Alvo de CPI é multada por camarote sem autorização na Faria Lima
Housi é multada em R$ 12,8 mil pela Prefeitura. Empresa e seu CEO são alvos da CPI que investiga fraudes na venda de moradias sociais em SP
atualizado
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A imobiliária Housi foi multada em R$ 12,8 mil pela Prefeitura de São Paulo por fazer um “camarote” em frente a um prédio na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste da capital paulista, durante a passagem de um bloco de Carnaval no local, no último domingo (8/2). A empresa e seu CEO, Alexandre Frankel, são alvos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga fraudes na venda de moradias populares em São Paulo.
Em nota ao Metrópoles, nesta quinta-feira (12/2), a Subprefeitura de Pinheiros disse que o evento da Housi na Faria Lima foi realizado sem autorização da administração municipal. “As equipes de fiscalização irão monitorar as atividades no local nos demais dias de Carnaval e no Pós-Carnaval”, diz a gestão, que alega que a instalação de equipamentos de som e estruturas na calçada, como aconteceu no evento, é proibida pela gestão.
Um vídeo publicado nas redes sociais pelo próprio CEO da imobiliária mostra como foi o camarote da empresa. O público do evento está em frente à fachada do prédio, que está cercada por grades da Prefeitura de São Paulo usadas para delimitar o local de passagem do bloco. As pessoas estão vestidas com abadás e carregam bebidas nas mãos.
“Galera, a gente reuniu mais de 1.000 pessoas aqui na Faria Lima. Virou um dos camarotes mais desejados de São Paulo. O bloquinho tá chegando, ele chega e para em frente ao camarote, e aí a galera vai ao delírio”, diz Frankel no vídeo. Veja:
A imobiliária vendeu ingressos para o chamado “Carna Housi” oferecendo regalias aos clientes como open bar e open food, além de atrações como ativações de marcas e um line up com DJs. As normas da Prefeitura proíbem, no entanto, a instalação de aparelhos de som, amplificadores, estandes, entre outros, nas calçadas.
No site de vendas do “Carna Housi”, a empresa divulgava que do camarote seria possível ver o Bloco Beleza Rara, da Banda Eva, que passaria pela Faria Lima naquele dia (8/2).
O que diz a Housi
- Em nota ao Metrópoles, a Housi disse que o evento “teve caráter privado, com a participação de parceiros e clientes da comunidade Housi”.
- “A ação foi realizada em área privativa do edifício, devidamente delimitada por estruturas que separavam o espaço interno da via pública, sem qualquer bloqueio de calçada ou restrição ao uso do espaço público. Ressaltamos que a organização e a delimitação do espaço público na região foram definidas pela Prefeitura de São Paulo para o período de Carnaval e integralmente respeitadas pela empresa”, diz a nota.
- A empresa afirma ainda que não foi notificada formalmente por parte do poder público até o momento e diz que “reforça seu compromisso com a cidade, com o cumprimento das normas vigentes e com uma convivência urbana responsável, permanecendo à disposição para prestar os esclarecimentos necessários”.
Esse é o segundo caso de camarotes do tipo noticiados pelo Metrópoles. Nesta quarta-feira (11/2), a reportagem mostrou que o bar e restaurante Sujinho também cercou a calçada para receber clientes em um camarote próprio.
Alexandre Frankel e a CPI na Câmara
CEO da Housi, o empresário Alexandre Frankel é investigado por suspeita de fraudes na venda de moradias populares em São Paulo. Ele é presidente da Vitacon, construtora com forte atuação na comercialização de apartamentos que, por lei, deveriam ser destinados à população com renda familiar de até 10 salários mínimos, mas na prática têm sido vendidos a investidores que usam os imóveis para aluguel do tipo AirBnb.
Como já mostrou o Metrópoles, nos empreendimentos da Vitacon, os serviços da Housi são sugeridos como uma opção aos proprietários investidores. A Housi administra os apartamentos para investidores e oferece aluguéis de curta duração nas moradias, além de decorar as moradias.
Em um vídeo no YouTube, publicado em 2020, a head de investimentos da Vitacon diz, sem citar a Housi, que investir com a construtora é extremamente fácil. “A gente decora, mobilia, encontra o inquilino e faz toda a gestão do seu ‘apê’. Aí é só ficar esperando o dinheiro cair na conta todo mês”, afirma.
No vídeo, a executiva não chega a dizer se a Housi ou a Vitacon atuam ou não administrando apartamentos enquadrados como HIS e HMP para aluguéis de curta duração. O Metrópoles apurou, no entanto, que os serviços da Housi também foram oferecidos para proprietários dessas unidades.
Em 2025, o dono de um apartamento da Vitacon em Moema, na zona sul da cidade, disse à reportagem, sob condição de sigilo, que alugava seu imóvel pela Housi. Os aluguéis de curta duração são proibidos em moradias populares.

