Como uma “fumaça” no Aeroporto de Congonhas causou um caos aéreo em SP
Mais de 110 voos foram alterados ou cancelados em São Paulo até início da tarde de sexta-feira após interrupção em Congonhas na quinta
atualizado
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Os motivos que levaram à interrupção da operação no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, na última quinta-feira (9/4) ainda continuam em investigação. O Controle de Aproximação (APP), em Congonhas precisou ser esvaziado após a presença de fumaça ter sido detectada. No mesmo momento, acontecia um evento de comemoração dos 90 anos do Aeroporto de Congonhas, com a presença do presidente da Aena Brasil — concessionária responsável pelo aeroporto —, Santiago Yus, e outas autoridades federais.
Uma apuração do Metrópoles aponta que foi um cheiro forte de queimado que invadiu o salão operacional. O cheiro apareceu depois de um teste do serviço de manutenção do ar condicionado que havia acabado de ser realizado.
Por precaução e orientação, os funcionários precisaram evacuar o prédio e o serviço no centro de controle foi suspenso até ser descartado qualquer perigo.
Kerley Oliveira, professor da PUC Minas e especialista em segurança de voo detalha a função do APP: “Esse centro é o responsável por organizar a sequência das aeronaves que estão taxiando, que estão pousando, que estão decolando e das que estão aproximando [do Aeroporto] pro pouso também. Ele é que garante essa separação segura entre as aeronaves”.
Sem os controladores, nenhum avião se movimenta. “[Num aeroporto] você tem um número finito de estacionamento de aeronaves. Então se ninguém pode sair, como que outra aeronave vai pousar? Isso vai gerando uma bola de neve e mesmo que o sistema volte ao normal, vai demorar um bom tempo até regularizar tudo”, explica Oliveira.
A situação já foi normalizada. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mais de 110 voos tiveram atrasos ou foram cancelados nos três principais aeroportos paulistas até o início da tarde de sexta-feira (10/4). Passageiros precisaram tiveram longas horas de espera no saguão e precisaram remarcar voos. Outros ficaram dentro da aeronave enquanto o problema era resolvido.
O presidente da Anac, Tiago Faierstein, trata o incidente como algo isolado: “O DECEA [Departamento de Controle do Espaço Aéreo] tem uma das melhores infraestruturas do controle aéreo de software, de hardware, do mundo. O que aconteceu hoje com certeza deve ter sido um fato isolado, não a demonstração de uma ineficiência ou degradação do sistema”.
As autoridades ainda não identificaram o que de fato aconteceu. A Aena, concessionária responsável por Congonhas, apenas afirmou que a fumaça teve como origem o que fica sob responsabilidade da Força Aérea Brasileira. Em nota, a FAB apenas informou que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo será responsável pela apuração.
A Anac afirmou que continua acompanhando os desdobramentos operacionais e os eventuais reflexos residuais na malha aérea nacional após a ocorrência registrada em São Paulo.
O que se sabe da ocorrência em Congonhas:
- Na manhã de quinta-feira, entre 9h30 e 10h06, houve uma interrupção temporária das operações aéreas em São Paulo.
- Segundo a FAB, o problema aconteceu após “um problema técnico operacional”.
- A sala do Controle de Aproximação, em Congonhas, precisou ser esvaziada após os controladores sentirem um cheiro de queimado.
- As atividades já foram restabelecidas na quinta-feira.
- Para reacomodar os vôos, Congonhas ficou aberto até meia-noite de sexta-feira — normalmente o aeroporto funciona todos os dias entre 6h e 22h.
- O problema afetou a malha aérea brasileira. Só em São Paulo, mais de 110 voos tiveram atrasos ou foram cancelados, de acordo com a Anac.
- Congonhas é o segundo aeroporto mais movimentado do Brasil, atrás apenas do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na região metropolitana.












