Dono de “lojas de horrores” onde cães eram maltratados é condenado
O comerciante Guozhen Zeng mantinha 26 cachorros nos subsolos das “lojas de horrores” sem água e sem comida. Ele foi preso em agosto de 2024
atualizado
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O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o comerciante Guozhen Zeng, de 42 anos, dono das “lojas de horrores”, onde mantinha, no subsolo, 26 cães, dos quais 24 da raça american bully, em situação de tortura. Os estabelecimentos funcionavam oficialmente como loja de bijuterias e de presentes, localizados na região central de São Paulo.
Zeng deverá cumprir cinco anos, três meses e 15 dias de reclusão em regime inicial semiaberto. O homem também fica proibido de ter a guarda de qualquer animal pelo mesmo período e deverá ressarcir a depositária dos cães em R$ 43,6 mil.
A juíza Sirley Claus Prado Tonello, da 27ª Vara Criminal da Barra Funda, destacou que os cachorros resgatados estavam sujos e com cinomose, uma doença viral altamente contagiosa que pode causar a morte. Mais de 10 cães morreram.
A decisão também ressalta que os cachorros eram mantidos sem água limpa ou alimentos à disposição, além de terem sofrido maus-tratos e crueldade, segundo apontou o laudo pericial. Guozhen Zeng comercializava os filhotes.
A magistrada ainda salientou que, apesar de o acusado alegar que o tratamento inadequado decorreria de diferenças culturais entre Brasil e China – seu país de origem – os cachorros foram encontrados em estado gravíssimo de desnutrição e doenças provocadas pela falta de cuidados.
“Não se tratava de meras divergências em relação à qualidade, quantidade de alimentos ou periodicidade de vacinas, tampouco questão relacionada ao afeto no trato com os animais. Tratava-se, em verdade, da prática de crueldade extrema contra os animais”, escreveu.
Cabe recurso da decisão. Por meio de nota, o advogado Marcelo Chilelli de Gouveia, que representa o comerciante, informou que “a defesa considera a pena desproporcional e entrará com recursos de apelação para tentar reverter a condenação”.
Preso por “lojas de horrores”
Guozhen Zeng foi detido por maus-tratos no dia 22 de agosto de 2024, após as polícias Civil e Militar flagrarem as “sucursais do inferno”, nas palavras do delegado João Blasi, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPCC).
Na ocasião, ele passou por audiência de custódia e ficou preso por tempo indeterminado. Nas lojas, localizadas na República, a Polícia Civil constatou que os american bullys eram criados para serem vendidos, ilegalmente, entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.
“Privados de luz, privados de oxigênio, privados de comida e água, privados de espaço, sempre aspirando um ar miasmático [fedorento], na escuridão completa”, descreveu o delegado Blasi após se deparar com o porão e as condições nas quais os animais eram mantidos.
Além da privação do básico — os animais patinavam nas próprias fezes —, a polícia apurou que o comerciante ainda dava socos e pontapés nos cães, “pela volúpia gratuita de castigar”.
Entre os cães, em sua maioria filhotes, uma fêmea prenha chamou a atenção de veterinários, que participaram do resgate da matilha. A cadela estava prestes a parir, porém seria necessária uma intervenção cirúrgica.
Além dos 24 american bullys, a polícia localizou outros dois filhotinhos adquiridos pelo comerciante, que ele acreditou, em um primeiro momento, serem da raça dachshund, o famoso salsicha.
“Ao sabê-los vira-latas, o comerciante teria orientado as suas funcionárias para que não os alimentassem e os deixassem morrer por inanição, mesmo uma delas argumentando que lhes arrumaria adotantes”, afirmou Blasi.




















