Advogado é indiciado por morte e maus-tratos a filhotes de cachorro

Moradores de dois condomínios denunciam conduta do suspeito, que aparece em imagens carregando cachorrinha de 3 meses antes da morte

atualizado

metropoles.com

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Reprodução/Câmera de Monitoramento
Homem carrega cachorro caramelo no colo - Metrópoles
1 de 1 Homem carrega cachorro caramelo no colo - Metrópoles - Foto: Reprodução/Câmera de Monitoramento

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o advogado Felipe Shinsato Beretta, de 34 anos (imagem em destaque), por maus-tratos seguidos de morte da filhote de cachorro chamada Mel, de 3 meses. Ele também é investigado por supostamente maltratar outra filhote, da raça border collie, que segue atualmente sob os cuidados de uma veterinária, por determinação policial.

O advogado que defende Felipe foi questionado por e-mail, mensagem de texto e procurado, por telefone, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Advogado é indiciado por morte e maus-tratos a filhotes de cachorro - destaque galeria
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Advogado segura pássarinho em postagem, ao lado da qual há foto de cachorro caramelo
Suspeito com vítima, desacordada
Felipe Beretta com cadelinha Mel, um dia antes de ela morrer
Advogado nega crime
Advogado foi indiciado por maus-tratos seguido de morte
Mel deu entrada já morta em clínica veterinária
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Mel deu entrada já morta em clínica veterinária

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Advogado segura pássarinho em postagem, ao lado da qual há foto de cachorro caramelo
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Advogado segura pássarinho em postagem, ao lado da qual há foto de cachorro caramelo

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Suspeito com vítima, desacordada
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Suspeito com vítima, desacordada

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Felipe Beretta com cadelinha Mel, um dia antes de ela morrer
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Felipe Beretta com cadelinha Mel, um dia antes de ela morrer

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Advogado nega crime
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Advogado nega crime

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Advogado foi indiciado por maus-tratos seguido de morte
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Advogado foi indiciado por maus-tratos seguido de morte

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Policial civil da 3ª Delegacia de Polícia de Crimes Contra Animais em ação
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Policial civil da 3ª Delegacia de Polícia de Crimes Contra Animais em ação

Divulgação/Polícia Civil

Gritos e morte

O caso da filhote Mel passou a circular entre protetores e ativistas da causa animal, em compartilhamentos com o nome e fotos de Beretta, para que ele fosse impedido de adotar filhotes em abrigos e ONGs.

Isso porque, como consta na investigação da Polícia Civil, o advogado adotou Mel quando morava em um condomínio no Brás, centro paulistano, em novembro do ano passado.

Entre os dias 12 e 13 de novembro, gritos e choros vindos do apartamento de Felipe chamaram atenção da vizinhança, que registrou um desses momentos em vídeo (assista abaixo). As testemunhas atribuem os ganidos a supostas agressões.

Na noite de 12 de novembro, ele aparece no elevador segurando Mel no colo, aparentemente obstruindo o focinho dela. O advogado ri, faz um sinal da cruz e se agacha.

No dia seguinte, ele foi flagrado descendo com a filhote novamente no colo, mas desfalecida. Ela foi levada a uma clínica veterinária, nas imediações da Marginal Tietê, zona norte paulistana, onde já chegou morta.

Suposta agressão

Laudo pericial, obtido pelo Metrópoles, aponta que a morte da cachorrinha foi causada por um quadro de choque hipovolêmico — caracterizado pela perda intensa de sangue — associado à insuficiência respiratória. Entre as lesões principais, peritos identificaram uma ruptura do fígado em vários pontos e comprometimento significativo dos pulmões, com hemorragia e inchaço de moderado a intenso.

Também foram descritas outras marcas pelo corpo, como escoriações na pele, hematomas na região da cabeça, no tórax e na parte inferior das costas, além de hemorragias em áreas internas, como diafragma, região temporal, seio frontal e atrás dos olhos.

De acordo com a análise técnica, o conjunto de lesões é compatível com a aplicação de força contundente sobre o corpo. Na prática, isso indica que o fígado teria sido pressionado contra outras estruturas internas, sofrendo um impacto capaz de romper seus tecidos e vasos sanguíneos, provocando hemorragia interna de grande volume.

Nesse contexto, a investigação policial considera que as lesões possam ter sido provocadas por situações de compressão do corpo — quando o animal é esmagado ou pressionado contra uma superfície — ou por agressões com força física, como chutes ou pancadas. Essas possibilidades são analisadas à luz dos elementos periciais reunidos no inquérito.

Mudando de endereço

Após a morte de Mel, Beretta mudou para outro apartamento na Mooca, zona leste de São Paulo. Caroline Alves,  moradora do condomínio, descobriu na internet as denúncias contra ele — após uma conversa que tiveram, por mensagem, para negociar uma vaga de garagem.

“Vi aquelas informações, vídeos horríveis, fui lendo os comentários e me aprofundando no caso, inclusive descobri que na época ele tinha um Instagram onde postava barbáries, como amassar aves e enforcar uma cadelinha”.

O perfil, após isso, passou a ser alvo de mensagens de internautas e tirado do ar. A reportagem teve acesso a um frame, no qual o advogado segura um passarinho, enquanto sorri. Ao lado, há outra foto, que seria da cadelinha Mel (veja galeria acima).

Segunda vítima

Para o apartamento da Mooca, Beretta levou Layla — uma filhote da raça border collie. Da mesma forma que no endereço do Brás, vizinhos passaram a ouvir choros vindos de dentro do apartamento do suspeito, além de mau cheiro.

O advogado, por causa da morte de Mel, já era investigado pela 3ª Delegacia de Crimes Contra os Animais, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

No último dia 20, a chefia de investigações já organizava a papelada que enviaria à Justiça, solicitando um mandado de busca e apreensão no imóvel do advogado para resgatar Layla.

Porém, no mesmo dia, uma equipe do deputado estadual Rafael Saraiva (União Brasil) — que tem como bandeira de campanha a defesa da causa animal — foi acionada por moradores do condomínio, para onde se deslocou.

Layla é retirada do advogado

Dois assessores do parlamentar abordaram Beretta, na calçada do condomínio. Após discussão, ambos tomaram Laya do advogado. Em seguida, todos foram para o 8º DP, onde o caso foi registrado como crime de maus-tratos.

A Polícia Civil determinou, na ocasião, que Layla ficasse sob a guarda da veterinária Marina Passadore — que prestou os primeiros atendimentos à cadelinha.

Segundo análise preliminar da veterinária, que também é presidente da ONG Aliança Internacional do Animal, a filhote apresentava aparente lesão na cauda, “podendo tratar-se de fratura ou processo inflamatório”, e suposto quadro de subnutrição “evidenciado pela proeminência do osso coxal”.

Exames radiológicos, além de outros procedimentos, seriam realizados em Layla para a feitura de um laudo. Até a publicação desta reportagem, o documento não havia sido finalizado.

Boas intenções podem atrapalhar

A chefia de investigações da 3º Delegacia de Crimes Contra Animais destacou ao Metrópoles que, mesmo agindo com boas intenções, as ações de resgate feitas fora da esfera jurídica podem prejudicar a responsabilização de suspeitos.

“Existe uma legislação vigente no país que obriga que, durante o resgate de um animal, sejam feitas todas perícias oficiais no ato do resgate, não depois”.

Essas provas, acrescentou, asseguram que as vítimas não voltem para as mãos de seus agressores por determinação judicial, algo que, pontuou, “infelizmente pode acontecer”.

O que diz o advogado

Nos dois casos de maus-tratos, Felipe Shinsato Beretta prestou depoimento à polícia. A reportagem teve acesso às declarações.

Sobre a morte de Mel, ele falou que levou a cadelinha até a clínica Seres, “na tentativa de socorrê-la”. Ele nega que tenha agredido a filhote nos dias que antecederam a morte, atribuindo as denúncias a um suposto desentendimento com a administração do condomínio em razão do acúmulo de entulho, em uma mesa na área de serviço do imóvel.

Sobre o vídeo no elevador, em que aparentemente cobre o focinho de Mel, o advogado argumentou que estava “apenas fazendo carinho na cachorra”, alegando que o vídeo “teria sido interpretado de forma equivocada, causando grande exposição de sua imagem”.

Ele ainda alega que a cachorra não se chamava Mel, acrescentando que ela estaria microchipada e registrada.

Sobre a cadelinha Layla, atualmente sob os cuidados da ONG de proteção animal, Beretta afirma ter sido surpreendido quando desceu do apartamento com ela para pegar uma entrega de alimento.

Após ser chamado de “psicopata” e “vagabundo“, acrescentou que foi-lhe atribuída a responsabilidade por ameaças às mulheres, além da “suposta morte de uma cachorra e agressões atuais contra animal de sua posse”.

Um dos homens, disse ainda, teria retirado a filhote da guia e se recusado a devolvê-la. O advogado acrescentou que teria sido ameaçado de morte e de espancamento durante “toda a ação”.

Casos de ameaça

As ameaças às mulheres, mencionadas por Beretta, foram formalizadas, como apurou o Metrópoles, por meio de um boletim de ocorrência e de um processo, que tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

No caso do B.O., obtido pela reportagem, uma moradora do condomínio da Mooca, onde atualmente reside o advogado, afirmou que Beretta “passou a adotar postura hostil e proferiu ameaças em grupo de WhatsApp” direcionadas à mulher.

Ela menciona ainda o caso ocorrido no prédio do Brás, onde Mel teria sido morta. “Diante do histórico relatado e das ameaças realizadas, registro o presente boletim por temer pela minha segurança e dos demais moradores”.

Injúria e ofensas

No outro caso, ocorrido em novembro de 2024 na cidade de Botucatu, interior paulista, uma gerente denunciou Berreta por ofendê-la, também por meio de mensagens. Ela anexou prints das conversas, nas quais o advogado a manda “tomar no cu”, além de rebaixá-la.

Isso gerou um processo por danos morais, no qual ela pede o pagamento de R$ 5 mil.

O advogado foi intimado, desde então, a participar de audiências de conciliação, não comparecendo em nenhuma delas.

Na mais recente atualização do processo, a defesa da vítima solicita que o advogado seja julgado à revelia.

A defesa de Beretta também foi questionada sobre esses casos e não se manifestou. O espaço segue aberto.

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