Cemitério clandestino: produtor foi assassinado por engano, diz mãe
Polícia investiga se Werlen Vieira foi enterrado em um cemitério clandestino em SP. Outros dois funcionários de produtora foram mortos
atualizado
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A mãe de Werlen Moitinho Vieira, gerente de uma produtora de funk e rap desaparecido em São Paulo, afirmou que o filho foi executado de forma equivocada pelo “comando” do crime organizado. Werlen foi visto pela última vez no dia 21 de maio. Poucos dias depois, roupas dele foram encontradas junto com quatro corpos em um cemitério clandestino na comunidade de Heliópolis, zona sul da capital paulista. A perícia trabalha para identificar se o gerente está entre as vítimas.
A fala foi publicada nas redes sociais pela produtora Damassaclan, onde Werlen trabalhava. Dois corpos encontrados em Heliópolis já foram identificados e pertenciam a funcionários da produtora. Segundo a Damassaclan, as mortes foram motivadas por retaliações envolvendo integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
“A gente conseguiu uma prova que meu filho foi executado sem culpa de nada”, afirmou a mãe de Werlen. No vídeo, ela sugere que o tribunal do crime estava atrás de um homem que teria torturado e matado uma pessoa com um cabo de vassoura no ânus. O homem, no entanto, teria culpado Werlen pelo assassinato.
“Ele mesmo mandou pro comando dizendo que foi o meu filho. E meu filho foi executado inocentemente. Então, a única coisa que agora eu quero como mãe, não é vingança, é que se o comando errou, que devolva o corpo do meu filho pra que eu possa fazer o enterro digno dele, porque eu já não aguento mais tanto sofrimento. Ficar pensando o que está acontecendo com o meu filho, como ele está, onde ele está. E eu peço a ajuda de vocês para achar o corpo do meu filho, para que a gente possa descansar, possa seguir a nossa vida em paz.”
A principal suspeita das autoridades é de que um dos corpos no cemitério clandestino seja de Werlen. Familiares não identificaram ele entre as vítimas, mas relataram que roupas encontradas no local pertencem ao gerente.
O que se sabe sobre cemitério clandestino onde funkeiro foi enterrado
A Polícia Civil investiga a morte de dois funcionários de uma produtora de rap e funk na zona sul de São Paulo. Os homens foram localizados em um cemitério clandestino na comunidade de Heliópolis na última segunda-feira (25/5) junto com outros dois corpos.
Até o momento, duas vítimas foram identificadas. A morte do cantor Jonas Barros de Oliveira, de 25 anos, foi confirmada pelas autoridades na terça-feira (28/5). Ele também era conhecido como Gigante e MC GG. Segundo a apuração do Metrópoles, Jonas trabalhava como cantor de funk há aproximadamente três anos e, recentemente, havia gravado dois videoclipes na produtora Damassaclan, apesar de não ser contratado pela empresa.
Dois dias depois, na quinta-feira (28/5), a polícia identificou Francisco Rubens Souza Cruz, de 46 anos, entre os mortos. De acordo com o boletim de ocorrência, ele trabalhava como motorista dos artistas da Damassaclan.
As outras duas identidades ainda não foram confirmadas. A principal suspeita é de que um dos corpos seja de Werlen Moitinho Vieira, gerente da produtora. O outro corpo estava enterrado há mais tempo no local e pode não ter relação com o caso.
Os mandantes e as motivações dos crimes também não foram esclarecidos até o momento. Ao Metrópoles, testemunhas disseram que Jonas já havia recebido ameaças de morte por recusar uma proposta de outra produtora, que estaria envolvida com o PCC. A negativa supostamente motivou uma execução pelo “tribunal do crime”.
Menção ao MC Kevin
- Em um post nas redes sociais, a produtora de funk Damassaclan reacendeu uma teoria da conspiração envolvendo a morte de MC Kevin, ocorrida em 2021.
- Na publicação, que foi apagada dois dias depois da identificação do cemitério e repostada em seguida, a produtora relacionava o desaparecimento do funcionário Werlen Moitinho Vieira à morte do MC.
- “Nosso funcionário Werlen foi assassinado neste final de semana cruelmente enforcado e com um tiro na cabeça! Descobrimos quem matou Kevin, agora começaram a matar a gente!”, dizia a postagem.
- MC Kevin morreu em maio de 2021, aos 23 anos, após cair da varanda de um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Testemunhas relataram que o cantor de funk estava acompanhado da namorada, Deolane Bezerra, presa no dia 21 de maio por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.
- A investigação da Polícia Civil concluiu que a morte de MC Kevin foi acidental e não envolveu a participação de terceiros.
Jonas, Francisco e Werlen passaram cerca de três dias desaparecidos antes de o cemitério clandestino ser descoberto. Testemunhas relataram à polícia que Werlen foi visto pela última vez o dia 21 de maio. No dia seguinte, Francisco foi chamado para “trocar uma ideia” com um homem dentro de um carro preto e desapareceu em seguida. Jonas sumiu no dia 22.
O caso foi registrado como homicídio no 95º Distrito Policial (Heliópolis), que acionou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). As investigações prosseguem para identificar os outros corpos e esclarecer as circunstâncias das mortes.

















