Avó de menino acorrentado chamou Samu porque ele estava “molinho”

Pai de menino encontrado morto falou que o mantinha acorrentado para ele não fugir. Madrasta e avó paterna sabiam do crime

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Imagem colorida de avó e madrasta presas por encobrir violência praticada pelo pai do menino acorrentado - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de avó e madrasta presas por encobrir violência praticada pelo pai do menino acorrentado - Metrópoles - Foto: Divulgação/Polícia Civil

Aparecida Gonçalves, a avó materna do menino Kratos Douglas, de 11 anos, que foi encontrado morto na noite dessa segunda-feira (11/5) na casa em que vivia com a família, foi quem ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a pedido da pai da criança, Chris Douglas, para reportar que o menino “estava molinho”, segundo a Polícia Civil. O garoto foi encontrado morto, com sinais severos de desnutrição e tortura, na Cidade Kemel, zona leste de São Paulo.

De acordo com o delegado Thiago Augusto Silva Bassi, responsável pelas investigações, inicialmente, o Samu deu as primeiras orientações para a família pôr a criança no chão e realizar massagem cardíaca. Ao chegarem no local, contudo, os socorristas já encontraram o garoto morto e acionaram a Polícia Militar (PM) por suspeita de maus-tratos. A ligação ao Samu é alvo de investigação. 

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Corrente usada para acorrentar criança foi apreendida pela polícia.
Chris Douglas, de 52 anos, foi preso por suspeita de maus-tratos ao filho, de 11. Ele admitiu acorrentar criança em casa, no Itaim Paulista, zona leste da capital paulista.
Chris Douglas foi preso por suspeita de tortura contra o filho, de 11 anos, no Cidade Kemel, zona leste da capital paulista.
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Chris Douglas foi preso por suspeita de tortura contra o filho, de 11 anos, no Cidade Kemel, zona leste da capital paulista.

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Corrente usada para acorrentar criança foi apreendida pela polícia.
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Corrente usada para acorrentar criança foi apreendida pela polícia.

Polícia Militar/Divulgação.
Chris Douglas, de 52 anos, foi preso por suspeita de maus-tratos ao filho, de 11. Ele admitiu acorrentar criança em casa, no Itaim Paulista, zona leste da capital paulista.
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Chris Douglas, de 52 anos, foi preso por suspeita de maus-tratos ao filho, de 11. Ele admitiu acorrentar criança em casa, no Itaim Paulista, zona leste da capital paulista.

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Os policiais militares compareceram ao endereço e encontraram o menino caído no chão, próximo da cama de um dos quartos do imóvel, com hematomas nos braços, nas mãos e nas pernas. A investigação apontou que a criança não estava matriculada na escola e apresentava sinais severos de desnutrição.

O pai de Kratos confessou, em depoimento aos PMs, que tinha o hábito de acorrentar o filho para impedi-lo de ir à rua. Ele, porém, negou praticar outro tipo de violência ou tortura contra o garoto morto.

A madrasta e a avó paterna da vítima também afirmaram ter ciência de que o menino era acorrentado e que nada faziam a respeito. A polícia investiga também se a irmã mais velha de Kratos, uma menina com autismo de 12 anos, era vítima de maus-tratos. De acordo com a investigação, ela não tinha marcas visíveis, mas, conforme revelado pelo Metrópoles, a mãe dela e de Kratos afirmou que a garota apresentava sinais de desnutrição.

Aparecida Gonçalves, de 81 anos, e Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, atual esposa de Chris, foram alvo de mandado de prisão preventiva. Elas foram presas, nessa quarta-feira, em Santo André, na casa de parentes. Elas foram transferidas, nesta quinta-feira (14/5), ao 50° Distrito Policial (DP), onde vão permanecer presas até terem vaga em um Centro de Detenção Provisória (CDP) na região.

Kratos foi velado e enterrado em Bauru, no interior do estado. Durante o velório, a mãe da criança disse ter notado marcas de corrente no rosto do filho. “Tinha uma marca de corrente no rosto e cabeça. Havia pontos e não eram da autopsia. Dava para ver que eram de uma corrente”, afirmou ao Metrópoles.

Mãe do menino diz ter sido encarcerada e dopada pelo ex

Karina de Oliveira Gomes, mãe do menino Kratos Douglas, contou ao Metrópoles que foi mantida em cárcere e dopada pelo ex-companheiro, pai da criança, na época em que eram casados. A mulher relatou ter sofrido uma série de ameaças durante o relacionamento com Chris, o que acabou a deixando “doente mentalmente”.

“Eu tive síndrome do pânico, tentei suicídio por duas vezes”, relatou Karina.

Ela buscou tratamento em um psiquiatra, que receitou diversos remédios tarja preta. A medicação era ministrada por Chris Douglas. A mulher suspeita de que o ex-companheiro tenha usado outros remédios ou proporções inadequadas para dopá-la.

“Ele [Chris] me dava um monte de remédios, só que eu não sei se esses remédios eram aqueles que o médico tinha passado ou se era algum outro tipo de medicamento mais forte que me derrubava. Então eu ficava na cama e eu não conseguia acordar. Eu acordava só para tomar um banho e comer um pouquinho”, disse.

A mulher ainda contou que, depois de um tempo, a mãe de Chris, Aparecida Gonçalves, de 81 anos, aproveitou a situação de vulnerabilidade dela para assumir a guarda das duas crianças do casal: Kratos Douglas e uma adolescente de 12 anos, que tem autismo.

Ainda de acordo com Karina, quando as autoridades procuravam Aparecida para perguntar sobre a mãe das crianças, a idosa falava que Karina tinha fugido com outro homem ou até mesmo que a mulher estava presa.

Karina disse que tentou retomar a guarda das crianças, mas afirmou que não conseguiu, visto que Aparecida apresentou um documento de guarda.

Há um um boletim de ocorrência de violência doméstica e ameaça registrado por Karina contra Chris Douglas, na Delegacia da Defesa da Mulher de Bauru, em 2021. À época, a Justiça concedeu medida protetiva para mulher, mas o inquérito foi arquivado, em junho de 2022, por determinação judicial.

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