Defesa de professor da USP demitido por assédio se manifesta
Demissão foi publicada no Diário Oficial nesta segunda (23/3). Defesa nega envolvimento de professor nos casos de assédio
atualizado
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A defesa do professor José Maurício Rosolen, acusado de assédio por alunas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP), no interior da capital paulista, se manifestou após a decisão desta segunda-feira (23/3) publicada no Diário Oficial, demitindo o docente.
Em nota, a defesa de Rosolen afirmou que as informações sobre o caso “não correspondem ao histórico acadêmico e instituicional construído pelo professor ao longo de décadas de atuação universitária“. O advogado disse que adotará providências administrativas e judiciais para o “completo esclarencimento da situação e preservação da integridade de sua trajetória acadêmica”.
“Professor com mais de 60 anos e pai solo de dois filhos, sendo um deles estudante da própria universidade e uma filha adolescente sob sua responsabilidade direta, o Professor José Maurício Rosolen reafirma sua confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos à luz das provas e com observância das garantias próprias do devido processo”, declara a defesa
A demissão foi oficializada sete dias após a Congregação da FFCL aprovar a perda do cargo de Rosolen, que foi divulgada pelo Metrópoles em primeira mão. O professor tem um prazo de até 30 dias para recorrer da decisão, a partir desta terça (24/3).
Durante as investigações sobre o caso, o docente ficou afastado do cargo por cerca de um ano. Após a conclusão da apuração da Procuradoria-Geral da USP, a faculdade afirmou que o conjunto probatório mostrou, “de forma inequívoca”, a materialidade das infrações disciplinares, e defendeu que fosse aplicada a pena máxima contra o professor.
Relembre o caso
- Em 2025, a FFCLRP abriu um processo administrativo disciplinar (PAD) para apurar as denúncias envolvendo o professor, que acabou afastado das salas de aula e dos laboratórios.
- O afastamento era de 180 dias, prorrogáveis pelo mesmo período de tempo.
- Na época, estudantes atuais e egressos da instituição afirmaram terem sido vítimas de assédio sexual.
- Alguns alunos também levantaram suspeitas sobre uma má conduta do docente no dia a dia dos laboratórios de pesquisa (entenda melhor abaixo).
- Após as denúncias virem à tona, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto também abriu um inquérito para apurar o caso.
No começo deste ano, passado o prazo de afastamento de Rosolen, ele retornou às atividades docentes. Alunos do curso de química, no qual ele leciona, chegaram a aprovar uma paralisação como forma de protesto contra sua volta. “Casos de assédio não podem ser normalizados dentro da universidade”, dizia um texto publicado pelo Centro Estudantil da Química (CENEQui) nas redes sociais.
