Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Envolvidos no tráfico de armas do Arsenal de Guerra de SP têm pena mantida

Superior Tribunal Militar (STM) manteve novamente a condenação dos envolvidos no tráfico de metralhadoras do Arsenal de Guerra de São Paulo

28/09/2026 14:15, atualizado 28/09/2026 14:51
Polícia Civil do Rio de Janeiro
policia-civil-metralhadoras

O Superior Tribunal Militar (STM) manteve novamente a condenação de dois civis envolvidos no tráfico de metralhadoras de alto calibre furtadas do Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) ocorrido em 7 de setembro de 2023. Em votação unânime, o STM rejeitou os embargos de declaração da defesa e acolheu recurso parcialmente.

A decisão do tribunal manteve a pena dos dois envolvidos em 18 anos de reclusão em regime inicial fechado, com o pagamento de 360 dias-multa para cada um deles. De acordo com o processo, os dois participaram diretamente da comercialização clandestina das armas.

Envolvidos no tráfico de armas do Arsenal de Guerra de SP têm pena mantida - destaque galeria
6 imagens
As armas furtadas do Exército foram encontradas enterradas em uma mata próximo a um lago em São Roque (SP)
PF não foi acionada pelo Exército após furto de armas
Exército voltou atrás na transferência do tenente-coronel Batista, que chefiava Arsernal de Guerra
Fachada do Arsenal de Guerra de São Paulo, de onde 21 metralhadoras foram furtadas
Arsenal de Guerra de São Paulo, em Barueri
Nove armas furtadas do Exército foram encontradas pela Polícia Civil de São Paulo, na madrugada de 21 de outubro
1 de 6

Nove armas furtadas do Exército foram encontradas pela Polícia Civil de São Paulo, na madrugada de 21 de outubro

Divulgação/Polícia Civil de SP
As armas furtadas do Exército foram encontradas enterradas em uma mata próximo a um lago em São Roque (SP)
2 de 6

As armas furtadas do Exército foram encontradas enterradas em uma mata próximo a um lago em São Roque (SP)

Divulgação/Polícia Civil de SP
PF não foi acionada pelo Exército após furto de armas
3 de 6

PF não foi acionada pelo Exército após furto de armas

Divulgação/Polícia Civil de SP
Exército voltou atrás na transferência do tenente-coronel Batista, que chefiava Arsernal de Guerra
4 de 6

Exército voltou atrás na transferência do tenente-coronel Batista, que chefiava Arsernal de Guerra

Reprodução
Fachada do Arsenal de Guerra de São Paulo, de onde 21 metralhadoras foram furtadas
5 de 6

Fachada do Arsenal de Guerra de São Paulo, de onde 21 metralhadoras foram furtadas

Reprodução
Arsenal de Guerra de São Paulo, em Barueri
6 de 6

Arsenal de Guerra de São Paulo, em Barueri

Divulgação/Exército Brasileiro

No furto, os homens levaram metralhadoras calibre .50, utilizadas em armamentos de grande poder de fogo e que podem ser empregadas contra veículos e aeronaves, e 7,62 mm. Segundo a investigação, eles se aproveitaram do feriado de 7 de setembro para arrombar o depósito e retirar os itens em uma caminhonete oficial da administração militar.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A defesa de um dos envolvidos questionou a competência da Justiça Militar da União para julgar o caso. Ao analisar os recursos, o STM reafirmou o fato com base no Código Penal Militar, que prevê a competência da Justiça Militar de intervir em situações nas quais “a conduta criminosa atinge patrimônio sob administração militar”.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

Justiça tornou réus em 2024

A Justiça Militar tornou réus oito envolvidos no crime em 2024, entre eles o tenente-coronel Rivelino Barata de Sousa Batista, ex-diretor da unidade. Foram aceitas denúncias contra quatro militares e quatro civis.

Nas denúncias, foram separados os réus que tiveram envolvimento direto no crime daqueles com envolvimento indireto. Nos diretos, estavam os cabos Vagner da Silva Tandu, de 23 anos, e Felipe Ferreira Barbosa. Os dois tiveram a prisão decretada à época.

A Justiça considerou que o tenente-coronel Batista e um primeiro-tenente tiveram participação indireta, por inobservância de lei, regulamento ou instrução. Quatro civis foram denunciados por receptação — pelo menos um deles é ligado ao Comando Vermelho (CV) e atuou no sentido de oferecer o armamento à facção criminosa.

De acordo com as investigações, o desvio do armamento de guerra ocorreu entre os dias 5 e 8 de setembro, mas só foi percebido mais de um mês depois, no dia 10 de outubro, durante uma inspeção no quartel. A partir daí, o inquérito policial militar foi aberto.

O inquérito apontou que Vagner Tandu, que era motorista do coronel Batista, então comandante do Arsenal, tirou o armamento do quartel na caminhonete do oficial. Ele teve a ajuda do cabo Felipe Barbosa, que teria apoiado a desligar as câmeras, desativar alarmes e romper o lacre do depósito em que estava o armamento.

Depois que as armas foram retiradas, Felipe Costa teria restabelecido o sistema de segurança e colocado um novo lacre na porta do depósito. As armas, então, teriam sido negociadas com o CV por meio dos quatro civis denunciados. A facção criminosa, no entanto, não se interessou pelas metralhadoras.


Relembre o crime

  • Altoniel Salvador Almeida, conhecido como “Atani”, e Cláudio Aldo Ferreira, conhecido como “Véio”, furtaram, no total, 22 armas do Arsenal de Guerra de São Paulo, localizado em Barueri, na Grande São Paulo, no dia 7 de setembro de 2023
  • Na ocasião, foram subtraídas 13 metralhadoras calibre .50, oito metralhadoras calibre 7,62 e um fuzil. As investigações apontaram que militares envolvidos no esquema aproveitaram o feriado da Independência para retirar o material bélico das instalações militares
  • Segundo a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), Cláudio participou da conferência e da embalagem das armas furtadas para posterior envio a facções criminosas
  • A acusação foi amparada por laudo de perícia fonética, que identificou a voz dele em gravações nas quais o armamento era exibido, além de movimentações financeiras consideradas suspeitas
  • Já Altoniel foi apontado como intermediário na venda de quatro metralhadoras calibre .50. Conforme apurado, ele teria fornecido o contato de um comprador clandestino localizado na região de fronteira entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai, recebendo R$ 10 mil pela intermediação