“Mentiroso”, diz coronel sobre advogado da família da esposa PM morta
Tenente-coronel PM Geraldo Leite Rosa Neto é investigado pela morte da esposa, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal
atualizado
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O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto voltou a criticar o advogado que representa a família da soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal morava, na região central de São Paulo. O oficial afirmou que as declarações feitas pelo advogado José Miguel da Silva Júnior seriam “uma dezena de mentiras” e disse que o advogado deveria passar por uma avaliação psiquiátrica.
As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Brasil Urgente, apresentado pelo jornalista Joel Datena, na TV Bandeirantes, nesta segunda-feira (16/3). Em outro momento da conversa, o tenente-coronel também classificou o advogado como um “cineasta”, sugerindo que o caso estaria sendo construído de forma forçada e midiática.
Durante a entrevista, o coronel também comentou áudios atribuídos à policial militar, nos quais ela teria pedido ajuda ao pai e relatado que não suportava mais a situação no relacionamento. Segundo o tenente-coronel, o material seria falso e teria sido produzido com o uso de inteligência artificial.
Em entrevista ao Metrópoles, o advogado que representa a família da soldado Gisele Alves Santana afirmou que a policial vivia sob pressão no relacionamento. Segundo ele, “Gisele estava clamando por socorro” e teria sido impedida de manter contato com familiares, além de enfrentar dificuldades até para tomar decisões simples do dia a dia. O advogado sustenta ainda que a policial manifestava o desejo de se separar, o que, na avaliação da família, contraria a versão inicial de suicídio apresentada no caso.
“Ela deu um tiro na cabeça”
Gravações das ligações feitas pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aos serviços de emergência também passaram a integrar a investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal. Nos áudios, o oficial pede socorro enquanto descreve o estado da esposa logo após o disparo.
Em determinado momento da ligação, o tenente-coronel afirma que a policial teria tirado a própria vida. “Ela se matou”, diz inicialmente ao atendente. Pouco depois, ao ser questionado se havia verificado a respiração da vítima, ele indica que Gisele ainda apresentava sinais de vida. “Ela tá muito ruim, ela deu um tiro na cabeça. Manda o resgate logo”, respondeu. A sequência chama a atenção porque, no mesmo telefonema, o oficial afirma primeiro que a esposa teria se matado e, em seguida, pede socorro alegando que ela ainda estava em estado grave.
O Metrópoles também teve acesso à ligação feita pelo oficial ao 193, do Corpo de Bombeiros, realizada logo após o contato com a Polícia Militar. No áudio, o tom de voz do coronel aparece diferente daquele ouvido na conversa com o 190. Enquanto na chamada à PM ele fala de forma mais controlada e protocolar, no contato com os bombeiros a fala é mais tensa e emocional, com pausas e expressões de desespero ao relatar a situação da esposa.
A mudança de entonação ocorre justamente quando o oficial insiste na necessidade de socorro imediato. Diferentemente da narrativa mais objetiva usada na ligação à Polícia Militar, no telefonema aos bombeiros ele demonstra maior aflição ao descrever o estado da vítima e pedir rapidez no atendimento.
Abuso de autoridade
Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reconheceu que condutas atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que na época atuava como major e comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar (29º BPM/M), configuraram abuso de autoridade contra uma policial militar subordinada. O caso ocorreu em 2022 e está relacionado a um episódio de perseguição profissional dentro da unidade.
De acordo com a decisão judicial, a policial afirmou ter sido alvo de medidas consideradas abusivas por parte do então comandante. Após análise das provas reunidas no processo, a Justiça concluiu que houve abuso de autoridade e determinou a condenação do estado de São Paulo ao pagamento de indenização por danos morais à policial, no valor de R$ 5 mil. A decisão estabelece que o montante seja corrigido e acrescido de juros pela taxa Selic a partir da sentença, destacando ainda o caráter “didático-pedagógico” da medida, com o objetivo de coibir novas condutas semelhantes.



















