Deputada que fez blackface: MPSP pede arquivamento de acusação de racismo
Deputada Fabiana Bolsonaro pintou o rosto e os braços de preto em discurso que criticava a eleição de Erika Hilton para comissão da Câmara

A deputada estadual Fabiana de Lima Bolsonaro (PL) pode não responder por racismo após fazer blackface, pintando o rosto e os braços de preto durante um discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O Ministério Público de São Paulo (MPSP) defendeu o arquivamento da acusação por entender que não ficou comprovada a intenção de discriminar pessoas negras.
No parecer, o procurador de Justiça responsável pelo caso também apontou que as falas da parlamentar estariam protegidas pela imunidade parlamentar por terem sido feitas no exercício do mandato. O pedido de arquivamento, no entanto, ainda não encerra definitivamente o caso e será submetido à análise interna do Ministério Público.
Entenda o caso
- Durante uma sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em 18 de março deste ano, Fabiana Bolsonaro pintou o rosto e parte do corpo de marrom, em uma encenação associada ao blackface.
- A deputada afirmou que faria um “experimento social” e, enquanto passava a tinta pelo corpo, disse que, mesmo se pintando de negra, continuaria sendo uma mulher branca.
- A encenação ocorreu durante um discurso em que Fabiana criticava a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSol), uma mulher trans, para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
- Fabiana usou a comparação para defender que, assim como mudar a cor da pele não transformaria uma pessoa branca em negra, uma pessoa trans não se tornaria mulher, segundo a posição defendida por ela.
- A encenação foi questionada por outros parlamentares e posteriormente motivou uma representação criminal por racismo contra a deputada.
Por que o MPSP pediu o arquivamento?
Para o procurador de Justiça Sérgio Turra Sobrane, dois pontos pesaram na decisão de pedir o arquivamento: ele entendeu que não ficou comprovada uma intenção de cometer racismo e que o discurso também estaria protegido pela imunidade parlamentar.
No parecer, Sérgio Turra Sobrane reconhece que o blackface é uma prática historicamente associada à ridicularização e à discriminação de pessoas negras. No entanto, para o procurador, o contexto do discurso mostra que a encenação foi usada pela deputada para sustentar críticas relacionadas à identidade de gênero.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPPor isso, ele concluiu que não havia elementos suficientes para indicar uma intenção de menosprezar, zombar ou ridicularizar pessoas negras. Para o MPSP, essa intenção é um dos elementos necessários para que a conduta seja considerada crime de racismo. Como o procurador entendeu que isso não ficou comprovado no caso, defendeu o arquivamento da acusação.
Veja abaixo o momento da sessão em que a deputada realiza a ação que motivou a investigação:
O Ministério Público pediu o arquivamento, mas a decisão ainda passará por uma etapa de revisão. Como o prazo para questionamentos ainda não terminou, o caso será analisado por um relator sorteado no Colégio de Procuradores de Justiça. Esse relator poderá concordar com o pedido de arquivamento ou encaminhar a discussão para análise do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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Ver todasQuem é Fabiana Bolsonaro
- Fabiana Bolsonaro foi eleita deputada estadual, em 2022, pelo Partido Liberal (PL).
- Na campanha, ela defendeu pautas ligadas à direita, como antiaborto e guerra às drogas.
- Fabiana, de 3o anos, apesar de se apresentar com o sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não possui qualquer vínculo com a família.
- Natural de Barrinha, no interior de São Paulo, ela é considerada a vice-prefeita mais jovem do país: foi eleita, em sua cidade natal, aos 27 anos.
- Segundo informações da Alesp, a parlamentar se apresenta “contra a ideologia de gênero para crianças, pela defesa do cristianismo, defesa e incentivo ao agronegócio, defesa da vida e família, proteção e defesa da mulher, defesa do armamento, contra o aborto e drogas”.
- Fabiana também atua na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulheres e foi por isso ela protagonizou a recente polêmica.




















