Conpresp anuncia tombamento definitivo da Escola Panamericana
Escola Panamericana foi projetada pelo arquiteto Siegbert Zanettini e é considerada um exemplar da arquitetura high-tech paulistana

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) anunciou o tombamento definitivo da Escola Panamericana de Arte e Design, em Higienópolis, nessa quinta-feira (11/6).
A medida é uma confirmação da decisão tomada pelo Conpresp em maio deste ano, quando o colegiado rejeitou um recurso de destombamento. O imóvel é considerado patrimônio municipal desde 2024.
O texto do conselho destacou a relevância da edificação como testemunho para a história da técnica e da arquitetura, “revelando características importantes da linguagem pós-moderna e do urbanismo paulistano do final do século XX”. O Conpresp acrescentou que na construção há elementos que “atestam um patamar tecnológico alinhado às melhores práticas internacionais”.
A Escola Panamericana foi projetada pelo arquiteto Siegbert Zanettini e é considerada um exemplar da arquitetura high-tech paulistana. O edifício foi desenvolvido para abrigar a produção artística e fomentar a formação cultural na cidade.
O pedido de destombamento havia sido levantado pela proprietária do imóvel, a Keeva Participações. Em parecer técnico apresentado pela companhia, o arquiteto Pedro Taddei Netto afirmou que a construção não tinha valor histórico, urbanístico, artístico ou afetivo para manter o tombamento.
O recurso, porém, mobilizou uma parcela da sociedade e gerou reação de diversas entidades, que defenderam o imóvel pelo seu valor arquitetônico. Esses grupos também destacaram a importância da obra projetada por Zanettini, que tem 91 anos, é autor de mais de 1.200 construções e foi professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-SP) por mais de 40 anos.
Arquiteto lamentou pedido de destombamento
O professor Siegbert Zanettini segue na ativa e tem determinação de aço para criticar os “monstros” de concreto espalhados por São Paulo, como chama os edifícios padronizados, gigantescos, que se espalham em velocidade nunca vista anteriormente. Ele diz que a cidade virou “um lugar para encher de construção”.
Em entrevista ao Metrópoles, Zanettini havia criticado o pedido de destombamento: “Tudo é ocupado para gerir essa mais-valia que tem a construção hoje. E a Panamericana paga esse preço”. Para ele, o recurso revelou um “desrespeito à urbanidade, à cidade como um todo”, em que o lucro é prioridade e “nada é favorável a projetos corretos”.
Zanettini afirmou que a própria edificação de um prédio gigantesco na vizinhança da Panamericana mostra um sinal dos novos tempos. “O pessoal lá estava se queixando: ‘Não vejo mais nada, estou com um monstro encostado no meu nariz’. E é assim mesmo. Lá está o exemplo típico. Do outro lado da rua, você vê o que é a nova São Paulo. Difícil.”

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