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São Paulo

Cracolândia: Corregedoria apura contratação de médicos mortos no CAPS

Ex-funcionários de entidade de saúde que atende o centro de SP e servidores públicos acharam mortos e aposentados na folha de pagamento

04/07/2026 02:15, atualizado 04/07/2026 05:13
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Ilustração/Metrópoles
Corregedoria apura contratação de médicos mortos por terceirizada da Prefeitura de SP

Uma sindicância em andamento na Corregedoria-Geral do Município apura a denúncia de servidores que apontaram a contratação de “funcionários fantasmas” no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) IV Redenção, localizado no último endereço que concentrou milhares de dependentes químicos na Cracolândia.

Funcionários públicos e um gerente da Associação Filantrópica Nova Esperança (Afne), organização terceirizada pela Prefeitura de São Paulo para atendimentos de saúde no centro da capital paulista, acharam médicos aposentados e pessoas que já não trabalhavam para a entidade na Tabela de Lotação de Pessoal (TLP).

Com o avanço da investigação na corregedoria, foi constatado que médicos mortos também constavam nas folhas de pagamento. Uma funcionária, que já havia sido demitida da Afne, foi escutada pelos investigadores sobre o assunto.

“Em relação a possíveis inconsistências na TLP, referentes à presença de médicos que já não mais atuavam na AFNE (CAPS IV REDENÇÃO), inclusive aposentados e falecidos, a depoente informa que comunicou ao gerente que precisava excluir esses profissionais do CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) para corrigir estas inconsistências, o que não foi feito até o momento em que a depoente foi desligada, fato este que levou alguns destes médicos que já haviam sido afastados do CAPS a entrarem em contato com a AFNE para solicitar a exclusão do sistema”,  diz o relatório da corregedoria.

Questionada pelo Metrópoles, a Afne disse que abriu inquérito por calúnia contra os servidores que fizeram a denúncia. A entidade disse que respondeu sobre as inconsistências aos órgãos competentes e não deu detalhes à reportagem.

Antes do início da investigação interna, os servidores mostraram as suspeitas ao vice-prefeito Coronel Mello Araújo (PL), que deu andamento ao processo na corregedoria. O órgão recomendou a suspensão do contrato, o que foi feito pela gestão Ricardo Nunes (MDB), em março. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SES) disse que “segue colaborando com as investigações”.

A Afne, porém, continuou o serviço por conta de uma decisão liminar, que foi referendada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), em junho.

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Como mostrou o Metrópoles, o fluxo da Cracolândia, onde se concentravam centenas ou milhares de dependentes químicos, foi dispersado em maio de 2025. Os usuários de droga têm se deslocado pelo centro em pequenos grupos. A dissipação da cena aberta de uso de drogas ocorreu em meio à intensificação de internações voluntárias e compulsórias, além de relatos de violência policial. A reportagem mapeou 11 mortes cometidas por policiais militares entre 2023 e 2025.

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Dependentes químicos se concentram em fluxo, perto da Rua Guaianases, no centro de SP
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Polícias Civil e Militar, a Guarda Civil Metropolitana e funcionários da Prefeitura de São Paulo fazem operação na cracolândia
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Dependente químico segura cachimbo de crack na região da Luz, em São Paulo
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Homem sentado no chão na Rua Prates
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Homem sentado na Praça Marechal Deodoro, com coberta azul, tomando sopa
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Pessoas no fluxo da Cracolândia, na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua dos Gusmões
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Em situação de rua, Júlio César Ferreira da Silva, 33 anos, ao lado de seu cachorro, Scooby
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Barracas montadas nas grades do Parque da Luz, em frente à estação, na região central de São Paulo
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Pessoas deitadas na calçada no entorno do Parque da Luz, em São Paulo
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Pessoas em situação de rua carregam sacos sobre as costas no Bom Retiro
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Abordagem de pessoa em situação de rua na Prates, no Bom Retiro
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Homens aguardam sopa na Praça Marechal Deodoro, em São Paulo
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Pessoas formam fila à espera de sopa na Praça Marechal Deodoro, em São Paulo
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Pessoas pegam potes de sopa na Praça Marechal Deodoro
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População em situação de rua sob o Minhocão, em São Paulo
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Pessoas reunidas na Feira do Rolo, na Avenida São João, região central
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Coordenadoria extinta

Paulete chefiou a Coordenadoria Regional de Saúde Centro, mas deixou o cargo no fim de 2025 em meio às investigações internas. Mesmo depois do afastamento da mãe, a médica seguiu contratada pela Afne.

Em março deste ano, a Coordenadoria foi extinta por decreto do prefeito Ricardo Nunes. Quem acompanhou o processo de perto, tem certeza que se trata de “queima de arquivo” para encobrir o esquema.

Hoje, a ex-coordenadora, que já estava fora do cargo na época do fechamento do órgão, está lotada como diretora no Hospital Maternidade Escola Vila Nova Cachoeirinha.

Questionada sobre o motivo do fim da Coordenadoria de Saúde do Centro, a prefeitura disse que “a reorganização administrativa da pasta busca o aprimoramento da gestão dos serviços de saúde no território” e que ” os atendimentos de saúde na região central estão ocorrendo normalmente com a mesma quantidade de serviços e equipamentos”.