Empresa quer “destombar” prédio icônico na Avenida Angélica em SP

Prédio onde fica Escola Panamericana, na Avenida Angélica, foi tombado em 2024, mas empresa proprietária do imóvel recorreu da decisão

atualizado

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1 de 1 Imagem mostra prédio da Escola Panamericana - Metrópoles - Foto: William Cardoso/Metrópoles

O prédio da Escola Panamericana de Arte e Design, em Higienópolis, na região central de São Paulo, corre o risco de ser “destombado” a pedido da empresa proprietária do local, que aponta não haver a verificação de “vínculo afetivo” da comunidade ou qualquer tipo de relevância arquitetônica e cultural que faça com a construção mereça ser preservada.

A solicitação da Keeva Empreendimentos e Participações para o “destombamento” do prédio onde fica a escola, no número 1.900 da Avenida Angélica, chegou a entrar em discussão na reunião dessa segunda-feira (9/3) do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). A votação foi adiada.

Durante o processo de tombamento, a empresa alegou que o prédio da Panamericana não tem “valor histórico”, por não haver “ineditismo ou excepcionalidade” no uso da estrutura de aço do lado de fora (exoestrutura). Também apontou que não havia “valor arquitetônico”, por não ter “atributos de extremado apuro técnico e plástico” no uso da técnica. Ainda citou que não havia “valor urbano”.

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Fachada da Escola Panamericana de Arte e Design, em São Paulo
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Representante da Keeva também questionou o “valor afetivo” do imóvel. “Nenhuma evidência foi documentada em que se demonstre senão o seu ‘valor de usufruto’, ao menos o seu ‘valor de existência’ para o conjunto dos munícipes da cidade de São Paulo, como qualquer tombamento pela municipalidade o exige”, disse o arquiteto Pedro Taddei Neto.

Outro prédio de propriedade da Keeva, na Rua Groenlândia, nos Jardins, onde ficava uma unidade da Panamericana, já foi demolido no passado recente para a construção de empreendimento de luxo. Em anúncios na internet, um apartamento no local chega a custar mais de R$ 10 milhões, com o valor do condomínio superando os R$ 10 mil mensais.

Marco e tombamento

Inaugurado em 1998, o prédio da Panamericana foi tombado há cerca de um ano e meio, em setembro de 2024, após pedido realizado ainda em 2021 pela Associação dos Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados.

O edifício é caracterizado pela estrutura metálica externa e esquadria, e é considerado um marco entre as obras projetadas pelo arquiteto Siegbert Zanettini. Na ocasião do tombamento, o prédio foi considerado “um testemunho para a história da técnica de arquitetura”.

O próprio Zanettini esteve presente na reunião do Conpresp dessa segunda e defendeu seu projeto, ressaltando que tem “profunda qualidade arquitetônica”, reconhecida pela própria prefeitura durante o processo de tombamento.

“Precisamos tomar uma decisão clara sobre o que é patrimônio cultural dessa cidade. Precisamos defender até a morte. Estou aqui no fim da minha vida, mas presente para defender esse país, essa nação e essa arquitetura”, disse aos conselheiros.

Polêmica

O bairro de Higienópolis, onde está o prédio da Escola Panamericana, já foi palco de inúmeras discussões urbanísticas. Uma das polêmicas envolveu, na década passada, o projeto de construção de uma estação da Linha 6-Laranja de metrô, o que gerou reação negativa entre parte dos moradores.

A possibilidade de “destombamento” do prédio projetado por Zanettini desagradou pessoas ouvidas pela reportagem na tarde desta terça-feira (10/3) por motivos os mais diversos.

A funcionária pública aposentada Márcia Farias, 63 anos, não concorda com a proposta de “destombamento”. “Algumas coisas tombadas estão deterioradas. Mas esse, não. Está bem conservado e acho importante manter”, disse.

As pessoas que moram ou caminham pela região frequentemente citam que, caso “destombado”, o prédio deverá se tornar um novo empreendimento imobiliário, como inúmeros que se espalham pela região.

“É um patrimônio tombado, um ponto de referência na localidade. A gente vê que a região já está bastante cheia, áreas sendo desabitadas para serem construídos esses empreendimentos megalomaníacos”, disse o engenheiro de software Rafael Xavier, 43 anos. “Acredito que aqui não tenha essa necessidade. Tem outras áreas que podem ser exploradas. A gente já sabe que o mercado imobiliário está aquecido. Infelizmente, tudo tem a questão monetária envolvida, que acaba falando mais alto.”

A terapeuta Elena Zupello Bustos, 34 anos, afirmou que ficou triste ao saber da possibilidade de destombamento. “Sei que até conseguir tombar um prédio como esse é preciso muito trabalho, muito estudo. É quase um tempo jogado fora das pessoas que se dispuseram a fazer isso [tombamento]” disse. “São Paulo está em um ritmo muito acelerado de construções gigantescas. Isso só favorece a um grupo pequeno de pessoas que pode investir um dinheiro absurdo para morar aqui.”

O prático Mauricio Costa, 69 anos, relembrou a polêmica sobre estação de metrô e se posicionou contra mudanças na região. “É um bairro de prédios antigos, muitos até já se tornaram patrimônio. Essa modernidade que está acontecendo, com vários prédios novos, traz outra política de convivência aqui no bairro. É um bairro de gente de mais idade, de judeus”, disse. “Já tentaram outras coisas por aqui e não tiveram sucesso, graças a Deus, como o metrô da Praça Buenos Aires. Acredito que não é uma boa para o bairro”, disse.

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