Wall Street afunda: bolsas de NY caem com alta do petróleo e inflação
Em Nova York, os principais índices das bolsas de valores dos Estados Unidos operam no vermelho na tarde desta sexta-feira (15/5)
atualizado
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Os principais índices das bolsas de valores dos Estados Unidos operam no vermelho no último pregão da semana, nesta sexta-feira (15/5), impactados pela nova alta do petróleo no mercado internacional e diante do temor em relação à inflação norte-americana.
Os investidores em Wall Street também repercutem as reuniões entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, e o impasse prolongado nas negociações de paz entre norte-americanos e o Irã no Oriente Médio.
O que aconteceu
- Em Nova York, os principais índices das bolsas de valores dos EUA operam no vermelho na tarde desta sexta-feira.
- Por volta das 13h10 (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones recuava 1,03%, aos 49,5 mil pontos.
- No mesmo horário, o S&P 500 registrava queda de 1,04%, aos 7,4 mil pontos.
- O Nasdaq Composto, que reúne as ações de empresas do setor de tecnologia, tombava 1,32%, aos 26,2 mil pontos, liderando as perdas do dia.
Petróleo volta a disparar
Nesta sexta-feira, os preços internacionais do petróleo voltaram a disparar após o encontro entre Trump e Xi Jinping em Pequim.
Por volta das 10h55 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 2,72% e era negociado a US$ 103,92.
No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) registrava ganhos de 2,4%, a US$ 108,26.
Mais cedo, o barril do petróleo WTI chegou a US$ 105,31, enquanto o brent cravou US$ 109,64, o maior valor em dez dias. Em 5 de abril, a cotação havia atingido US$ 114,44.
Na sessão de quinta-feira (14/5), o petróleo fechou perto da estabilidade. O barril do tipo WTI para junho subiu 0,15%, a US$ 101,17, enquanto o brent para julho avançou 0,08%, a US$ 105,72, praticamente estável.
Risco de inflação
A preocupação dos investidores em relação a uma nova escalada da inflação nos EUA também contribui para a derrubada dos índices em Wall Street.
O rendimento do título do Tesouro norte-americano de dez anos, referência no mercado, subiu para 4,57%, atingindo o nível mais alto em um ano.
Além disso, os rendimentos dos títulos globais também avançaram em meio aos efeitos econômicos da guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio. Muitos investidores apostam em um novo ciclo de alta da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) antes do que se esperava. A elevação dos juros é o principal instrumento dos BCs para combater a inflação.
A probabilidade de o BC dos EUA subir os juros básicos em 0,25 ponto percentual até o fim do ano mais do que dobrou desde a semana passada, para cerca de 40%, de acordo com dados da plataforma FedWatch, do CME Group.
Trump encerra “visita histórica” à China
O presidente dos EUA, Donald Trump, encerrou, na madrugada desta sexta-feira, a visita oficial à China. Em comunicado divulgado pela mídia estatal chinesa, o líder chinês, Xi Jinping, classificou o encontro como “histórico e marcante”.
“O presidente Trump espera tornar a América grande novamente, e eu estou comprometido em liderar o povo chinês para realizar o grande rejuvenescimento da nação chinesa”, disse.
Já o presidente norte-americano chamou a viagem de “muito bem-sucedida” e “inesquecível”. Trump também convidou Xi Jinping a retribuir a visita aos EUA em setembro.
“Estou disposto a manter uma comunicação sincera e profunda com o presidente Xi Jinping e aguardo com expectativa recebê-lo em Washington”, afirmou Trump.
A visita de Trump foi encerrada com mais uma rodada de conversa entre os dois presidentes e um almoço em Zhongnanhai, complexo de edifícios onde está localizado o escritório central do Partido Comunista e também a sede oficial do governo da China.
Mais cedo, Trump disse que a China demonstrou interesse em ampliar as compras de petróleo norte-americano e também adquirir mais produtos agrícolas dos EUA, como soja e milho.
Além da questão comercial, Trump comentou temas geopolíticos discutidos durante a visita à China, incluindo o Irã, o combate ao tráfico de fentanil e a segurança no Estreito de Ormuz.
China quer ajudar em negociações com Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o líder chinês, Xi Jinping, se ofereceu para ajudar nas negociações envolvendo o conflito com o Irã.
“O presidente Xi gostaria de ver um acordo fechado. Ele gostaria mesmo. E ele se ofereceu. Ele disse: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar’”, declarou Trump. A China é considerada a principal compradora de petróleo iraniano e mantém relações diplomáticas e econômicas próximas com Teerã.
Ainda de acordo com o republicano, Xi ainda prometeu não fornecer equipamentos militares ao Irã em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. “Ele disse que não vai fornecer equipamentos militares a eles. Essa é uma declaração importante. Ele disse isso hoje”, afirmou Trump. Segundo o republicano, o líder chinês reforçou a posição “com veemência”.
A declaração foi dada em entrevista ao apresentador Sean Hannity, da Fox News, após o primeiro de dois dias de negociações entre representantes de Washington e Pequim.
Apesar da sinalização sobre armamentos, Trump reconheceu que Xi defendeu a manutenção da relação econômica entre a China e o Irã, especialmente no setor energético. Segundo o presidente norte-americano, o líder chinês ressaltou que Pequim continua interessada na compra de petróleo iraniano.
Para China, guerra “nunca deveria ter acontecido”
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a guerra com o Irã “nunca deveria ter acontecido” e defendeu a continuidade do cessar-fogo, além da reabertura das rotas marítimas afetadas pelo conflito, como o Estreito de Ormuz.
“Esta guerra, que nunca deveria ter acontecido, não precisa continuar”, afirmou o porta-voz, segundo a emissora estatal CCTV. “Encontrar uma solução rápida beneficiaria tanto os EUA quanto o Irã, assim como os países da região e o mundo como um todo.”
Segundo o governo chinês, o atual cessar-fogo abriu espaço para negociações diplomáticas, e essa oportunidade “não deve ser fechada novamente”. A China também pediu a reabertura das rotas marítimas impactadas pelo conflito.
“As rotas marítimas devem ser reabertas o mais rápido possível, em resposta aos apelos da comunidade internacional, e esforços conjuntos devem ser feitos para salvaguardar a estabilidade e o bom funcionamento das cadeias industriais e de abastecimento globais”, declarou o porta-voz.
Análise
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “o mercado segue digerindo um ambiente de inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo, à medida que a guerra no Irã mantém o petróleo em patamares acima de 50% do nível pré-conflito”.
“Os mercados monetários agora precificam 60% de probabilidade de alta de juros pelo Fed neste ano — uma inversão completa em relação ao início do conflito, quando se esperavam pelo menos dois cortes”, avalia. Nesse ambiente, observa Shahini, “o apetite por risco recuou de forma ampla”.
