Família egípcia em aeroporto: grávida passa mal e é levada a hospital
Grávida de 35 semanas deixou de sentir os movimentos do bebê. Ela, o esposo e os filhos estão há 21 dias no Aeroporto de Guarulhos
atualizado
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A esposa grávida de Abdallah Saad Ali Montaser, cidadão egípcio que está retido há 21 dias com a família no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, precisou ser levada ao hospital, nesta terça-feira (28/4). De acordo com informações repassadas pela defesa, a mulher foi atendida tanto no período da manhã quanto à tarde, em razão de complicações na gestação.
Grávida de 35 semanas, ela enfrenta um quadro considerado de alto risco, com diagnóstico de diabetes gestacional e relatos recentes de dores e diminuição dos movimentos do bebê. A situação de saúde tem aumentado a preocupação da família, que permanece sem autorização para entrar no Brasil.
Em carta enviada às autoridades brasileiras, Abdallah (foto em destaque) relata que deixou o Bahrein com a esposa e os filhos em busca de segurança diante da instabilidade na região, mas acabou impedido de ingressar no país. Desde então, a família segue retida no aeroporto, em condições que ele classifica como precárias, especialmente para a gestante e uma criança pequena.
No pedido encaminhado aos ministérios das Relações Exteriores e da Justiça, ele solicita uma solução humanitária urgente, ao menos com a liberação da entrada da esposa e dos filhos no Brasil para que possam receber atendimento médico adequado.
Família egípcia em aeroporto
- Família egípcia está há cerca de 21 dias retida na área restrita do Aeroporto de Guarulhos, sem autorização para entrar oficialmente no Brasil.
- A entrada no país depende de liberação da Polícia Federal, após pedido de refúgio ainda em análise.
- O grupo é formado pelo pai, por dois filhos pequenos e pela mãe, que está grávida do terceiro filho.
- A gestante está no fim da gravidez, com cerca de 34 semanas, e enfrenta um quadro de diabetes gestacional.
- Em um dos momentos de maior preocupação, a mulher relatou não sentir os movimentos do bebê, o que levou a pedidos de atendimento médico ainda no aeroporto.
- A permanência prolongada no local levanta preocupações sobre condições de alimentação, estrutura e assistência básica.
- Segundo o advogado da família, o caso apresenta indícios de violação humanitária, especialmente pela situação da gestante e das crianças.
- A família pede uma solução urgente para conseguir entrar no país e ter acesso a atendimento médico adequado.
Advogado acionou autoridades
A defesa solicitou urgência na análise do pedido de refúgio diretamente ao governo federal e aguarda uma resposta das autoridades. Segundo o advogado Willian Fernandes, que também representou uma família palestina retida no aeroporto nesta semana, sob condições similares, o caso apresenta “claros elementos de violação humanitária”.
Fernandes também diz que acionou instituições e entidades da sociedade civil que atuam na proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade.
O Metrópoles procurou o Aeroporto de Guarulhos e o Itamaraty. Ambos responderam que o caso deve ser tratado diretamente com a Polícia Federal, que não respondeu à reportagem até a publicação deste texto.
“A Constituição brasileira e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil não permitem que situações como essa sejam tratadas apenas sob a ótica restritiva do controle migratório. Há deveres claros de proteção, especialmente quando estamos diante de pessoas em condição de vulnerabilidade”, destacou o advogado.
Para Fernandes, o Estado brasileiro precisa refletir seus compromissos com os direitos humanos. “O acolhimento, nesses casos não é uma opção política, é uma exigência jurídica e civilizatória”, afirmou.
Segundo Paulo Illes, diretor do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), “trata-se de um caso humanitário evidente”. “A manutenção dessa família em área de restrição por tantos dias, especialmente com uma gestante e crianças, é incompatível com os princípios básicos de proteção à dignidade humana. O Brasil tem tradição de acolhimento e compromissos internacionais que precisam ser respeitados na prática”, declarou.
Segurança nacional
Os motivos que podem levar a PF a impedir a entrada de imigrantes no Brasil se justificam, principalmente, por questões de segurança nacional. Fernandes, no entanto, destaca que há restrições significativas neste caso.
O advogado explicou que o homem já participou de uma manifestação contrária ao governo egípcio no passado – único fato que pode pesar em seu histórico e impedir a entrada da família no país. “Porém, depois disso, ele já trabalhou em diversos lugares que têm controle migratório extremamente restritivos, como Emirados Árabes, Barhein e Turquia”, argumentou o defensor da família.
Para o advogado, isso reforça a ausência de elementos concretos que indiquem risco à segurança.
“Entendemos que este controle é importante, porque envolve defesa da segurança nacional, mas isso precisa ser feito de forma individualizada e com a garantia dos direitos humanos, que são valores que o Brasil se compromete a respeitar, seja por força da nossa Constituição Federal, seja porque é signatário de tratados internacionais de proteção ao direito dos migrantes”, acrescentou o advogado.




