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São Paulo

Suspenso pelo INSS, Agibank faturou R$ 15 bilhões com consignados

Agibank passou de 20 mil para 400 mil empréstimos em 4 meses. Após auditoria identificar contratos com mortos, INSS suspendeu consignados

03/12/2025 09:08, atualizado 03/12/2025 10:23
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Reprodução/ Facebook
Imagem colorida mostra mão feminina inserindo cartão com logotipo Agibank em máquina de cartões - Metrópoles

O Agibank, que teve empréstimos consignados suspensos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nesta quarta-feira (3/12), já recebeu R$ 14,8 bilhões com os descontos nos contracheques dos aposentados. Hoje, o banco tem uma carteira de 1,57 milhão de consignados.

A suspensão, publicada em Diário Oficial da União, ocorre após uma auditoria identificar mais de mil contratos assinados depois da morte dos aposentados contratantes, entre 2023 e 2025. A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou as irregularidades. O órgão também enviou o caso para investigação da Polícia Federal (PF).

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Também foi aberto um processo administrativo que pode culminar com a rescisão do acordo de cooperação técnica com o banco, que permite sua atuação na área de consignados firmados com beneficiários da previdência social.

O Metrópoles revelou que o Agibank foi um dos bancos que tiveram crescimento vertiginoso nos últimos cinco anos. O banco tinha 20 mil empréstimos ativos em junho de 2021 e chegou a 409 mil em outubro do mesmo ano.

Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação junto ao INSS. Entre janeiro de 2020 e outubro de 2025, o faturamento das 87 instituições financeiras habilitadas pelo instituto para fazer consignados dobrou e chegou a R$ 466 bilhões.

Consignados com mortos

Entre os achados, há uma quantidade grande de contratos sem consentimento dos beneficiários. O mais grave deles foi sobre os mortos. Foram identificados 1.192 contratos assinados após a data do óbito somente entre 2023 e 2025.

Também foram feitas operações de refinanciamento com taxas de juros muito abaixo do teto de 1,85% ao mês. Mais de 33 mil contratos foram feitos com taxas inferiores a 1% e 5,2 mil com taxas abaixo de 0,4%.

A suspeita é de que os montantes não condizentes com valor de mercado tenham sido registrados para não chamar atenção das autoridades e fazer com que esses contratos ficassem abaixo do radar de controles de regularidade desses empréstimos.

Explosão de consignados

O Agibank acumula reclamações no Judiciário sobre portabilidade indevida de suas contas de aposentadoria para o banco.

Na área de consignados, o Agibank tem recebido condenações para indenizar aposentados por descontos indevidos de empréstimos. Sentenças levantadas pela reportagem mostram casos em que o banco não apresenta à Justiça prova mínima de que um aposentado contratou seus serviços.

Nos últimos meses, o INSS chegou a suspender o contrato dele em razão dessas queixas. O banco acabou assinando um termo de ajustamento de conduta no qual se comprometeu a não dificultar mais a portabilidade para outras instituições e a ser mais transparente com os segurados. Com conclusão da investigação, o banco volta a ser punido.

Antes de ser um banco, o Agibank chamava-se Agiplan e era um correspondente bancário do empresário gaúcho Marciano Testa. Em 2016, ele adquiriu o falido Banco Gerador, de Recife, e mudou seu nome dois anos depois. Em 2019, passou a oferecer crédito consignado e, em 2020, assinou seu termo de cooperação com o INSS para poder oferecer o produto a aposentados.

O que diz o Agibank

Em nota enviada ao Metrópoles, o Agibank  afirmou ter tomado conhecimento da suspensão sem ter sido previamente comunicado “ou mesmo com a oportunidade de apresentar defesa e esclarecimentos”. O banco diz que solicitou acesso aos autos ao INSS, “a fim de que possa realizar uma análise detalhada dos apontamentos apresentados pela autarquia e pela CGU”.

“A instituição reafirma que todos os contratos seguem protocolos rigorosos de segurança, como biometria facial, validação documental e cruzamento de dados em bases oficiais”.

O banco diz que desconhece contratações irregulares, mas caso sejam constatadas, serão adotadas providências para saneamento dos trâmites internos, “além de absorver integralmente o seu impacto, sem qualquer ônus para clientes ou para o INSS, com ressarcimento integral dos valores envolvidos”.

“O Agibank informa que todas as demais operações e atendimento seguem funcionando normalmente, incluindo pagamento de benefícios e outros serviços”, completa a nota.