Cíntia Chagas é absolvida das acusações de difamação contra Lucas Bove

A Justiça entendeu que os dois são figuras públicas e que a influenciadora não infringiu o direito de liberdade de expressão contra Bove

atualizado

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Montagem com fotos de Lucas Bove (à direita) e Cintia Chagas (à esquerda)
1 de 1 Montagem com fotos de Lucas Bove (à direita) e Cintia Chagas (à esquerda) - Foto: Reprodução/Internet

A Justiça absolveu a influenciadora digital Cíntia Chagas das acusações de difamação e injúria protocoladas pelo deputado estadual de São Paulo e seu ex-marido Lucas Bove (PL). A decisão dessa quinta-feira (14/5) foi proferida em meio a dois processos envolvendo os dois, em que o parlamentar é réu por violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas contra a influenciadora.

A Justiça de São Paulo aceitou a queixa-crime protocolada por Bove em fevereiro deste ano. No documento, o parlamentar alegou que Cíntia descumpriu o segredo de Justiça e promoveu campanha de “linchamento moral” na internet contra ele, o que o teria prejudicado. Na ocasião, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) se demonstrou favorável ao prosseguimento da queixa.

Na sentença dessa quinta-feira, a juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves destacou que os dois são figuras públicas, que “voluntariamente, expuseram seu relacionamento e casamento na mídia” e que, por isso, o divórcio e os fatos decorrentes também acabaram expostos, “não podendo ser tratados como fatos comuns sem repercussão”.

Além disso, a magistrada afirmou que Cíntia Chagas, ao publicar falas como “Não vamos apanhar caladas”, tocou em temas de interesse público e esteve dentro da liberdade de expressão.

Quanto à análise de postagens indicadas por Bove como provas da suposta conduta criminosa da influenciadora, a juíza alegou que muitas das publicações eram apenas repostagens de matérias jornalísticas de grandes veículos, relatos pessoais de Cíntia como forma de esclarecimento ao próprio público e incentivo para outras mulheres denunciarem, além de críticas políticas e institucionais.

Além da absolvição, a magistrada negou um pedido de indenização feito pelo deputado e rejeitou o pedido de Cíntia para reconhecer má-fé por parte de Bove.

Ao Metrópoles, a defesa do parlamentar afirmou que recorreu da decisão judicial, alegando que “crimes não podem ser justificados em liberdade de expressão”. “Ninguém e a lei não permite e não dá permissão que afronte a honra alheia”, afirmou Daniel Bialski, que lidera a defesa de Lucas Bove.

Em nota, a defesa de Cíntia Chagas afirmou que recebeu com “serenidade e profundo senso de justiça” a absolvição da influenciadora.

“Seguimos confiando na Justiça e na importância de nunca permitir que mulheres sejam silenciadas pelo medo. Não podemos permitir que vítimas virem ré. A liberdade de expressão vale para as mulheres também”, disse Gabriela Mansur, que lidera a defesa da influenciadora.

Réu por descumprimento de medidas protetivas

Em abril deste ano, Lucas Bove se tornou réu por descumprimento de medidas protetivas contra Cíntia Chagas. Ele já era réu por violência doméstica contra a influenciadora digital, com quem foi casado por cerca de três meses em 2024.

Na decisão, o juiz de direito Felipe Pombo Rodriguez imputou ao parlamentar ao menos 10 episódios de descumprimento das medidas protetivas. Com isso, Bove se torna réu em mais um processo. Caso seja condenado nessa ação, poderá cumprir pena de três meses a dois anos de detenção.

Em nota enviada ao Metrópoles à época, o parlamentar do PL, por meio de seus advogados, negou o que definiu como “infundadas acusações formuladas por Cintia Maria Chagas. Reforça que nunca praticou qualquer ilicitude, nunca a ameaçou ou a agrediu, esclarecendo que recebeu com enorme surpresa o recebimento da denúncia, diante da precariedade do coligido na investigação e que a desmente”.

O deputado, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi denunciado pelo MPSP por perseguição, violência psicológica, violência física e ameaça.

Em agosto de 2025, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) decidiu arquivar a denúncia contra Lucas Bove, acusado de quebra de decoro parlamentar após as denúncias de Cintia. Foram seis votos favoráveis ao arquivamento ante um contra, o de Ediane Maria (PSol). Ela era a única deputada mulher e parlamentar de oposição presente à reunião.

O julgamento sobre o descumprimento das medidas protetivas foi marcado para 6 de outubro deste ano pela Justiça de São Paulo, dois dias após o primeiro turno das eleições.

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