Bar fecha calçada e vende “camarote” para assistir bloco na Consolação

Restaurante e bar Sujinho divulga vídeo com calçada fechada e fala em “camarote” para assistir blocos. Prefeitura diz que vai apurar o caso

atualizado

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Reprodução / Instagram Sujinho
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1 de 1 sujinho-camarote-calcada-3 - Foto: Reprodução / Instagram Sujinho

O restaurante e bar Sujinho tem fechado a calçada em frente a uma de suas unidades na Rua da Consolação, no centro de São Paulo, para vender “camarotes” aos clientes que querem acompanhar blocos de Carnaval “com conforto”.

A medida foi criticada pelo vereador Nabil Bonduki (PT), que acionou a Prefeitura de São Paulo alegando “privatização ilegal do espaço público”. O restaurante nega irregularidades (veja nota completa abaixo) e a gestão Ricardo Nunes (MDB) disse que vai apurar o caso.

Entenda o caso

A unidade Churrascaria do Sujinho tem autorização da Subprefeitura da Sé para ter mesas na calçada desde 2004 – o chamado Termo de Permissão de Uso (TPU). Restaurantes que possuem o TPU podem ocupar o passeio público com mesas e cadeiras, mas precisam deixar parte da calçada livre para a circulação de pedestres.

Nas redes sociais, uma publicação do Sujinho mostra, no entanto, a calçada fechada durante a passagem de blocos de Carnaval. O vídeo, feito pelo próprio restaurante, explica como funciona a reserva para que os clientes possam usufruir do espaço no Carnaval.

O bar cobra o pagamento antecipado de R$ 250 por pessoa. O valor é revertido em consumação. A mesma publicação fala ainda de uma opção de camarote no terraço da unidade “Churrascaria”, e de um camarote com open bar em frente à unidade “Cafeteria”, também na calçada da Rua da Consolação. O preço do open bar não foi divulgado.

O post traz imagens das duas unidades. Em alguns trechos do vídeo é possível ver grades amarelas e pretas fechando o acesso à calçada, que já é parcialmente cercada por grades fixas de proteção instaladas pela Prefeitura. Segundo a publicação, o “camarote” já funcionou em outros carnavais e as cenas utilizadas mostram também imagens de uma edição da Parada LGBT. Assista:

Ambas as unidades ficam na Consolação, onde houve superlotação de foliões no último domingo (8/2) durante a passagem dos blocos Skol e Acadêmicos do Baixo Augusta. Naquele dia, uma filmagem feita por um folião dentro do “camarote” do Sujinho na unidade Churrascaria mostra uma pessoa sendo resgatada por bombeiros civis ao lado da grade fixa que separa o restaurante da rua. Veja:

 

Nas redes, o Sujinho também oferece a opção de camarote para a unidade Churrascaria no dia do bloco Pipoca da Rainha, da cantora Daniela Mercury, no dia 22 de fevereiro.

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Publicação menciona terraço para assistir blocos, mas também cita mesas na calçada
Post oferece camarote em restaurante para  acompanhar Bloco Pipoca da Rainha
Publicação faz propaganda de mesas na calçada
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Publicação faz propaganda de mesas na calçada

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Publicação menciona terraço para assistir blocos, mas também cita mesas na calçada
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Publicação menciona terraço para assistir blocos, mas também cita mesas na calçada

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Post oferece camarote em restaurante para  acompanhar Bloco Pipoca da Rainha
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Post oferece camarote em restaurante para acompanhar Bloco Pipoca da Rainha

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Nesta quarta-feira (10/2), o vereador Nabil Bonduki (PT) enviou um ofício à Prefeitura de São Paulo questionando a venda dos camarotes. O documento pede a “fiscalização imediata do estabelecimento”, a adoção de medidas administrativas cabíveis, e ações preventivas para evitar a prática nos próximos desfiles.

“A ocupação privada e paga de calçadas durante o Carnaval representa não apenas uma infração administrativa, mas também um precedente extremamente grave de privatização ilegal do espaço público, inclusive em uma das principais avenidas da cidade”, diz o documento.

Nabil questiona ainda se há algum tipo de autorização por parte da gestão para a atividade promovida pelo estabelecimento.

O Metrópoles entrou em contato com o Sujinho e com a Prefeitura para falar sobre o caso.

Outro lado

Por mensagem, a gerente geral do restaurante, Ursula Nobre, disse que não existe nenhum camarote open bar nas unidades Cafeteria Sujinho ou FastBurger Sujinho, como mencionou Nabil, e enviou imagens das calçadas destas lojas no último domingo. As gravações mostram o público dos blocos rente à entrada das unidades, sem divisão do espaço. Veja:

A gerente confirmou, no entanto, a reserva para as mesas na calçada da unidade Churrascaria. Ela afirma que o valor de R$ 250 é a consumação mínima para as mesas da calçada “e não um camarote” e diz que as mesas são disponibilizadas no local “como de costume”.

“Nós temos alvarás das calçadas e usamos as grades já lá existentes, que são fixas na calçada, para controle de pessoas na área, deixando o espaço mais seguro tanto para os foliões quanto para os clientes. Se passasse do limite de pessoas na calçada teria um descontrole”, afirmou Ursula, dizendo que quem quiser entrar na casa será bem-vindo.

A gerente disse ainda que as unidades do Sujinho na Consolação foram impactadas com a superlotação dos blocos no último domingo e a “falta de controle e organização do evento”.

“Não havia banheiros químicos suficientes na rua. Próximo à loja estavam disponíveis apenas 4 banheiros e, por falta deles, houve tumultos e invasões dentro dos nossos espaços, com pessoas desesperadas para fazer suas necessidades fisiológicas”, afirmou.

Segundo ela, em vários momentos as unidades precisaram ser fechadas para garantir a proteção dos clientes e dos próprios foliões que estavam do lado de fora.

“Nossa loja inclusive sofreu com danos patrimoniais e materiais por conta da falta de controle e organização do evento. O Sujinho sempre participou do Carnaval, inclusive é citado pelos próprios artistas do bloco com muito carinho, e isso nunca nos aconteceu”, afirmou.

Questionada sobre o fechamento da calçada no Sujinho, a Prefeitura de São Paulo disse apenas que a empresa tem autorização para ter mesas na calçada e que a Subprefeitura da Sé enviará equipes para verificar o cumprimento das condições estabelecidas no TPU.

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