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São Paulo

Acusado de estupro, gerente da Melitta em SP é denunciado por assédio moral

Rogério Gualberto, funcionário da Melitta há 21 anos, é investigado por estupro de vulnerável em SC e alvo de denúncias de assédio moral

04/11/2026 02:15
Reprodução/Redes sociais
Acusado de estupro, gerente da Melitta em SP é denunciado por assédio moral - Metrópoles

São Paulo — Um gerente de vendas da Melitta, em São Paulo, investigado por estupro de vulnerável pela Justiça de Santa Catarina, acumula denúncias de assédio moral no trabalho. Rogério Gualberto é funcionário da multinacional há 21 anos. Ele não respondeu ao contato da reportagem. Ao Metrópoles, a empresa disse tratar o caso com seriedade e ter adotado procedimentos internos de apuração.

Gualberto é acusado de estuprar uma ex-funcionária da empresa durante uma confraternização de trabalho, em Florianópolis, Santa Catarina, em dezembro de 2024. Ela estava com a consciência alterada após ingerir medicações. Por isso, o caso é tratado como estupro de vulnerável.

A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou à reportagem que o boletim de ocorrência gerou um inquérito, que já foi finalizado e encaminhado à Justiça do estado. Agora, Gualberto responde criminalmente.

Ele também é acusado por diferentes subordinados de praticar assédio moral e desrespeitar colaboradores. Segundo as denúncias, alguns funcionários da empresa desenvolveram problemas de saúde e ingressaram com ações na Justiça trabalhista.

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Rogério Gualberto, funcionário da Melitta há 21 anos, é acusado de estupro de vulnerável e assédio moral
Histórico de Rogério Gualberto na Melitta, de acordo com o LinkedIn dele
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Rogério Gualberto, funcionário da Melitta há 21 anos, é acusado de estupro de vulnerável e assédio moral

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Histórico de Rogério Gualberto na Melitta, de acordo com o LinkedIn dele
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Histórico de Rogério Gualberto na Melitta, de acordo com o LinkedIn dele

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Estupro de vulnerável

Gualberto teria abusado sexualmente de uma ex-funcionária da Melitta durante uma confraternização em um resort na capital catarinense, Florianópolis. Com hipoglicemia e anemia profunda, a mulher desmaiou após um jantar. Ela estaria semi-inconsciente durante o abuso, que aconteceu em um dos quartos do hotel. A identidade da vítima vai ser preservada devido ao teor do caso.

Ela foi atendida pelo ambulatório do resort. A ficha de atendimento, obtida pela reportagem, confirma que a mulher teve hipoglicemia e que chegou a desmaiar no restaurante. Após ser atendida, a ex-funcionária foi liberada e levada para um quarto por Gualberto, seu chefe à época, e por uma colega de trabalho.

“O Rogério passou a mão pelo meu corpo e me beijou, mesmo eu não estando no estado de me defender”, descreveu a vítima no boletim de ocorrência. Segundo a mulher, o gerente de vendas e a colega passaram a trocar carícias no quarto enquanto ela passava mal.

Em dado momento, Gualberto teria violentado a ex-funcionária. “Hora ele ia com ela, hora ele vinha pra cima de mim, só que eu estava ali sem reação, estava totalmente imóvel”, disse a vítima.

Ela conta que, por não estar totalmente consciente, não pôde reagir e também não se lembrou imediatamente do ocorrido. Quando acordou, se sentiu estranha. “Acordei no dia seguinte super esquisita, mas achando que fosse efeito do meu desmaio, do meu mal-estar, e acabei ficando o dia todo no quarto”, contou.

Na noite seguinte, a empresa realizou outro jantar no resort. “Eu fui porque era protocolo”, disse a mulher . Na ocasião, Gualberto questionou se ela estava melhor.

Ele também a perguntou se a subordinada não se lembrava do que havia acontecido na noite anterior. A mulher afirmou não ter memória de ter passado mal, ter sido socorrida ou levada para o quarto.

“Aí, ele começou a fazer uns comentários esquisitos, que não tinham conexão com nada, falando que eu era grande, que tinha visto o meu corpo. Quando eu perguntei o que ele estava querendo dizer, viu minha reação e parou de falar”, narrou a ex-funcionária da multinacional.

Após a viagem, Gualberto entrou em férias. Em 31 de dezembro daquele ano, ele encaminhou um áudio para a colaboradora — que já havia anunciado sua saída iminente da Melitta.

“[Ele estava] bêbado, chorando, pedindo perdão, falando que sabia o motivo pelo qual eu sairia da empresa. A partir desse áudio, eu comecei a ter flashes daquela noite. No começo, até pensei que fosse coisa da minha cabeça, mas depois começou a ficar muito mais nítido”, disse.

A mulher conta que até mesmo a memória do hálito de Gualberto foi recuperada. Ela também se lembrou dos toques, dos beijos, e da violência como um todo.

Em 14 de janeiro, a então funcionária pediu demissão, expondo o caso a Gualberto e ao chefe dele. Ela também notificou o jurídico da Melitta e o médico que realizou o exame demissional. “Desde então, eu comecei essa luta, de entender que eu ia ter que fazer um boletim de ocorrência, entender que eu precisaria buscar um médico, entender que eu precisaria de ajuda psicológica”, contou. Em seguida, a mulher levou o caso à polícia.

A vítima conta que, antes do estupro, “estava vivendo o melhor momento” da sua vida. Recém-admitida na Melitta, a mulher estava animada com o emprego novo.

“Profissionalmente, [estava] com a expectativa super alta de estar em uma empresa global, gigante, onde uma mulher foi inventora da marca. Então, tudo isso brilhava nos meus olhos, mas por alguns momentos acabou virando um pesadelo na minha vida, que dura até hoje”, desabafou.

No boletim de ocorrência registrado, Gualberto foi incluído como suspeito e a colega de trabalho, como testemunha. O caso corre sob sigilo na Justiça catarinense.

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Denúncias de assédio moral

Ao menos quatro funcionários e ex-funcionários da Melitta, todos subordinados a Gualberto, registraram denúncias por assédio moral. As identidades também foram preservadas, a pedidos, porque os casos ainda são analisados pela Justiça trabalhista.

Os colaboradores afirmam que o gerente de vendas usava a ameaça de demissão como forma frequente de intimidação. Segundo relatos colhidos pela reportagem, ele dizia ter “o aval e o poder” para mandar funcionários embora quando quisesse.

O representante da multinacional também é acusado de alterar arbitrariamente as metas de vendas — para inviabilizar ganhos de bônus –, além de retirar ou redirecionar as verbas irregularmente.

Gualberto ainda é denunciado por pressionar os subordinados a trabalharem mesmo sob afastamento médico e fazer cobranças por telefone durante crises de ansiedade informadas ao RH da empresa.

Outros relatos apontam que o gerente consumiria bebidas alcoólicas durante o horário de trabalho e que chegou a apresentar incapacidade de dirigir devido à embriaguez na volta de um evento da multinacional em outra cidade.

Ainda conforme os relatos de funcionários, Gualberto também fazia comentários jocosos e piadas sobre seus subordinados, criando “figurinhas” de WhatsApp desrespeitosas e desqualificando os colaboradores publicamente em grupos de trabalho. A conduta causou problemas de autoestima e de autoimagem nos colaboradores, que passaram a apresentar graves condições de saúde.

“Me deu uma crise muito grande, onde eu tentei tirar minha vida. Eu tomei mais de 20 comprimidos junto com bebida alcoólica e meu marido me levou pro hospital desacordada, tiveram que fazer lavagem”, relatou uma colaboradora.

Outra funcionária precisou ser afastada por quatro meses, após diagnóstico de burnout e estresse pós-traumático. No retorno, foi desviada do setor no qual trabalhava. “Isso para mim é retaliação”, disse.

Os impactos na saúde mental atingiram também a saúde física da mulher. “Isso veio tudo pro meu físico. Quase perdi o cabelo, fiquei quase careca, e com o meu rosto todo cheio de bolhas, deformada, e emagreci”, contou.

Segundo o depoimento, mesmo após um período considerável de desligamento da empresa, ela ainda precisa manter tratamento com ao menos sete remédios manipulados.

Outro subordinado de Gualberto sofreu um infarto enquanto trabalhava na Melitta, o que ele considera o estopim de uma sucessão de episódios de sofrimento. “Tinha momentos até que eu chorava. Era uma situação muito difícil, que deixava a gente bastante confuso”, afirmou.

Antes de serem levados à Justiça do trabalho, todos os casos foram denunciados ao RH e ao compliance da multinacional. No entanto, a resposta teria sido omissão e negligência, segundo os colaboradores. A justificativa da empresa seria o alto rendimento de Gualberto em vendas.

“Tem uma vista grossa, negligência do compliance, da gestão, porque parece que ele rende, né? Como ele rende em vendas, ele rende em acordos, então, tudo bem. Eles deixam passar. Não vão punir”, avaliou um colaborador.

O que diz a Melitta

Em nota, a Melitta afirmou que reconhece a gravidade das denúncias relatadas e que “reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e o bem-estar de seus colaboradores”. 

A empresa disse tratar o assunto “com máxima seriedade e responsabilidade” e ter adotado procedimentos internos de apuração “em respeito aos direitos de todas as pessoas envolvidas”.

A companhia afirmou que está à disposição das autoridades competentes para contribuir com o esclarecimento dos fatos.

“A Melitta mantém políticas e diretrizes internas voltadas à promoção de um ambiente de trabalho seguro, ético e respeitoso, orientando suas práticas pela prevenção, pelo respeito às pessoas e pelo cumprimento de seus princípios e valores corporativos. Em respeito à privacidade das pessoas envolvidas e à confidencialidade dos procedimentos, a Melitta não comentará detalhes individuais do caso”, finaliza o texto.

O Metrópoles procurou Gualberto diretamente para comentar as denúncias, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.