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Eleições 2026São Paulo

Deputados apagam fake news sobre Satanás em ato de Lula na Paulista

Deputados Zé Trovão e Paulo Bilynskyj compartilharam vídeo manipulado e excluíram conteúdo após ordem judicial

14/10/2026 10:06, atualizado 14/10/2026 10:19
Reprodução
Deputados apagam vídeo fake atribuindo “invocação de Satanás” a ato de Lula - Metrópoles

São Paulo — A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, denominada Coligação “Brasil Pronto pra Mais”, denunciou ao Tribunal Superior Eleital (TSE) e veiculação de um vídeo manipulado que atribui falsamente a “invocação de Satanás” ao ato do presidenciável na Avenida Paulista, região central de São Paulo, no último domingo (11/12). O conteúdo foi publicado pelos deputados federais Zé Trovão e Paulo Bilinskyj, ambos do PL, e excluído após ordem judicial.

O vídeo foi publicado nessa segunda-feira (12/10), Dia de Nossa Senhora Aparecida. A santa padroeira do Brasil foi colocada no meio de uma polêmica na disputa presidencial entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo a campanha, a escolha da data para a publicação do vídeo falso “teve como propósito deliberado inflamar o eleitorado religioso, deslegitimar a manifestação massiva do candidato e causar prejuízos irreparáveis à sua imagem na reta final do segundo turno”.

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O advogado da coligação, Michel Bertoni Soares, afirmou que a estratégia busca fraudar o debate democrático por meio do medo. “Não se trata apenas de uma mentira eleitoral, mas de uma manipulação grotesca que utiliza a fé e o preconceito religioso para enganar o eleitorado e tentar neutralizar a força das mobilizações populares promovidas pela campanha”, afirmou.

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Na representação ao TSE, a campanha destacou que o conteúdo teve rápida disseminação. Por isso, a coligação pede medida liminar, em prazo de três horas, para a remoção e indisponibilização imediata das publicações e suas reproduções idênticas ou similares.

A coligação pede ainda a notificação dos usuários das plataformas sobre a falsidade do conteúdo, além da aplicação de multa aos envolvidos no patamar máximo legal.

Deputados excluíram publicação

Em resposta ao Metrópoles, Zé Trovão afirmou que retirou o vídeo de suas redes sociais após ordem judicial, e justificou que recebeu as imagens, junto com “várias pessoas”, como se fossem atuais.

“E daí nós postamos ali e tal, aquele negócio de invocando o Satanás e tudo mais. Fizemos a crítica, como cristão que somos. E parece que foi essa a decisão. Mas está tudo tranquilo. A gente só ressalta que o Lula, ele é o cara que é a cara, é o espelho do próprio Satanás. O vídeo não é falso, na verdade. O vídeo é verdadeiro. A única coisa que parece que não foi é que não foi naquele ato. Mas é, faz parte, já foi removido e tá tudo certo”, afirmou.

Também em resposta à reportagem, Bilynskyj afirmou que “Lula mentiu a campanha inteira”. “Errei e corrigi. Pra deixar registrado, quero que o Lula vá tomar no meio do cu dele”, declarou.

Nas redes sociais, o parlamentar pediu desculpas por ter compartilhado o vídeo. “Recebi o vídeo da “marcha para exu” como se fosse da manifestação de ontem na Paulista. Peço desculpas, não se trata do mesmo evento”, publicou na segunda-feira.

Vídeo falso

Entidades responsáveis por checagem de desinformação, como a Agência Lupa e o Coletivo Bereia, analisaram o conteúdo veiculado pelos parlamentares e confirmaram se tratar de vídeo manipulado.

Segundo as análises, o vídeo original utilizado na montagem não possui qualquer relação com atos partidários ou eleitorais. As imagens são, na verdade, um registro da 4ª Marcha para Exú, evento religioso e cultural de matriz africana, também realizado na Avenida Paulista, em 16 de agosto de 2026.

O vídeo falso utiliza áudios e falas de exaltação ao culto afro-brasileiro para simular um falso cântico de invocação satânica e atribuí-lo ao palanque de Lula. “Usar imagens de uma celebração religiosa legítima de matriz africana para inventar um suposto ritual satânico é duplamente gravíssimo: ataca a honra do candidato e incita o discurso de ódio e a intolerância religiosa“, reforça o advogado da coligação.

Para a campanha de Lula, a conduta configura uso vedado de conteúdo manipulado e gravíssima veiculação de preconceito religioso.