Homeschooling X home office: é difícil equilibrar os desafios da quarentena

Pais devem dialogar com os filhos e dar autonomia aos pequenos para fazerem suas atividades escolares enquanto adultos trabalham em casa

Igo Estrela/Metrópoles

atualizado 25/05/2020 20:10

Quarentena, home office e crianças em casa. De repente você teve que levantar cedo para malhar na sala de casa antes de todo mundo acordar, fazer as atividades escolares com as crianças, cuidar da residência, preparar o almoço e responder mil e-mails antes do meio-dia, sendo que sua única vontade era dormir.

Aí corre para a internet atrás de uma fórmula mágica para dar conta de tudo, procura uma receita nova para variar o cardápio do almoço e cai na besteira de dar uma espiada naquela digital influencer que acorda maquiada, tem o corpo lindo, dá conta de todas as tarefas que você também realiza e ainda encontra tempo para fazer campanha social. Resultado? Você está se sentindo um cocozinho ansioso e incompetente, com mais vontade ainda de voltar para a cama ou de encontrar você mesma a cura para a Covid-19.

Como pedagoga, posso te dar algumas dicas para enfrentar o homeschooling, nome bonito para Educação a Distância no ensino básico. De acordo com o Art. 32 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), o ensino fundamental obrigatório, com duração de nove anos, iniciando-se aos 6 anos de idade, tem por objetivo a formação básica do cidadão, sendo presencial. Já o ensino a distância é utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais, que é nosso caso agora. Então, se você é mãe de educação infantil, DESENCANA!

O ideal para crianças pequenas são atividades de até 25 minutos de duração, para manter o interesse delas. A criança precisa materializar, experimentar, vivenciar as coisas para aprender. Então, deixa o livrinho da escola para ela “brincar” de pintar, de circular, de fazer essas coisas em outro momento.

Converse sobre o período com seu filho e peça ajuda. Claro que os pequenos não vão lavar um banheiro nem fazer o almoço, mas os envolva nas tarefas da casa, como separar as roupas por cores, guardar os brinquedos e organizá-los por tamanhos e cores, lavar as folhas da salada, passar pano nos móveis enquanto você varre… Pasmem, dessa forma vocês estão trabalhando um monte de habilidades dos seus filhos e nem sabem.

“Mas eu estou em home office e meu filho me chama o tempo todo!!” Claro, a criança não faz nem ideia do que é home office e quer atenção. Qual foi a última vez que ele ficou tanto tempo com a família em casa? Não precisa se culpar: trabalhar e ter filhos não tem que ser um campo de batalhas; dá para conciliar os dois e sentir prazer em sair e ter momentos seus, com adultos, sem dinossauros, baby alives e afins.

Diálogo e autonomia

Quando estiver no seu momento escritório, ocupe a criança com os vídeos da escola, com as atividades dos livros. Explique antes que você precisa focar naquilo agora, que não pode dar atenção, mas, quando os dois terminarem as atividades, vocês farão algo juntos. Vai funcionar 100% do tempo? Não, mas o diálogo vai te abrir muitos caminhos, inclusive verá que a maturidade do seu filho é muito maior do que você poderia imaginar.

“Mas como vou fazer atividade com ele e trabalhar ao mesmo tempo?”. Ora, dando autonomia à criança. Leia, explique e deixe que faça sozinha. Se a criança ainda não lê, leia com ela e pergunte o que entendeu. Se já lê, faça com que ela leitura em voz alta e pergunte o que compreendeu. Fale para fazer do jeito dela e, quando terminar tudo, você vai olhar.

Claro que na primeira atividade eles já vão perguntar se está certo. Aí você pede para a própria criança revisar e continuar, pois você só vai olhar ao final. Seu filho terminou? Corrija com ele, explique que não há mal algum em errar: “é humano, sabia!?” Faz parte do crescimento. Ou você acha que a professora do seu filho, com outras 35 ou 40 crianças em sala, tem condições de responder junto a todas? Aqui é hora de trabalhar a autonomia da criança, a responsabilidade sobre as atividades.

Reparem: a diferença está no dialogo, no conversar, ouvir, cobrar. As crianças querem atenção, querem ser ouvidas e precisam de rotina. Tente fazer com que ela se envolva com as atividades que você está desenvolvendo no momento. Existem mães que tem mil fórmulas mágicas para entreter crianças, para criar junto, mas tudo bem se você não consegue ou não quer. Criar filhos não é fórmula de bolo, não existe ciência exata para isso, mas envolva-se, envolva-o e converse. Diálogo ainda é a melhor solução.

  • Stephanie Gurgel é pedagoga da Secretaria de Educação do Distrito Federal

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