Trump volta a atacar Powell, de saída do Fed: “Desastre para os EUA”

A mensagem foi acompanhada por uma imagem editada na qual Powell aparece de terno, com os braços erguidos, caindo dentro de uma lata de lixo

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Imagem de aperto de mãos entre Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em foto de 2017 - Metrópoles
1 de 1 Imagem de aperto de mãos entre Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em foto de 2017 - Metrópoles - Foto: Drew Angerer/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar o chefe do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell, que está de saída do comando da autoridade monetária.

Em publicação na Truth Social, a sua própria rede social, Trump cobrou mais uma vez a redução da taxa básica de juros pelo Fed e escreveu que Powell é “atrasado demais” e “um desastre para os EUA”.

A mensagem foi acompanhada por uma imagem editada na qual Powell aparece de terno, com os braços erguidos, caindo dentro de uma lata de lixo.

Fed manteve juros inalterados na última reunião

Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, no fim de abril, o BC dos EUA decidiu manter os juros inalterados no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores do Fed, em janeiro e março, os juros também haviam sido mantidos nessa faixa.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

A decisão do BC dos EUA passou longe da unanimidade. Foram oito votos a favor da manutenção do patamar atual dos juros (Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Lisa Cook, Philip Jefferson, Anna Paulson e Christopher Waller) e quatro contrários (Stephen Miran, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan).

Desde a posse de Trump, em janeiro do ano passado, o Fed promoveu três cortes na taxa de juros. Nas três últimas reuniões, em janeiro, março e agora em abril, houve manutenção.

Antes de Trump assumir a Casa Branca, o Fed tinha levado a cabo um ciclo de três quedas consecutivas dos juros nos EUA, que começou em setembro de 2024.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho, já sem Powell no comando do BC dos EUA. Seu mandato termina no dia 15 de maio.

Powell já declarou que, apesar de deixar a presidência do Fed, deve continuar na diretoria da autoridade monetária. Ele será sucedido no comando do BC dos EUA por Kevin Warsh, ex-diretor do Fed e indicado por Trump ao cargo. Warsh foi sabatinado pelo Senado norte-americano.

Novo presidente do Fed

Durante a sabatina, o indicado pelo presidente dos EUA ao Fed responsabilizou a gestão do atual chefe do BC norte-americano, Jerome Powell, pela escalada da inflação no país após a pandemia de Covid-19, a partir de 2020. Para Warsh, a alta nos preços continua sendo “um grande problema” para a população.

“Embora seja verdade que a inflação esteja menos problemática neste momento, no sentido de que o ritmo de aumento dos preços é menos severo do que era havia alguns anos, os americanos trabalhadores ainda a sentem”, disse o futuro presidente do Fed durante audiência no Comitê Bancário do Senado.

“Isso significa que é necessária uma mudança de regime na condução da política monetária pelo Fed. Precisamos de um novo e diferente arcabouço para combater a inflação”, completou Warsh, sem fornecer maiores detalhes.

Na sabatina, o indicado por Trump à presidência do Federal Reserve garantiu que adotará uma postura de independência em relação ao mandatário da Casa Branca.

Desde o início de seu segundo mandato como presidente dos EUA, em janeiro de 2025, Trump elegeu o chefe do Fed, Jerome Powell, como um de seus maiores alvos. O republicano faz críticas frequentes ao BC norte-americano e cobra publicamente o corte dos juros. O mandato de Powell termina em maio.

“Presidentes (dos EUA) tendem a ser favoráveis à queda dos juros. Acho que a diferença é que o presidente Trump expressa isso de forma bastante clara”, afirmou Warsh.

Em seguida, o indicado ao comando do BC dos EUA assegurou que será independente à frente da autoridade monetária. “A independência cabe ao Fed. A liderança do Fed precisa decidir o que é a coisa certa a fazer”, disse.

Questionado pelo senador John Neely Kennedy, do estado da Louisiana, se seria um mero “fantoche” de Trump no Fed, Warsh foi enfático: “Absolutamente não. Atuarei de forma independente à frente do Federal Reserve”.

O indicado à presidência do Fed afirmou ainda que Trump jamais lhe pediu que assumisse qualquer compromisso em relação à eventual queda dos juros.

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