Wall Street no vermelho: bolsas dos EUA tombam com indicação ao Fed

O anúncio de Kevin Warsh como possível sucessor do chefe do Fed, Jerome Powell, foi feito nesta manhã pelo presidente dos EUA, Donald Trump

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placa mostra avenida Wall Street nos Estados Unidos
1 de 1 placa mostra avenida Wall Street nos Estados Unidos - Foto: Reprodução

Os principais índices das bolsas de valores dos Estados Unidos operavam em queda nesta sexta-feira (30/1) reagindo à indicação do ex-diretor do Federal Reserve (Fed) Kevin Warsh para a presidência da autoridade monetária norte-americana.

O anúncio de Warsh como possível sucessor do atual chefe do Fed, Jerome Powell, foi feito nesta manhã pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em uma publicação nas redes sociais.

Nas últimas semanas, Warsh vinha sendo apontado como o favorito para suceder Powell, desafeto de Trump. “Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump em sua publicação.


Bolsas em Nova York

  • Por volta das 14h20 (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones recuava 1%, aos 48,5 mil pontos.
  • No mesmo horário, o S&P 500 registrava perdas de 0,75%, aos 6,9 mil pontos.
  • O Nasdaq Composto, que reúne as ações de empresas do setor de tecnologia, operava em queda de 0,83%, aos 23,4 mil pontos.

“Raposa” do mercado financeiro

O perfil de Kevin Warsh é considerado o de alguém muito próximo do sistema financeiro, que conhece os bastidores de Wall Street como poucos – uma verdadeira “raposa” do mercado. Nos últimos anos, Warsh chamou a atenção de Trump por vocalizar muitas das críticas ao sistema financeiro norte-americano feitas pelo próprio presidente dos EUA.

Kevin Warsh foi indicado para o Fed há 20 anos, em 2006, pelo então presidente dos EUA, George W. Bush. Antes de chegar à diretoria da autoridade monetária, ele foi assistente especial de Bush para política econômica e secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional.

Warsh fez parte do Conselho de Governadores do Fed, de 2006 a 2011, e acompanhou de perto a crise financeira de 2008 e o colapso de grandes bancos, como o Lehman Brothers. O futuro presidente do Fed teve atuação importante nas negociações entre o Tesouro, o BC dos EUA e instituições financeiras. Até mesmo seus críticos reconhecem que Warsh tem excelente trânsito em Washington e Wall Street.

Críticas ao Fed

Nos últimos anos, a postura e a retórica de Kevin Warsh mudaram e ele passou a adotar um tom mais duro e crítico ao Federal Reserve. Em diversas entrevistas e pronunciamentos, o ex-diretor da autoridade monetária defendeu uma “mudança de regime” no Fed, com revisões sobre os instrumentos que levam o BC dos EUA a tomar suas decisões sobre a taxa de juros.

Em linhas gerais, Warsh está alinhado a Trump na defesa de uma política monetária menos contracionista, com a intensificação do corte de juros – o que agrada, em cheio, a Casa Branca. Por outro lado, o indicado por Trump também critica a expansão do balanço do Fed.

Em outubro do ano passado, em entrevista à Fox Business, Warsh foi enfático ao defender a redução da taxa de juros pelo Fed.

“Juros mais baixos, combinados com o tipo de revolução tecnológica que as políticas do presidente permitiram, com o enorme volume de investimentos que está acontecendo na economia doméstica e vindo do exterior, são a semente da nossa revolução de produtividade”, afirmou.

Trajetória acadêmica e profissional

Nascido em Albany, no estado de Nova York, Kevin Warsh tem 55 anos e é formado em políticas públicas pela Universidade de Stanford, uma das mais prestigiadas do mundo, com ênfase em economia e estatística.

Warsh também cursou direito na Universidade de Harvard e se especializou na conexão entre direito, economia e regulação. Ele também fez pesquisas complementares sobre economia de mercado e mercado de capitais na Harvard Business School e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

A trajetória profissional de Warsh teve início no Morgan Stanley, um dos maiores bancos dos EUA, pelo qual atuou por 7 anos no departamento de fusões e aquisições.

Ao deixar o Fed, em 2011, Warsh dividiu sua atuação entre a vida acadêmica e o mercado financeiro. Ele é pesquisador visitante em economia no Instituto Hoover, da Universidade de Stanford, e professor na Escola de Negócios da mesma instituição. Também atua como sócio-consultor da gestora Duquesne Family Office.

Kevin Warsh também compõe conselhos de administração de empresas, como a United Parcel Service (UPS) e a Coupang. Ele ainda participa de fóruns de discussão econômica, entre os quais o Grupo dos Trinta e o painel de consultores econômicos do Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA.

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