Conheça a trajetória de Rodrigo Rollemberg, o candidato que precisa reverter 423 mil votos

Tarimbado por três décadas de vida pública, o socialista se espelha em outros pleitos para tentar virar o jogo e se reeleger ao GDF

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 13/10/2018 14:55

Não se pode negar que Rodrigo Rollemberg é um homem de sorte. Ao longo de 33 anos de vida pública, o atual governador da capital do país se beneficiou de acasos e soube aproveitar as oportunidades surgidas para representar a população do Distrito Federal na Câmara Legislativa, no Congresso Nacional e no Executivo local. Na campanha deste ano, por exemplo, o candidato à reeleição ao GDF conseguiu chegar ao segundo turno, mesmo figurando na terceira posição na maioria das pesquisas de intenções de voto.

Vinte e quatro anos antes, quando ainda flertava com a política, o socialista não obteve votos suficientes para ocupar uma das cadeiras do parlamento local, mas debutou na Casa nos eventuais afastamentos de Wasny de Roure (PT), de quem era suplente.

Em 1998, elegeu-se sem sustos ao conquistar 15.942 sufrágios, o 5º mais votado da cidade. Em 2002, fracassou na tentativa de chegar ao Buriti, mas, no ano de 2006, voltou a andar de mãos dadas com a sorte e se firmou como deputado federal. Com 55.917 votos, ficou na 9ª posição – são oito parlamentares pelo DF –, mas estreou na Câmara Federal graças à coligação.

No pleito seguinte, Rollemberg navegou em águas calmas e, com 738 mil votos, foi alçado ao posto de senador da República. Mas o carioca de 59 anos e radicado em Brasília desde o primeiro ano de vida ambicionava voos mais altos. Contrariando os institutos de pesquisas – que o colocavam como figurante na corrida pelo Palácio do Buriti, em 2014 –, apresentou sua candidatura. À época, a disputa estava polarizada entre o ex-governador José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT), que tentava a reeleição.

Tragado pela Lei da Ficha Limpa e com registro indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Arruda renunciou à corrida ao GDF e colocou em seu lugar Jofran Frejat (PR). O ex-secretário de Saúde herdou parte do espólio arrudista e chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Rollemberg, que se apresentava como opção de quem repugnava a volta de Arruda ao poder e, ao mesmo tempo, reprovava a gestão petista.

Até o dia 28 deste mês, quando os brasilienses voltam às urnas, o socialista precisará muito mais do que sorte para reverter a diferença abissal de votos em relação a Ibaneis Rocha (MDB). No primeiro turno, o emedebista obteve 634.008 votos, contra 210.510 de Rollemberg, uma diferença de 423.498 sufrágios.

primeira sondagem do segundo turno, realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, mostra que 73,6% dos moradores do Distrito Federal pretendem votar no ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil seccional DF (OAB-DF), enquanto apenas 26,4% disseram que darão nova chance ao titular do Buriti.

Família tradicional
Apesar de na carteira de identidade constar o Rio de Janeiro como local de nascimento, Rollemberg mudou-se com os pais para Brasília com apenas 1 ano de idade, onde cursou os ensinos fundamental e médio e se formou em história pela Universidade Brasília (UnB). A ligação com a cidade fez o socialista criar um slogan bastante usado no início de sua gestão. Em seu primeiro discurso como governador, em 1º de janeiro de 2015, se autoproclamou da “geração Brasília”.

Rollemberg integra a chamada família tradicional: cristão e casado com Márcia Rollemberg, com quem tem três filhos, cultiva o hábito de visitar a mãe com frequência, mesmo com a agenda sempre cheia – em razão do cargo que ocupa. Aliás, o apartamento de Dona Teresa Sobral Rollemberg, 84 anos, na 206 Sul, passou a ser uma espécie de QG da equipe do governador. Durante o mandato, o atual gestor do GDF preteriu, em diversas ocasiões, a Residência Oficial de Águas Claras para debater os rumos da cidade no imóvel de 220 metros da matriarca do clã.

Da sala de Dona Teresa, saíram decisões importantes e polêmicas, como a que manteve no cargo o então comandante-geral da Polícia Militar, coronel Florisvaldo Cesar, e que, consequentemente, culminou no pedido de exoneração do primeiro secretário de Segurança Pública de Rollemberg: o professor Arthur Trindade. Na ocasião, o oficial e o docente entraram em atrito após a PMDF reprimir com bombas de gás, spray de pimenta e balas de borracha uma manifestação de professores da rede pública.

Veja fotos de Rollemberg ao longo dos seus 59 anos:

 

Polêmicas
Ao longo dos seus 3 anos e 10 meses de mandato, Rollemberg teve de lidar com dezenas de paralisações de servidores públicos e termina sua gestão brigado com os principais sindicatos. Seu posicionamento divide opiniões: grande parcela do funcionalismo se sentiu desprestigiada diante da postura considerada intransigente do chefe do Executivo local. Por outro lado, o socialista cresceu no conceito de diversos brasilienses que concordam com a medida e defendem uma atitude mais firme dos governantes em relação aos sindicalistas.

Rollemberg concluirá sua legislatura resvalado de denúncias de corrupção que bateram à porta do Palácio do Buriti. Em operações como a Checklist e a Trickster, a polícia desmontou tramas produzidas por pessoas enfronhadas em cargos estratégicos na estrutura da sede do governo. No entanto, a situação mais constrangedora ocorreu quando viu o nome do irmão, o advogado Carlos Augusto Sobral Rollemberg, envolvido em suposto esquema de tráfico de influência que agia no coração do GDF.

Há quase duas semanas, Guto e outros alvos da Operação (12:26) foram indiciados pela Polícia Civil. O caso aguarda análise do Ministério Público. A respeito dos episódios, Rollemberg atribui o fato a uma perseguição da PCDF, cujos sindicatos que representam a categoria o acusam de “sucatear” a corporação e dar fim à histórica paridade salarial com a Polícia Federal.

Rollemberg ainda passou boa parte do seu comando às turras com o vice, Renato Santana (PSD). A relação ficou abalada após o número 2 do Buriti ser gravado fazendo duras críticas ao titular do GDF. O pessedista chegou a revelar que tinha conhecimento de atos de corrupção dentro do governo. O convívio piorou depois de uma cunhada de Santana morrer em um hospital da rede pública de saúde. O vice atribuiu a culpa à má qualidade da gestão do socialista.

O chefe do Executivo local ainda se viu constrangido ao figurar na relação de 16 nomes de governadores eleitos que supostamente teriam recebido propina da JBS nas eleições de 2014. Em maio de 2017, Ricardo Saud, ex-executivo da J&F, holding controladora da JBS, afirmou que a companhia teria desembolsado R$ 852,8 mil para reforçar a campanha do então candidato ao Palácio do Buriti, acusação rechaçada pela defesa do buritizável.

Tarimbado por mais de três décadas de vida pública, Rollemberg se apega ao que chama de “feitos” de sua liderança para tentar reverter a alta rejeição demonstrada em pesquisas. Durante suas andanças, recorre à desobstrução da Orla do Lago Paranoá, à urbanização de parte do Sol Nascente, e ao pagamento em dia dos servidores públicos como exemplos de realizações marcantes de sua administração.

Mais do que sorte, o “dono da chave” do Buriti precisará de muito poder de persuasão na reta final da campanha eleitoral para convencer o brasiliense de que merece permanecer na cadeira mais importante do DF.

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