Advogado diz que PM que matou trabalhador não tentou “forjar” assalto
PM Hartur Bruno, de 40 anos, foi preso após atirar na cabeça de funcionário terceirizado da CET depois de briga sobre faixa de sinalização

São Paulo – O advogado do policial militar Hartur Bruno de Cicco, de 40 anos, indiciado pela morte de um funcionário da CET que pendurava uma faixa de sinalização em um poste, negou que o cliente tenha tentado “forjar” uma tentativa de assalto após atirar na cabeça da vítima. Alberes Fernandes Lima, de 35 anos, chegou a ser socorrido no Pronto Socorro de Santana, mas não resistiu. Em audiência de custódia realizada nessa sexta-feira (14/7), a Justiça converteu a prisão do PM em preventiva.
De acordo com o boletim de ocorrência, o policial acionou o Centro de Operações da Polícia Militar dizendo que tinha sido vítima de roubo. Em depoimento, ele disse que discutiu com o trabalhador após ser atingido pela faixa de sinalização e se desequilibrar.
Hartur afirma ter sido agredido por Alberes e que o rapaz teria tentado tomar sua arma. Nesse momento, diz o PM, enquanto ele tentava se proteger, ela disparou, de forma acidental.
Segundo o advogado Antonio Edio Alencar, isso caracteriza uma tentativa de roubo. “De jeito nenhum ele tentou forjar alguma coisa. Depois que ele disse ser policial, qual era a intenção do rapaz em vir para cima dele tomar a arma dele? Isso caracteriza um roubo, sem dúvida. Como eu vou me proteger tomando a arma de alguém? Para a lei, está tipificado”, afirma.
Antonio Edio Alencar diz que o policial “lamenta muito” o ocorrido e, em um primeiro momento, não reparou onde a vítima havia sido atingida:
“No intuito de proteger a arma, ele colocou a mão em cima dela. Quando o cara subiu a blusa do policial para tentar pegar a arma, ele tentou proteger a arma e a arma disparou, matando o rapaz. Foi um disparo totalmente acidental. De pronto, ele nem sabia em que região tinha atingido o rapaz.”
Versões diferentes
A versão contraria o relato do prestador de serviço que estava ao lado de Alberes pendurando a faixa. Segundo o trabalhador, de 17 anos, quando a faixa se soltou por causa da força do vento, o policial deu meia-volta de moto e começou a discutir com Alberes. Eles trocaram socos e, sem dizer nada, o PM teria puxado a arma e disparado na cabeça da vítima.
Hartur Bruno de Cicco, policial militar há 15 anos, foi indiciado por homicídio doloso.
A ventania que derrubou a faixa de sinalização foi reflexo da passagem do ciclone extratropical por São Paulo. Santana, na zona norte, foi um dos bairros em que as rajadas de vento atingiram um dos índices mais altos da capital nessa quinta-feira, chegando a 48 km/h, segundo a Prefeitura de São Paulo.
Protesto
Familiares, amigos e colegas de Alberes realizaram um protesto na Rodovia Fernão dias durante a noite. Eles interditaram a via, e a PM precisou usar bombas de efeito moral e balas de borracha para desobstruir o local. A rodovia foi liberada por volta da 1h desta sexta-feira (14/7).

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