Empresário reivindica mala com R$ 1 milhão apreendida com PM preso
Empresário Ricardo Barnabé diz que é dono da mala com R$ 1 milhão apreendida na casa do PM Nereu Aparecido, preso em operação contra o PCC
atualizado
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O empresário Ricardo Barnabé entrou com um pedido na Corregedoria da Polícia Militar para reivindicar a mala com mais de R$ 1 milhão apreendida na casa do sargento da PM Nereu Aparecido Alves, que foi preso por suspeita de fazer a segurança pessoal de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, dono da empresa de transportes Transwolff, investigada por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na petição, o empresário afirma que é dono da quantia de R$ 1.180.000 em dinheiro encontrada na casa do PM, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, no último dia 4. Naquela operação, outros dois policiais foram presos suspeitos de participar da gerência e execução da segurança pessoal e patrimonial de Pandora. Além disso, os presos também cuidavam da escolta de Cícero de Oliveira, o Té, apontado como representante legal da Transwolff.
Relembre
- Transwolff e a UpBus estão sob intervenção da gestão municipal de São Paulo desde abril de 2024, quando foram alvo da Operação Fim da Linha por vínculo com o PCC.
- A Upbus foi retirada do sistema municipal de transporte coletivo neste mês de fevereiro.
- Em janeiro, quatro dias antes de assumir um contrato emergencial, a empresa Sancetur desistiu de assumir a operação das linhas da Transwolff.
- O dono da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e o sócio da UpBus, Silvio Luís Ferreira, o Cebola, tiveram mandatos de prisão cumpridos em seus nomes durante a operação.
- Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, a Transwolff recebeu um aporte de R$ 54 milhões da facção criminosa, obtido com tráfico de drogas e outros delitos, para participar da licitação do transporte público na capital paulista.
- A Transwolff e a Upbus operavam, respectivamente, as linhas de ônibus da zona sul e leste da cidade de São Paulo — e transportavam, juntas, 700 mil passageiros na capital.
À Corregedoria, Barnabé também se diz “à disposição da Justiça Militar, do Ministério Público e de Vossa Senhoria para esclarecimentos necessários e juntada de documentação que comprova a origem e licitude dos valores”. O caso foi publicado pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo Metrópoles.
Durante interrogatório, o sargento Nereu se referiu à Barnabé como seu “atual patrão”. O PM afirmou que o empresário pediu para que ele buscasse o dinheiro e documentos na cidade de Bauru, um dia antes da operação. Segundo o depoimento, Barnabé teria pedido para o policial ficar com a mala em sua casa, na capital paulista, até o dia seguinte.
O empresário é sócio de ao menos três empresas registradas na Junta Comercial do Estado de São Paulo. Entre elas, a Qualybem Food & Service, que manteve contratos de fornecimento de alimentos para repartições públicas, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Federal do ABC.
Questionada sobre a origem do dinheiro e qual a relação do empresário com o PM, a defesa de Ricardo Barnabé disse que “os questionamentos serão respondidos no processo”.
