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Hélio Doyle

Igo Estrela/Especial para o Metrópoles

Ibaneis acerta em anunciar que, se eleito, não tentará a reeleição

 

Assim como fez quando era presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, o governador quase eleito Ibaneis Rocha (MDB) não disputará a reeleição. Mais do que isso, Ibaneis pretende aglutinar apoios para acabar com a reeleição no país, de preferência com mandatos de cinco anos para presidente da República, governadores e prefeitos.

Embora seus argumentos contra a reeleição sejam de ordem política e institucional, Ibaneis faz bem em desde já dizer que não voltará a disputar a eleição para governador em 2022. O ambiente político fica muito mais fácil para o governante, por razões óbvias, quando seus aliados e adversários não o têm como candidato a um novo mandato.

Em Brasília, apenas Joaquim Roriz conseguiu ser reeleito, em 2002, e assim mesmo com grande dificuldade. No segundo turno, teve apenas 15.778 votos a mais que o candidato do PT, Geraldo Magela. Cristovam Buarque (PPS), em 1998, Agnelo Queiroz (PT), em 2014, e agora, provavelmente, Rodrigo Rollemberg (PSB), não conseguiram se reeleger.

É muito melhor para Ibaneis já descartar a possibilidade de tentar se reeleger, antes mesmo de saber se sua gestão será bem ou mal sucedida e como estarão seus índices de aprovação. Se for mal – no que ele, naturalmente, não acredita –, pode voltar à advocacia. Se for bem, pode se candidatar ao Senado. Se for muito bem, pode se posicionar até para vice ou presidente da República, por que não?

A reeleição não é em si negativa, mas em um sistema político que tem uma legislação eleitoral muito ruim e no qual há inúmeras práticas condenáveis, o instituto favorece excessivamente os que estão no mandato. Isso vale para cargos no Executivo ou no Legislativo, e casos de abuso no chamado uso da máquina de governo e dos mandatos parlamentares são bastante conhecidos.

Além disso, quando pretende a reeleição, o governante eleito já começa a próxima campanha no primeiro dia da gestão. Já se disse que os políticos que querem se reeleger tendem a governar muito pouco e fazer campanha demais. Ficam mais preocupados com a eleição seguinte do que em governar bem, pois temem tomar decisões impopulares, mas necessárias. E em vez de fazerem propaganda de utilidade pública e educativa, produzem peças que mais se parecem com as de uma campanha eleitoral.

A eleição só será decidida quando os resultados forem anunciados, mas a vitória de Ibaneis parece consolidada e a questão agora é saber qual será a diferença de votos. Rollemberg, que ainda fala em virada – e há, em sua equipe, quem acredite mesmo nisso –, deve estar pensando se valeu mesmo a pena tentar se reeleger.

 
 


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