Amiga de palmeirense morta diz que faltou policiamento durante jogo
Em entrevista à TV Globo, Rafaela disse que tropa de choque chegou após confusão entre torcidas que terminou com a morte de Gabriela Anelli
atualizado
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São Paulo – Amiga da palmeirense Gabriela Anelli, Rafaela Silva Araújo afirma que faltou policiamento para proteger os torcedores que foram assistir ao jogo entre Palmeiras e Flamengo no Allianz Parque, no último sábado (8/7).
Em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo, Rafaela disse que viu a tropa de choque chegar depois que a confusão já tinha acontecido e que o número de policiais que estava ao redor do estádio era insuficiente. “Infelizmente, a minha amiga acabou perdendo a vida por isso”, afirmou a jovem.
Rafaela disse que já acompanhou jogos do time em outras cidades e que o preparo da polícia paulista deixa a desejar.
“A gente já foi para o Rio de Janeiro, para BH [Belo Horizonte], para Curitiba juntos e teve total segurança para a torcida que é da casa. Da mesma maneira que teve para a torcida que é visitante”, afirmou.
A jovem esteve com a amiga minutos antes de a confusão entre torcedores do Palmeiras e do Flamengo começar. As duas teriam se separado quando Rafaela precisou descarregar materiais da Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP), da qual faz parte.
Gabriela teria ficado então ao lado de Yuri, que aparece nas imagens socorrendo a vítima depois da briga (veja vídeo abaixo). Ela foi atingida no pescoço por estilhaços de uma garrafa de vidro que teria sido arremessada por um torcedor do Flamengo.
O suspeito do crime, Leonardo Felipe Xavier Santiago, de 26 anos, foi preso em flagrante. Segundo a polícia, ele é ex-integrante da torcida organizada do Flamengo Flamanguaça e não tinha passagem pela polícia. Ele vai responder por homicídio doloso. Leonardo nega o crime.
Rafaela disse que a amiga tem sido atacada nas redes por estar no meio da confusão. “A minha amiga não é uma criminosa, ela é só uma torcedora. Ela nunca vai fazer mal pra alguém, nunca. Ela simplesmente foi torcer”, afirmou.
A jovem disse ainda que pessoas estão fazendo perfis falsos com a imagem de Gabriela nas redes sociais e aplicando golpes. Ela pediu que a amiga seja respeitada e que os perfis sejam denunciados.
A torcedora também afirmou que é preciso investigar por que garrafas de vidro estavam sendo vendidas no local. “Não se pode vender garrafas ao redor do estádio e ninguém tá se perguntando isso.”
Outro lado
Em nota, a Polícia Militar afirmou que faz reuniões para todos os eventos realizados no Allianz Parque com a participação dos órgãos públicos e de representantes do estádio, torcidas e moradores do bairro. O texto diz ainda que a polícia não libera a entrada de vendedores ambulantes ou de torcedores com garrafas “no perímetro delimitado como área de segurança no entorno da Arena”.
A nota lembra que a legislação estadual proíbe a venda de bebidas alcóolicas dentro de um raio de 200 metros ao redor de estádios e ginásios, e ressalta que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) liberou os comerciantes a venderem as bebidas em copos plásticos. “No entanto, nas imediações dos estádios, existe a presença de vendedores ambulantes. A fiscalização desse tipo de comércio é de competência da Prefeitura Municipal.”
A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, diz que houve uma reunião na manhã desta terça-feira entre clubes, torcidas organizadas, Polícia Militar, CET, GCM, Secretaria de Subprefeituras (SMSUB) e Secretaria de Limpeza Urbana (SELIMP) com o objetivo de “definir novas estratégias e ações para reforçar as medidas de segurança no entorno dos estádios”.
“Também ficou estabelecido reforço das equipes de fiscalização e limpeza, com apoio da GCM, nos próximos eventos, conforme determinação do prefeito Ricardo Nunes”, diz a nota.













