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Economia

MP pede investigação sobre possíveis irregularidades no consignado

De acordo com o MP, é preciso investigar irregularidades no crédito consignado, que apresenta alto grau de endividamento

03/12/2025 15:05, atualizado 03/12/2025 15:14
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Reprodução// VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
BANCOS DOBRARAM RENDIMENTOS COM CONSIGNADOS EM CINCO ANOS EM MEIO A FRAUDES - METRÓPOLES

O Ministério Público (MP) pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue possíveis irregularidades na criação e regulamentação do crédito consignado, modalidade de empréstimo em que as parcelas são descontadas diretamente do salário ou de benefícios sociais, como aposentadoria, por exemplo.

Segundo o autor do pedido, o subprocurador-geral, Lucas Furtado, a ferramenta, que inicialmente se apresentava como apoio financeiro, tornou-se motivo de endividamento das populações mais vulneráveis.

“Isso ocorre porque essa modalidade de crédito passou a comprometer parcela substancial da renda das famílias, agravando desigualdades sociais e convertendo direitos sociais em ativos financeiros”, alegou.

De acordo com ele, ao atuar como garantidor do sistema financeiro, o Estado reforçou essa lógica do endividamento e permitiu que interesses privados se sobrepusessem ao bem-estar coletivo.

Ele solicitou, ainda, que o TCU avalia a responsabilidade do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e de seus gestores pela edição de normas infralegais que extrapolam a competência do órgão e possibilitam a continuidade de práticas abusivas.

Além disso, Furtado pede que o INSS revise as normas para garantir mais transparência e prevenir o superendividamento dos beneficiários.

Endividamento no consignado

Um estudo do Banco Central (BC) mostrou que houve aumento do endividamento entre trabalhadores que contrataram o novo consignado privado, conhecido como consignado CLT.

Houve aumento médio de 58% no endividamento no mês da contratação do crédito. O montante que era de R$ 18,4 bilhões, em fevereiro, antes da nova modalidade, e passou para R$ 33,1 bilhões, em julho, alta de R$ 14,7 bilhões.

Os dados fazem parte do Relatório de Política Monetária, divulgado pela instituição em setembro.

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