Concessionária cria estacionamento no Anhangabaú: R$ 20 por uma hora
Prefeitura diz que estacionamento era irregular e diz ter notificado a concessionária Viva o Vale pela iniciativa. Área é vetada para carros
atualizado
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A concessionária Viva o Vale, que administra o Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista, instalou um estacionamento privado no local. Os motoristas que deixarem o carro no espaço terão que pagar R$ 20 pela primeira hora, com cobrança adicional de R$ 10 a cada hora a mais. O valor por 12 horas é de R$ 50.
O estacionamento foi instalado ao lado do prédio do Shopping Light, em um lugar antes reservado apenas aos pedestres.
O vereador Nabil Bonduki (PT) publicou imagens nas redes sociais mostrando um dos acessos ao vale cercado por grades e com uma guarita da Brasil Park, empresa de que ficou responsável por gerir as cobranças.
“Acabaram de montar um ESTACIONAMENTO PAGO no Vale do Anhangabaú. Isso mesmo: o que era espaço público virou estacionamento. Esse local fica a cerca de 30 metros do gabinete do prefeito. Dá pra ver da janela da sala dele”, diz o vereador, que afirmou que o local já estava lotado.
Em nota enviada ao Metrópoles na noite desta quarta-feira (8/4), a Prefeitura de São Paulo afirmou que o estacionamento era irregular e que apreendeu nesta quarta-feira (8/4) os gradis, guarda-sol e demais acessórios que estavam no local.
“A atividade foi encerrada no mesmo instante da ação de fiscalização por não ter as devidas licenças e autorizações administrativas exigíveis, além das demais vedações contratuais”, diz a nota. A gestão afirma, ainda, que a Secretaria Municipal das Subprefeituras notificou a Viva o Vale por infração contratual.
Desejo antigo
A reportagem apurou, no entanto, que, pelo menos desde 2025, a Viva o Vale pede autorização da administração municipal para cercar o Anhangabaú e cobrar tarifa de motoristas que queiram estacionar no local.
Em agosto de 2025, a concessionária apresentou um projeto prevendo a criação de 333 vagas em diferentes pontos do Vale, abrangendo uma área total de cerca de 35 mil m².
“Este projeto proporcionará maior organização no uso do espaço concedido, com controle de acesso, monitoramento e comunicação visual, o que resultará em mais segurança, melhor fluxo de circulação, apoio às atividades e eventos realizados no Vale, além de fomentar a economia local ao facilitar o acesso dos visitantes à região”, disse a empresa no documento enviado à Prefeitura e obtido pelo Metrópoles.
A concessionária argumentou, ainda, que a implantação do estacionamento reduziria o número de carros circulando nas ruas do entorno em busca de vagas.
Atualmente, o acesso ao Vale é facilmente feito de transporte público, pela estação Anhangabaú, da Linha 3-Vermelha do Metrô. A estação São Bento, da Linha 1-Azul, também está a poucos metros de distância do local, que é próximo, ainda, do Terminal Bandeira.
Ao pedir a autorização para instalar o estacionamento em 2025, a Viva o Vale disse que os acessos às vagas seriam fechados por meio de cancelas instaladas na Avenida São João, na Rua Formosa, na Rua Parque Anhangabaú, sob do Viaduto do Chá (próximo à entrada da Galeria Prestes Maia), e na Rua da Esplanada, ao lado da Praça Ramos de Azevedo.
Segundo o documento, o projeto seria feito em 3 fases e teria como empresa responsável pelas vagas a Locus Park. O Metrópoles não conseguiu contato com a Viva o Vale para confirmar se o estacionamento de agora seguiria os mesmos moldes do projeto apresentado para a Prefeitura em 2025. As imagens publicadas na internet mostram, no entanto, que a responsável pelo estacionamento agora é a empresa Brasil Park.
A concessão do Vale do Anhangabaú à iniciativa privada, em 2021, tem gerado uma série de críticas de moradores e trabalhadores do entorno desde seu início. Como mostrou o Metrópoles, o espaço passa dias fechado para a realização de eventos privados cuja entrada chega a custar até R$ 1.000. O som alto dos eventos é alvo frequente de reclamações de moradores, que alegam que a lei do PSIU não é respeitada. As queixas fizeram com que a Prefeitura decidisse, no fim de 2025, vetar a realização de shows que extrapolem o horário das 23h00 no Vale.
