Wall Street afunda: bolsas de NY caem com alta do petróleo e inflação

Em Nova York, os principais índices das bolsas de valores dos Estados Unidos operam no vermelho na tarde desta sexta-feira (15/5)

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Adam Gray/Getty Images
Imagem da Bolsa de Valores de Nova York - Metrópoles
1 de 1 Imagem da Bolsa de Valores de Nova York - Metrópoles - Foto: Adam Gray/Getty Images

Os principais índices das bolsas de valores dos Estados Unidos operam no vermelho no último pregão da semana, nesta sexta-feira (15/5), impactados pela nova alta do petróleo no mercado internacional e diante do temor em relação à inflação norte-americana.

Os investidores em Wall Street também repercutem as reuniões entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, e o impasse prolongado nas negociações de paz entre norte-americanos e o Irã no Oriente Médio.


O que aconteceu

  • Em Nova York, os principais índices das bolsas de valores dos EUA operam no vermelho na tarde desta sexta-feira.
  • Por volta das 13h10 (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones recuava 1,03%, aos 49,5 mil pontos.
  • No mesmo horário, o S&P 500 registrava queda de 1,04%, aos 7,4 mil pontos.
  • O Nasdaq Composto, que reúne as ações de empresas do setor de tecnologia, tombava 1,32%, aos 26,2 mil pontos, liderando as perdas do dia.

Petróleo volta a disparar

Nesta sexta-feira, os preços internacionais do petróleo voltaram a disparar após o encontro entre Trump e Xi Jinping em Pequim.

Por volta das 10h55 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 2,72% e era negociado a US$ 103,92.

No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) registrava ganhos de 2,4%, a US$ 108,26.

Mais cedo, o barril do petróleo WTI chegou a US$ 105,31, enquanto o brent cravou US$ 109,64, o maior valor em dez dias. Em 5 de abril, a cotação havia atingido US$ 114,44.

Na sessão de quinta-feira (14/5), o petróleo fechou perto da estabilidade. O barril do tipo WTI para junho subiu 0,15%, a US$ 101,17, enquanto o brent para julho avançou 0,08%, a US$ 105,72, praticamente estável.

Risco de inflação

A preocupação dos investidores em relação a uma nova escalada da inflação nos EUA também contribui para a derrubada dos índices em Wall Street.

O rendimento do título do Tesouro norte-americano de dez anos, referência no mercado, subiu para 4,57%, atingindo o nível mais alto em um ano.

Além disso, os rendimentos dos títulos globais também avançaram em meio aos efeitos econômicos da guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio. Muitos investidores apostam em um novo ciclo de alta da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) antes do que se esperava. A elevação dos juros é o principal instrumento dos BCs para combater a inflação.

A probabilidade de o BC dos EUA subir os juros básicos em 0,25 ponto percentual até o fim do ano mais do que dobrou desde a semana passada, para cerca de 40%, de acordo com dados da plataforma FedWatch, do CME Group.

Trump encerra “visita histórica” à China

O presidente dos EUA, Donald Trump, encerrou, na madrugada desta sexta-feira, a visita oficial à China. Em comunicado divulgado pela mídia estatal chinesa, o líder chinês, Xi Jinping, classificou o encontro como “histórico e marcante”.

“O presidente Trump espera tornar a América grande novamente, e eu estou comprometido em liderar o povo chinês para realizar o grande rejuvenescimento da nação chinesa”, disse.

Já o presidente norte-americano chamou a viagem de “muito bem-sucedida” e “inesquecível”. Trump também convidou Xi Jinping a retribuir a visita aos EUA em setembro.

“Estou disposto a manter uma comunicação sincera e profunda com o presidente Xi Jinping e aguardo com expectativa recebê-lo em Washington”, afirmou Trump.

A visita de Trump foi encerrada com mais uma rodada de conversa entre os dois presidentes e um almoço em Zhongnanhai, complexo de edifícios onde está localizado o escritório central do Partido Comunista e também a sede oficial do governo da China.

Mais cedo, Trump disse que a China demonstrou interesse em ampliar as compras de petróleo norte-americano e também adquirir mais produtos agrícolas dos EUA, como soja e milho.

Além da questão comercial, Trump comentou temas geopolíticos discutidos durante a visita à China, incluindo o Irã, o combate ao tráfico de fentanil e a segurança no Estreito de Ormuz.

China quer ajudar em negociações com Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o líder chinês, Xi Jinping, se ofereceu para ajudar nas negociações envolvendo o conflito com o Irã.

“O presidente Xi gostaria de ver um acordo fechado. Ele gostaria mesmo. E ele se ofereceu. Ele disse: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar’”, declarou Trump. A China é considerada a principal compradora de petróleo iraniano e mantém relações diplomáticas e econômicas próximas com Teerã.

Ainda de acordo com o republicano, Xi ainda prometeu não fornecer equipamentos militares ao Irã em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. “Ele disse que não vai fornecer equipamentos militares a eles. Essa é uma declaração importante. Ele disse isso hoje”, afirmou Trump. Segundo o republicano, o líder chinês reforçou a posição “com veemência”.

A declaração foi dada em entrevista ao apresentador Sean Hannity, da Fox News, após o primeiro de dois dias de negociações entre representantes de Washington e Pequim.

Apesar da sinalização sobre armamentos, Trump reconheceu que Xi defendeu a manutenção da relação econômica entre a China e o Irã, especialmente no setor energético. Segundo o presidente norte-americano, o líder chinês ressaltou que Pequim continua interessada na compra de petróleo iraniano.

Para China, guerra “nunca deveria ter acontecido”

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a guerra com o Irã “nunca deveria ter acontecido” e defendeu a continuidade do cessar-fogo, além da reabertura das rotas marítimas afetadas pelo conflito, como o Estreito de Ormuz.

A declaração foi dada por um porta-voz do governo chinês após questionamentos sobre a conversa entre Xi Jinping e Donald Trump, em Pequim.

“Esta guerra, que nunca deveria ter acontecido, não precisa continuar”, afirmou o porta-voz, segundo a emissora estatal CCTV. “Encontrar uma solução rápida beneficiaria tanto os EUA quanto o Irã, assim como os países da região e o mundo como um todo.”

Segundo o governo chinês, o atual cessar-fogo abriu espaço para negociações diplomáticas, e essa oportunidade “não deve ser fechada novamente”. A China também pediu a reabertura das rotas marítimas impactadas pelo conflito.

“As rotas marítimas devem ser reabertas o mais rápido possível, em resposta aos apelos da comunidade internacional, e esforços conjuntos devem ser feitos para salvaguardar a estabilidade e o bom funcionamento das cadeias industriais e de abastecimento globais”, declarou o porta-voz.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “o mercado segue digerindo um ambiente de inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo, à medida que a guerra no Irã mantém o petróleo em patamares acima de 50% do nível pré-conflito”.

“Os mercados monetários agora precificam 60% de probabilidade de alta de juros pelo Fed neste ano — uma inversão completa em relação ao início do conflito, quando se esperavam pelo menos dois cortes”, avalia. Nesse ambiente, observa Shahini, “o apetite por risco recuou de forma ampla”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?