Coronel muda versão e admite sexo com PM Gisele antes de feminicídio
Coronel mudou versão de que ambos não tinham contato íntimo havia meses. Laudo revelou presença de esperma no canal vaginal da PM Gisele
atualizado
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No momento de sua prisão, na última quarta-feira (18/3), exatamente um mês após a esposa, a PM Gisele Alves Santana, ser encontrada morta com um tiro na cabeça, o tenente-coronel Geraldo Leite Costa Neto mudou sua versão sobre os fatos e admitiu ter feito sexo com a vítima pouco antes de ela morrer.
Segundo o oficial, ambos teriam tido relações sexuais “pela última vez“.
“A gente conversou, nos emocionamos, choramos ali, abraçados, sentados no sofá, lembrando os momentos bons, nos beijamos, tivemos, ali mesmo, no sofá da sala, uma relação sexual, e ali, a gente fez, vou usar o termo, fez amor pela última vez. Daí, quando terminou a relação sexual, a gente foi dormir cada qual no seu quarto”, disse à polícia.
O depoimento contradiz o que o próprio coronel vinha afirmando ao longo das investigações policiais: que o relacionamento enfrentava uma crise e que o casal já não mantinha mais qualquer contato íntimo desde, pelo menos, agosto de 2025.
A nova versão confirma o que foi encontrado nos laudos periciais realizados após a exumação do corpo da PM: a presença de espermatozoides no canal vaginal da vítima, indicando a prática de relação sexual pouco antes de sua morte.
“Na análise da amostra do exame sexológico há resultado positivo para espermatozoides no canal vaginal conferindo a existência de coito vaginal recente”, segundo consta documento das análises periciais.
O tenente-coronel tornou-se réu na Justiça pelo crime de feminicídio e fraude processual. Segundo a promotoria, a acusação formal engloba os crimes de feminicídio qualificado, por ter sido praticado em contexto de violência doméstica, e causas de aumento de pena.
Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto na quarta-feira (18/3). Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
Mensagens revelam exigência de sexo
O inquérito policial obtido pelo Metrópoles revelou que o tenente-coronel Geraldo Leite Costa Neto, de 53 anos, exigia sexo da esposa, sob o argumento de que era o “provedor” da casa, contribuindo com dinheiro.
Em mensagens trocadas pelo casal no dia 2 de fevereiro, mesmo mês em que a esposa do oficial foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento em que ambos moravam, no Brás, centro da capital, o coronel diz que o casamento é uma “via de mão dupla” e que, enquanto ele contribuía com dinheiro, ela deveria retribuir com sexo.
Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MPSP) no dia 18 de março, uma série de mensagens atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Neto expõe um comportamento “tóxico, autoritário e possessivo” .
Uso de posição hierárquica
A decisão da Justiça Militar aponta que o tenente-coronel teria usado sua posição hierárquica — superior à dos policiais presentes no local do crime, além do fato de ser o oficial mais antigo — para ignorar a recomendação de não tomar banho durante a ocorrência.
Segundo a decisão do TJM que determinou a prisão do coronel, ele atuou para “impor sua vontade e efetivamente tomar banho novamente, mesmo diante da resistência manifestada pelos policiais responsáveis pela ocorrência”.
Testemunhas ouvidas pela investigação contaram que o oficial ia frequentemente ao local de trabalho da vítima e usava de sua autoridade para entrar e permanecer por longos períodos observando as atividades dela, causando até constrangimento à equipe.



















