

“Quando chegar a extração, a gente vai ter que sentar e ver o que cruza, quem mentiu e quem falou a verdade”, disse.

Ivalda não afirma que a empresa participou da morte. Mas sustenta que a ESC sabe mais do que contou.

“Não estou falando que a empresa teve participação no que aconteceu com o Adalberto, mas no depois, com certeza”, afirmou. “Porque tem supervisor, tem coordenador. Eles falavam tudo no grupo ali.”

“Existe um caminho”

O advogado da família, Leandro Falavigna, acompanha o caso desde o início. Ele disse que ajudou a família ainda nos primeiros momentos, quando Adalberto era tratado como desaparecido, e afirma que há confiança no trabalho do DHPP.

“Os principais sentimentos são de tristeza, profunda tristeza, de saudade do ente querido, mas também de esperança. Esperança de que esse crime vai ser solucionado”, afirmou.

Falavigna disse que o inquérito tramita em segredo de Justiça e que, por isso, não pode detalhar diligências. Ainda assim, reforçou que a investigação avançou.

“O que eu posso dizer é que existe um caminho. A gente confia muito na Delegacia de Homicídios. Tenho certeza de que a gente vai conseguir solucionar o crime.”

Para ele, o tamanho do Autódromo de Interlagos e a ausência de câmeras em todos os pontos tornam o caso desafiador. Mas a falta de respostas, um ano depois, não diminui a expectativa da família por responsabilização.

“Existem chances reais. Existem mídias que estão sendo analisadas nessas buscas e apreensões. Tem muita informação para ser investigada e apurada”, afirmou.

Um ano sem final

A viúva diz acompanhar o andamento do caso e esperar por um desfecho. Sabe que a polícia trabalha. Mas também sabe que a investigação, segundo ela, foi dificultada por quem deveria ter ajudado.

“Tudo foi muito dificultado por quem deveria ter ajudado”, afirmou. “As pessoas mentiram e mentem. E não havia câmeras, não havia nada de segurança no autódromo.”

No centro da espera está a pergunta sobre o que aconteceu com Adalberto depois que ele tentou chegar ao carro e nunca mais voltou para casa.

A família espera que o segundo ano do caso não seja apenas a repetição do primeiro, marcado por dor, boatos, silêncio e uma investigação técnica tentando reconstruir, pedaço por pedaço, os minutos finais de um homem que saiu para um evento e terminou morto dentro de um buraco.

“Eu espero que não demore muito mais que isso para poder resolver esse caso”, afirmou a viúva.

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