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São Paulo

Dispersão da Cracolândia desafia atendimento de ONGs a dependentes

Governo do estado e Prefeitura dizem que atendimento a essa população não foi afetado após dispersão, que começou em maio do ano passado

16/08/2026 02:10
William Cardoso/Metrópoles
foto colorida de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia - Metrópoles

Um ano após a dispersão da Cracolândia, que tirou de cena as aglomerações de dependentes a céu aberto, o chamado “fluxo”, coletivos e profissionais que atuam na região central de São Paulo — como médicos, assistentes sociais e redutores de danos — relatam dificuldade para dar andamento aos atendimentos voltados a essa população.

Esses relatos começaram ainda no ano passado, com o alerta de que a pulverização do “fluxo” impede, na maioria das vezes, a localização dos usuários, travando as assistências.

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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
Homem passa diante de polícia na região da cracolândia, em São Paulo
Imagem mostra usuários de crack diante de GCM
Dependentes químicos em meio ao fluxo da Cracolândia, na Rua dos Protestantes, na região central de São Paulo
GCM participa de operação de limpeza da Rua dos Protestantes na Cracolândia
Homem segura cachimbo de crack na região central de São Paulo
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Homem segura cachimbo de crack na região central de São Paulo

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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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Homem passa diante de polícia na região da cracolândia, em São Paulo
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Homem passa diante de polícia na região da cracolândia, em São Paulo

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Imagem mostra usuários de crack diante de GCM
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Imagem mostra usuários de crack diante de GCM

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Dependentes químicos em meio ao fluxo da Cracolândia, na Rua dos Protestantes, na região central de São Paulo
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Dependentes químicos em meio ao fluxo da Cracolândia, na Rua dos Protestantes, na região central de São Paulo

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GCM participa de operação de limpeza da Rua dos Protestantes na Cracolândia
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GCM participa de operação de limpeza da Rua dos Protestantes na Cracolândia

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Guardas municipais observam movimento de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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Guardas municipais observam movimento de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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Imagem mostra usuários de crack diante de GCM
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Imagem mostra usuários de crack diante de GCM

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Guardas municipais observam movimento de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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Guardas municipais observam movimento de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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Imagem mostra usuário de crack diante de GCM
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Imagem mostra usuário de crack diante de GCM

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Fluxo da Cracolândia, no cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua dos Gusmões
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Fluxo da Cracolândia, no cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua dos Gusmões

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Guardas municipais observam movimento de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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Guardas municipais observam movimento de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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Guardas municipais observam movimento de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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Guardas municipais observam movimento de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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Imagem mostra usuário de crack diante de GCM
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Fluxo noturno de usuários na Rua dos Gusmões, na Cracolândia, em São Paulo
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Fluxo noturno de usuários na Rua dos Gusmões, na Cracolândia, em São Paulo

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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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Dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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GCM participa de operação de limpeza da Rua dos Protestantes na Cracolândia
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GCM participa de operação de limpeza da Rua dos Protestantes na Cracolândia

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GCM monitora fluxo na Rua dos Gusmões, na Cracolândia, com Complexo Mauá ao fundo
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GCM monitora fluxo na Rua dos Gusmões, na Cracolândia, com Complexo Mauá ao fundo

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GCM monitora fluxo na Rua dos Gusmões, na Cracolândia
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GCM monitora fluxo na Rua dos Gusmões, na Cracolândia

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Dependente químico segura cachimbo de crack na região da Luz, em São Paulo
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Dependente químico segura cachimbo de crack na região da Luz, em São Paulo

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A dispersão aconteceu em maio de 2025, quando a maior cena aberta de uso de drogas do estado amanheceu vazia. Seis meses depois, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que uma série de políticas públicas integradas, trabalhadas em parceria com a Prefeitura de São Paulo, pôs fim à Cracolândia.

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Embora o governador atribua a solução do problema a ações conjuntas de segurança e assistência social, reportagem do Metrópoles mostrou, em junho deste ano, que a cena aberta não havia sumido — mas, sim, se espalhado. O “Dossiê da Cracolândia”, mostrou que a dispersão foi marcada por abusos policiais, ações higienistas e internações em massa.

De acordo com relatos de testemunhas, a Guarda Civil Municipal estaria impedindo os usuários de se aglomerarem, usando abordagens para dispersá-los. Os dependentes seriam obrigados a se manter em constante movimento. Além disso, muitos deles teriam sido submetidos a internações compulsórias e exigência de abstinência total.

A Prefeitura de São Paulo informou que o acolhimento dessa população é um trabalho permanente, realizado em parceria com o governo do estado, e disse que ampliou a rede de atendimento social e de saúde destinado a esse público (leia íntegra da nota abaixo).

Em nota, o governo de São Paulo informou que as ações que resultaram no fim da antiga Cracolândia foram construídas priorizando a segurança pública, a saúde e a assistência social. As medidas, continua o governo, não interromperam o atendimento nem a busca ativa na região. Por fim, o estado diz ter investido, entre 2023 e 2026, R$ 243,5 milhões na estrutura de proteção social da Política Estadual sobre Drogas (leia íntegra da nota abaixo).

Estresse e abandono

O “espalhamento” relatado por ONGs e coletivos é criticado porque, afastados, os usuários abandonam tratamentos e ficam ainda mais vulneráveis.

“Nas políticas públicas existe uma tendência a colocar a abstinência total como um objetivo maior e como proposta de tratamento, só que esse tratamento funciona para 10% dos pacientes. E aí, há a falência desse modelo. Para o paciente, além de, na prática, não funcionar, é um outro fator de estresse, porque é uma proposta que ele nunca consegue cumprir. Então, existe uma frustração que gera, muitas vezes, um abandono do tratamento”, diz Flavio Falcone, médico psiquiatra que atua na Cracolândia desde 2010.

Os coletivos e profissionais de tratamento médico dizem que é difícil manter os atendimentos pois as equipes não conseguem encontrar os adictos. Para eles, a dispersão tem causado prejuízo em questões como acesso à saúde e a tratamentos clínicos.

“Depois da dispersão, a gente teve dificuldade de encontrar as pessoas, de saber se elas estavam vivas. Se as pessoas que a gente conhece há mais de uma década estavam bem, se elas estavam continuando o tratamento de tuberculose, de HIV”, diz Marcel Segalla, pesquisador de temas ligados a saúde coletiva, drogas e cultura corporal e mestre em ciência da saúde pela Escola de Enfermagem da USP.

Questionada, a Guarda Civil Municipal de São Paulo não confirmou a orientação para “dispersar” os dependentes, mas afirmou que realiza policiamento preventivo e ostensivo com foco no combate ao tráfico de drogas. Também informou que promove o ordenamento do espaço público, atuando em conformidade com a legislação.

“Nos casos de constatação de ilícito, a GCM encaminha os envolvidos à autoridade policial. A Guarda Municipal também trabalha de forma integrada com outros órgãos municipais, como Subprefeituras, Assistência Social e Saúde, e, quando necessário, em apoio à Polícia Militar”, esclareceu.

Tratamento de outras doenças

A discussão sobre cuidados médicos aos frequentadores do fluxo não é apenas sobre o tratamento relacionado à droga, mas sobre outras doenças que são adquiridas por causa da situação de vulnerabilidade social. Muitas dessas pessoas são portadoras do vírus HIV e precisam de acompanhamento médico frequente, bem como acesso às medicações. Ao perder o controle de onde estão esses usuários, o alcance aos atendimentos de saúde se torna ainda mais complicado, o que também significa um risco à vida deles, segundo Flavio Falcone.

“Tem um caso de uma pessoa que eu trato desde 2013, que é uma paciente HIV positivo, e depois da dispersão ela parou de fazer o tratamento. Ela pegou uma tuberculose super resistente e faleceu […] E ela parou o tratamento do HIV porque cada dia ela estava num lugar e as equipes de saúde não a encontravam mais para dar a medicação que ela precisava, e ela morreu por causa disso”, diz.

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Além disso, os serviços oferecidos pela assistência social também são apontados como fatores prejudicados desde maio de 2025. Em razão das abordagens policiais, muitas pessoas acabam perdendo seus pertences, como documentação. Há também aqueles que nunca possuíram um CPF anteriormente, por não terem tido acesso a políticas públicas previamente. A assistência social que atuava no território tinha a função de resolver trâmites relacionados a documentação e cadastros em serviços públicos.

Segundo Lydia Gama, advogada e coordenadora do coletivo “Teto, Trampo e  Tratamento”, sem conseguir localizar essas pessoas, o trabalho fica impossível de ser realizado, o que também limita o acesso dos usuários a outros direitos, como a realização do Cadastro Único, que permite o recebimento de auxílios sociais, por exemplo.

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Secretários municipais chegam até o fluxo com as grades
Cracolândia é área de domínio do PCC no Centro de São Paulo
Região da Cracolândia vazia
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Fluxo da Cracolândia entre a Rua dos Gusmões e dos Protestantes
Estudo identificou beneficiários do Bolsa Família entre frequentadores da cracolândia
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Estudo identificou beneficiários do Bolsa Família entre frequentadores da cracolândia

Divulgação/Ricardo Nunes
Secretários municipais chegam até o fluxo com as grades
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Secretários municipais chegam até o fluxo com as grades

Divulgação/Ricardo Nunes
Cracolândia é área de domínio do PCC no Centro de São Paulo
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Cracolândia é área de domínio do PCC no Centro de São Paulo

Reprodução/Polícia Civil
Região da Cracolândia vazia
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Região da Cracolândia vazia

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Fábio Vieira/Especial Metrópoles
Fluxo da Cracolândia entre a Rua dos Gusmões e dos Protestantes
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Fluxo da Cracolândia entre a Rua dos Gusmões e dos Protestantes

Renan Porto/Metrópoles

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo, para questionar sobre qual era o plano político e estratégico estruturado para a gestão da área antes da dispersão, quais programas e ações de assistência social estão sendo executados atualmente para atender os usuários agora dispersos e se a prefeitura está monitorando novos pontos de concentração e quais são as estratégias para mitigar os impactos dessa dispersão nos bairros afetados.

Em resposta, a prefeitura afirmou que o acolhimento e tratamento a pessoas em situação de rua ou uso abusivo de álcool e drogas na cidade é um trabalho permanente, que segue estritamente critérios técnicos da assistência social e da saúde. Além disso, disse que a gestão, junto ao governo de São Paulo, está investindo em Consultórios na Rua, acolhimento noturno, monitoramento (através de Smart Sampa e Muralha Paulista) e em frentes de trabalho, como o Programa Operação Trabalho (POT).

Veja a nota da Prefeitura de São Paulo na íntegra:

“A Prefeitura de São Paulo informa que o acolhimento e tratamento a pessoas em situação de rua ou uso abusivo de álcool e drogas na cidade é um trabalho permanente que segue estritamente critérios técnicos da Assistência Social e da Saúde, não havendo, portanto, qualquer ‘plano político’. As ações realizadas na antiga Cena Aberta de Uso (CAU) na Rua dos Protestantes, assim como em pontos de ocupação momentânea, são desenvolvidas de forma integrada e envolvem desde atendimentos sociais a serviços de zeladoria urbana e de segurança pública para o combate ao tráfico de drogas e outros crimes.

O município ampliou a rede de atendimento social e de saúde à população em situação de rua, com destaque para a expansão do Programa Consultório na Rua, que passou de 19 para 40 equipes. Além disso, desde 2020, o número de vagas de acolhimento noturno cresceu cerca de 80%, passando de 15 mil para mais de 27 mil vagas distribuídas em 374 serviços. Atualmente, cerca de 1.600 profissionais das áreas de saúde e assistência social realizam diariamente abordagens e atendimentos nas ruas a pessoas em situação de vulnerabilidade e uso abusivo de álcool e outras drogas.

O trabalho integrado entre a Prefeitura e o Governo do Estado tem contribuído para transformar a realidade da região da antiga CAU, beneficiando moradores e comerciantes. Com o apoio do Smart Sampa e da Muralha Paulista, as forças policiais intensificaram as prisões, apreensões de drogas e combate a estabelecimentos ligados ao crime. Foram, até o momento, 108 locais fechados. Entre 2023 e 2025, foram presas 9.301 pessoas e apreendidas 12,8 toneladas de drogas na região central. 

Cabe ressaltar que a Prefeitura entregou neste mês um espaço com quadra poliesportiva, equipamentos de lazer e jardins no local onde existia a extinta Cracolândia. Um empreendimento residencial está em fase de planejamento para a região. Já o Programa Operação Trabalho (POT) Redenção beneficiou mais de 6,8 mil pessoas em tratamento por dependência química desde 2022, com 1.794 saídas qualificadas. A articulação entre as secretarias municipais e estaduais é permanente, com reuniões semanais para coordenar ações integradas de segurança pública, zeladoria e melhoria da infraestrutura urbana, incluindo o reforço da iluminação pública em diversas regiões da cidade.”

Veja nota do Governo do Estado de São Paulo na íntegra:

“As ações que resultaram no fim da antiga “Cracolândia” foram construídas de forma integrada entre o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo, priorizando a segurança pública, a saúde e a assistência social. A extinção da principal cena aberta de uso de drogas na região central não interrompeu o atendimento nem a busca ativa nos territórios, que segue sendo realizada de forma itinerante e territorial pelas equipes multidisciplinares. 

Na área da saúde, o atendimento é estruturado pela rede pública, que conta com 479 Unidades Básicas de Saúde (UBS), 103 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas, além do apoio de 40 equipes do Consultório na Rua — estrutura ampliada pela Prefeitura em mais de 110% desde 2021. Na rede estadual, o Hub encaminhou mais de 39 mil dependentes químicos para o tratamento na atenção especializada em três anos. Entre 2024 e 2025, os atendimentos nos CAPS cresceram de 1,7 milhão para 1,9 milhão de procedimentos, assegurando suporte multiprofissional e acompanhamento clínico individualizado. 

Na assistência social, a atuação conjunta mobiliza 1.600 agentes de abordagem, que realizaram mais de 42 mil abordagens territoriais em um único mês. O Estado de São Paulo investe R$ 243,5 milhões (2023–2026) na estrutura de proteção social da Política Estadual sobre Drogas, mantendo 1,1 mil vagas na Capital e Grande São Paulo em Complexos de Casas Terapêuticas, Casas de Passagem, Repúblicas e no Espaço Prevenir. Somados, os equipamentos estadiais de assistência social já acolheram mais de 33,9 mil pessoas em situação de risco, enquanto a Capital ampliou em cerca de 80% as vagas de acolhimento noturno desde 2020, alcançando mais de 27 mil vagas distribuídas em 374 serviços. 

O Governo de São Paulo reafirma seu compromisso com o atendimento integral e humanizado à população em situação de vulnerabilidade.”