Entenda pedidos de cassação contra Bove no Conselho de Ética da Alesp
Além de casos que envolvem violência de gênero, o parlamentar do PL foi alvo de uma representação por quebra de decoro aberta em 2024
atualizado
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Atualmente, o deputado estadual Lucas Bove (PL) é réu na Justiça por violência doméstica contra a ex-esposa, Cíntia Chagas, e também enfrenta duas representações no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em relação ao caso. Antes desse tema vir à tona, o parlamentar já havia sido alvo de outro pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar, aberto em 2024, apesar de nunca ter avançado.
Além disso, o Conselho de Ética arquivou, nessa quarta-feira (13/5), uma solicitação para suspender o mandato do deputado, por ter gritado com parlamentares mulheres e protagonizado um bate-boca com a deputada Mônica Seixas (PSol) durante uma sessão.
Violência de gênero
Nas representações contra Bove, os autores pedem a aplicação de sanções previstas no Código de Ética, inclusive a perda do mandato. Um dos requerimentos por quebra de decoro parlamentar foi apresentado pela deputada Paula da Bancada Feminista (PSol), em outubro de 2025, motivada por desdobramentos criminais envolvendo a ex-esposa do deputado.
A parlamentar mencionou, por exemplo, o relatório da Polícia Civil que reuniu provas de ameaças, chantagens e tentativas de controle da carreira profissional da vítima. Também apontou que Bove foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por descumprir deliberadamente medidas protetivas.
Outra representação, assinada por 16 deputados (do PT, PCdoB e PV), também em outubro do ano passado, focou na reiteração e gravidade das condutas de violência doméstica supostamente cometidas por Bove. A denúncia argumentou que o deputado é reincidente e estaria submetendo a ex a uma constante perseguição e desqualificação após a denúncia inicial.
Lucas Bove “nega veemente” todas acusações de Cíntia Chagas. Por meio de equipe jurídica, ele alega que “nunca praticou qualquer ilicitude, nunca a ameaçou ou a agrediu, esclarecendo que recebeu com enorme surpresa o recebimento da denúncia, diante da precariedade do coligido na investigação e que a desmente”.
Intimidação de professores
A representação mais antiga foi protocolada pela deputada estadual Professora Bebel (PT), em 29 de fevereiro de 2024. No dia anterior, Lucas Bove teria intimidado um grupo manifestantes, composto em maioria por professores, que tentavam impedir que ele atacasse verbalmente um homem detido anteriormente na Alesp.
Durante o episódio, com suposto abuso de autoridade, Bove usou termos como “vocês são massa de manobra”, “vocês estão passando pano” e chamou um dos apoiadores de “otário”. Segundo o texto, o parlamentar chegou a perseguir um homem pelos corredores da Casa legislativa e o chamou de “punheteiro da Alesp”.
Além disso, o deputado teria usado as redes sociais para propagar informações falsas e vincular indevidamente a Professora Bebel ao indivíduo perseguido, afirmando que ela estaria abrigando no próprio gabinete o suspeito de “se masturbar dentro da Alesp”. No vídeo, Bove afirma: “Ele é amigo da Bebel.”
Procurada pela reportagem, a própria Bebel disse que, à época, Bove se retratou pelo caso. No entanto, a representação por “gravíssima quebra de decoro parlamentar” ainda consta como distribuída no Conselho de Ética.
Procurado, o presidente do colegiado da Alesp, deputado Delegado Olim (PP), não se pronunciou sobre o assunto. O espaço segue aberto para manifestações.

Pedido de suspensão
O relator do pedido de suspensão, deputado Emídio de Souza (PT), havia recomendado que Bove fosse suspenso da função parlamentar por 30 dias por cometer violência de gênero. No entanto, em discussão sobre o tema, nessa quarta (13/5), parlamentares da base do governo disseram que a punição sugerida era “desproporcional” e, por 5 votos a 2, a representação foi derrubada.
Votaram contra a punição Bruno Zambelli (PL), Oseias de Madureira (PL), Rafael Saraiva (União), Delegado Olim (PP) e Eduardo Nóbrega (MDB). Os deputados Enio Tatto (PT), Paula da Bancada Feminista (PSol) e Ediane Maria (PSol) se posicionaram a favor da suspensão.
Na sessão, Saraiva disse que a análise sobre o episódio tinha sido contaminada pelos outros processos que têm a ver com Cíntia Chagas. Durante a reunião, a deputada Paula da Bancada Feminista (PSol) propôs que os colegas pudessem sugerir punições alternativas àquela apresentada no relatório, de modo que o colegiado votasse entre a sugestão do relator e outra eventualmente proposta por outro membro.
O presidente do colegiado, Delegado Olim (PP), no entanto, orientou os parlamentares a votar apenas considerando a sugestão do relator para que, na sequência, outros relatórios sobre o caso fossem apresentados. “O ‘não’ não é arquivamento. A gente pode pôr outro relator”, disse Olim.
Apesar disso, logo depois da votação sobre a suspensão, Olim afirmou que a Procuradoria havia informado que a decisão significava o arquivamento do tema. Após protestos dos parlamentares da oposição, o presidente anunciou que Nóbrega apresentaria seu voto na sessão seguinte e que o caso não seria arquivado.
Ao Metrópoles, Olim confirmou que um novo relatório será apresentado por Nóbrega e que está “aguardando parecer da procuradoria da Alesp”.
A deputada Mônica Seixas (PSol) afirmou que “ninguém entendeu o que aconteceu” e que o desfecho do caso não está claro. “Se a Procuradoria da Casa continuar insistindo pelo arquivamento, eu vou pedir a nulidade da sessão”, decretou a deputada.
Em nota, o deputado Lucas Bove (PL) comemorou o arquivamento do pedido de suspensão. “A Justiça prevaleceu sobre a perseguição política”, celebrou o parlamentar.
O bate-boca
- O deputado estadual Lucas Bove (PL) interrompeu a fala da deputada Mônica Seixas (PSol) e entrou em um bate-boca com a colega durante a sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), no dia 2 de setembro.
- Na discussão, Bove gritou com parlamentares mulheres. “Me chama de agressor, me chama do corrupto, porra!”, disse o deputado.
- A briga começou enquanto Mônica Seixas discursava na tribuna. A deputada usou o microfone para perguntar se a colega Professora Bebel (PT) estava incomodada com Bove, que conversava com ela na plateia.
- O deputado começou a berrar, dando início ao bate-boca. De um lado, Bove, gritava frases como “não se mete nas conversas dos outros, folgada”, enquanto Seixas respondia, também gritando, “ninguém tem medo de você. Está muito acostumado a ser violento com mulher”.
- Além de Mônica Seixas, outra parlamentar do PSol, Paula da Bancada Feminista, começou a gritar: “Vai bater em mulher, Lucas?” e “bate com alguém filmando”. Depois da briga, Bove foi ao microfone se desculpar por ter perdido a paciência.
