Família de PM morta “cria narrativa para achar culpado”, diz coronel
O tenente-coronel Geraldo Neto admitiu ter um relacionamento difícil com a família da mulher, a PM Gisele Santana, morta em 18 de fevereiro
atualizado
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O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusa a família da esposa, a soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, de 32 anos, de criar uma narrativa mentirosa para “achar um culpado” pela morte dela.
Ele nega ter casos de ciúme possessivo, mas admite um relacionamento difícil com a família de Gisele.
Neto citou, em entrevista para a TV Record, uma suposta proibição da mulher usar maquiagem por ordem dele como exemplo para falar que a família dela está mentindo.
“Eu nunca fiz isso. A Gisele sempre foi uma mulher muito bonita, vaidosa. Então, tudo isso é uma narrativa mentirosa que estão (família) construindo para tentar me acusar. Eles precisam achar um culpado”, disse o coronel.
“Toda vez que eu frequentava a casa da família dela, eles me hostilizavam. Eles queriam que ela voltasse para o ex”, ressaltou Geraldo Neto.
Tentativa de divórcio
Geraldo Leite Rosa Neto disse ainda que falou com Gisele sobre a intenção de se divorciar pelo menos três vezes.
Apesar de definir o relacionamento como “perfeito” e “maravilhoso”, o tenente admitiu discussões, mas rejeitou usar o termo “briga”.
“Nunca teve briga. Usar ‘briga’ é um termo errado. Havia discussão. Briga sugere agressão. E nunca houve agressão. Havia discussões por ciúmes”.
Ele também contou que ambos já não dormiam no mesmo quarto desde julho do ano passado e viviam como estranhos há sete meses.
“Eu falei para ela que a gente precisava terminar o relacionamento. Eu agendei o divórcio por três vezes (setembro, outubro e novembro). Por três vezes ela não foi. Ela não queria se separar”, disse.
O coronel disse que a mulher foi encontrada morta minutos depois de ele pedir a separação novamente. “Eu entrei no quarto, dei bom dia e falei ‘olha, amor, eu acho que é melhor a gente se separar mesmo’. Ela se levantou da cama e me empurrou para fora do quarto com muita força. Eu saí e entrei no banho”.
Marcas no pescoço
Ele também levantou a possibilidade de que a esposa poderia ter apertado e machucado o próprio pescoço, antes de ser encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, no Brás, centro de São Paulo.
Segundo Neto, a Gisele conhecia os procedimentos policiais e poderia ter feito isso para incriminá-lo. O tenente-coronel sustenta a versão de que a PM tirou a própria vida.
“Será que a própria Gisele não apertou o pescoço com a mão, já conhecedora de procedimentos policiais, sabendo: ‘Ah, eu vou fazer marcas, depois vou me matar para tentar incriminá-lo'”.
Ainda na entrevista para a Record, ele também repete uma outra versão, a de que as marcas encontradas no pescoço da esposa possam ter sido causadas pela filha de sete anos dela, visto que, segundo o homem, a criança ficava agarrada no pescoço da mãe quando se cansava de andar.
Para se defender, o tenente-coronel também afirmou que rói unha e que, por isso não seria o autor das lesões. Um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) aponta marcas de unha no pescoço da mulher. “Nem unha eu tenho”, disse na entrevista.
A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar também apura denúncias envolvendo o relacionamento do casal.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto figura como parte na investigação e sustenta, desde o início, a versão de que a esposa teria cometido suicídio.
A defesa do oficial afirma que ele colabora com as autoridades e aguarda a conclusão das investigações para o esclarecimento completo dos fatos.
O dia da morte
- Na manhã de 18 de fevereiro, Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça na sala do apartamento onde vivia com o tenente-coronel.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Em entrevista, o tenente-coronel Neto contou que, horas antes do crime, acordou e conversou com a esposa, dizendo que o casal deveria se separar. Segundo o homem, a mulher teria reagido de maneira negativa, o empurrando para fora do quarto e batendo a porta do cômodo com muita força. O tenente-coronel foi então tomar banho.
- Enquanto estava no chuveiro, Neto contou ter ouvido um barulho de tiro, saído do banho e visto a esposa caída. Ele ainda afirmou que deixou a porta do apartamento aberta para manter a “transparência” e que chegou a menos de dois metros do corpo da companheira e nem da arma usada no disparo.
- Moradores do prédio relataram ter ouvido um forte estrondo naquela manhã.
Família da PM diz que filha reclamava do padrasto
De acordo com o relato da mãe da PM Gisele, Marinalva Vieira Alves de Santana, após deixar o apartamento do casal, a menina, de 7 anos, filha da policial, chegou à casa da família visivelmente abalada.
“Na terça-feira (17/2/2026), o pai de sua neta a buscou na casa de Gisele e a levou para casa. A criança teria chegado à casa dos avós muito abalada, chorando muito, pedindo para não voltar para a casa, pois disse que não aguentava mais as brigas de Geraldo com a mãe e os gritos do padrasto.”
O trecho consta no depoimento de Marinalva Vieira Alves de Santana, avó da criança e mãe da soldado Gisele.
Segundo ela, a neta também descrevia uma rotina doméstica marcada por tensão dentro do apartamento. Gisele e a filha costumavam permanecer juntas no mesmo quarto, enquanto o tenente-coronel ficava em outro cômodo do imóvel, disse.
“Agressões psicológicas”
A mãe de Gisele também descreve episódios de controle e vigilância atribuídos ao oficial. De acordo com ela, a filha comentava que sofria pressão constante do marido, que impunha restrições a comportamentos cotidianos.
“Gisele passou a queixar-se para a depoente sobre a agressividade de Geraldo. Dizia que tudo tinha que ser do jeito de Geraldo, que sofria agressões psicológicas com muita frequência, como, por exemplo, proibição de usar salto alto, batom, perfumes”, disse Marinalva à polícia.
A mãe da soldado afirmou ainda que o comportamento do oficial era percebido também por pessoas próximas ao casal. “Se ela fosse ao banheiro, ele ia atrás”, acrescentou.






















