Citada na Carbono Oculto, Genial administra fundos do Governo de SP
Administradora dos fundos com participação da Desenvolve SP, Genial também administra fundo com R$ 176 milhões bloqueados a pedido da PGE-SP
atualizado
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A agência de fomento paulista Desenvolve SP, ligada ao Governo de São Paulo, tem participação em dois fundos administrados pela Genial Investimentos, citada na Operação Carbono Oculto e alvo de bloqueio de R$ 176 milhões em ação proposta pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O governo usa seus recursos em fundos como parte de uma estratégia para atrair investimentos ao setor produtivo. Atualmente, são seis Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e 12 Fundos de Investimento em Participações (FIPs).
Os fundos com presença do governo são o Bandeirantes FIDC do Agronegócio, com R$ 49,8 milhões em participações, e o Lacan IV Feeder Private, com R$ 45,3 milhões em participações. A Genial participa como administradora, uma função operacional, e os fundos têm duas gestoras independentes, responsáveis pela alocação dos investimentos.
Administradora
O Banco Genial também foi alvo de bloqueio, que mira R$ 176 milhões em fundos. O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que representa o governo, no âmbito da Operação Carbono Oculto, que investiga o uso de estruturas da Faria Lima para esconder dinheiro do crime organizado, incluindo a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
O objetivo do pedido foi impedir o esvaziamento patrimonial dos alvos e alcança bens das distribuidoras de combustíveis Aster e Copape, dos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Ambos estão foragidos e fizeram proposta de delação premiada, que já foi rejeitada pelo Ministério Público paulista.
A medida faz parte de ação cautelar que busca recuperar R$ 7,6 bilhões dos empresários. O valor é referente a impostos, como ICMS, além de multas e juros, devidos pelo grupo ao estado de São Paulo.
A Genial Investimentos é citada sete vezes no documento que deu suporte à primeira fase da Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. O banco afirma não ser investigado na operação.
“Sua participação no caso decorre da atuação como administradora fiduciária de fundo de investimento específico, tendo prestado os esclarecimentos solicitados às autoridades competentes, com as quais vem colaborando desde que tomou conhecimento dos fatos”, afirma a instituição.
O que diz o governo
A Desenvolve SP afirma não possuir fundos na Genial como gestora. “Nos casos citados, a instituição atua exclusivamente como administradora fiduciária, função regulatória e operacional responsável pelo cumprimento das normas e do enquadramento legal, sem participação nas decisões de investimento. Os ativos são administrados por gestores independentes, conforme previsto na estrutura do mercado de capitais”, diz a nota da agência do governo.
De acordo com a Desenvolve SP, os investimentos são monitorados e “não há impacto identificado sobre os fundos mencionados”. “Caso seja identificada qualquer desconformidade regulatória, a instituição irá solicitar a substituição do administrador fiduciário”, acrescentou a nota.
Além disso, a agência afirmou que a seleção de fundos e gestores segue critérios técnicos. Sobre a ação da PGE, o governo informou que ela está em segredo de Justiça.
