STF barra decreto que suspendeu cobrança de consignados no MT

Medida cautelar do ministro André Mendonça acatou pedido de instituições financeiras e afeta cerca de 60% dos servidores mato-grossenses

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Ministro do STF André Mendonça
1 de 1 Ministro do STF André Mendonça - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta quinta-feira (11/12) o decreto da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, que interrompeu a cobrança de empréstimos e cartões (tanto de crédito como de benefícios) vinculados ao consignado. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça (foto em destaque), em medida cautelar, com base em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), movida pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif).

O decreto foi publicado no início de dezembro. Ele suspendeu por 120 dias as cobranças e os  efeitos operacionais de contratos de crédito consignado, cartão consignado de benefício, crédito direto ao consumidor (CDC, que não tem a ver com consignado) e outras operações com desconto em folha ou conta corrente de servidores públicos estaduais.

O texto aprovado pela Assembleia mato-grossense também impedia a cobrança de juros, multas, correção monetária, negativação e cobrança acumulada durante o período da suspensão.

Mendonça, em sua decisão, que ainda será analisada em sessão do plenário virtual do STF, considerou que o decreto estadual interferia em matérias de competência federal, como política de crédito e regulação do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Segundo o relator, a suspensão heterônoma de contratos já firmados afrontaria também os princípios da segurança jurídica, da proporcionalidade e do ato jurídico perfeito.

O Banco Central (BC) já havia dado um parecer favorável à medida adotada pelo ministro Mendonça. O documento foi incluído na ADI no fim de novembro, conforme o Metrópoles noticiou na última semana.

Crise do consignado

O decreto legislativo barrado pelo STF foi publicado pela Assembleia Legislativa do Mato Grosso em meio a uma guerra entre sindicatos de servidores e fintechs que operam no estado. Em ações na Justiça, os funcionários públicos apontavam uma série de irregularidades na concessão, principalmente, de cartões de crédito e de benefícios vinculados ao consignado. As empresas negam as acusações.

De acordo com dados do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso (TCE-MT), quase 60% dos servidores públicos do estado — o que corresponde a cerca de 62 mil pessoas — têm empréstimos, cartões de crédito ou de benefício consignados, com uma média de cinco contratos por funcionário. Desse total, 20 mil comprometeram mais de 35% da sua renda mensal com dívidas. Para 7,8 mil, esse endividamento chega a 70% do salário. Há casos em que o valor dos descontos representa 99% dos vencimentos.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?