Queda de serviços mostra perda de fôlego da economia, dizem analistas

A avaliação é de economistas e analistas do mercado ouvidos pela reportagem do Metrópoles pouco depois do anúncio do IBGE. Setor caiu 0,1%

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1 de 1 Imagem colorida de mulher loira, sorrindo, durante um atendimento em call center. Ela usa um microfone e olha para a tela do computador - Metrópoles - Foto: Getty Images

A queda do setor de serviços, um dos mais importantes da economia nacional, em novembro do ano passado, atestada em levantamento divulgado nesta terça-feira (13/1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não surpreende e confirma a desaceleração da atividade econômica no país.

A avaliação é de economistas e analistas do mercado ouvidos pela reportagem do Metrópoles pouco depois do anúncio do IBGE. De acordo com a pesquisa, o volume do setor de serviços no país recuou 0,1% em novembro de 2025. O resultado negativo foi puxado pelos serviços de transportes (-1,4%) e informação e comunicação (-0,7%). No acumulado do ano de 2025, houve alta de 2,7%. Em relação a novembro de 2024, o volume de serviços avançou 2,5%.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) monitora a receita bruta de serviços nas empresas formais, com 20 ou mais trabalhadores. São excluídas as áreas de saúde e educação. A próxima divulgação da PMS – referente a dezembro de 2025 – será em 12 de fevereiro.

O que diz o mercado

André Valério, economista sênior do Banco Inter, avalia que o resultado de novembro “reafirma a tendência de desaceleração na atividade econômica em meio às condições financeiras adversas”. “Ainda assim, a robustez do setor permanece, com o setor de serviços 20% acima do nível pré-pandemia e apenas a 0,1% de distância do recorde da série histórica”, observa.

“Ainda vemos a inflação do setor pressionada, tendo encerrado 2025 com alta de quase 6%, bem distante da meta de 3%. Com isso, apesar dos sinais de desaceleração, a dinâmica ainda deve manter o Banco Central (BC) cauteloso na reunião de janeiro, adiando o corte de juros para a reunião de março”, projeta Valério.

Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, mesmo com o leve recuo em novembro, “o setor de serviços continua sólido, tendo contribuído para sustentar o crescimento da economia em 2025”. “Nossa projeção é a de que o segmento tenha terminado o ano com expansão um pouco acima de 2,5%, impulsionado pelas medidas promovidas pelo governo, como o estímulo à concessão de crédito e o aumento de gastos”, afirma.

“Apesar do bom desempenho do setor de serviços ao longo do ano passado, os dados de atividade mostram que a economia brasileira perdeu fôlego em relação a 2024, devendo fechar 2025 com crescimento de 2,2%. Essa desaceleração é reflexo dos juros mais altos, que tendem a limitar o consumo e desestimular investimentos”, destaca a economista.

Moreno diz ainda que, embora a Selic em patamar elevado esteja exercendo um efeito negativo sobre a economia, não se deve esperar uma grande desaceleração da atividade. “Para 2026 e 2027, nossa projeção é a de que o PIB avance 1,7% e 1,5%, uma vez que as medidas de estímulo adotadas pelo governo (como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda) devem evitar um esfriamento mais intenso”, completa.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, observa que, “embora a retração em si não tenha sido necessariamente uma surpresa, especialmente pela participação de grupos cuja oscilação se dá por conta de fatores majoritariamente sazonais, a PMS trouxe também em sua composição sinais mais claros de uma desaceleração potencialmente mais duradoura do ritmo de crescimento do setor”.

“Destaque, neste sentido, para as retrações observadas em componentes com maior sensibilidade ao grau de ociosidade da economia e dos gastos privados, casos dos subgrupos de outros serviços prestados às famílias (-2,6%)”, destaca. “Não apenas houve uma queda na margem de seus respectivos resultados como também a consolidação da trajetória de desaceleração iniciada em outubro, sinalizando um ritmo de consumo de serviços mais equilibrado ao longo do período.”

Segundo Pizzani, “as divulgações subsequentes da PMS entre dezembro e fevereiro podem contar com participação mais efetiva de fatores sazonais e do nível de confiança dos agentes econômicos, que têm apresentado melhora na margem, impulsionando novamente o resultado do setor”.

“Mantida a perspectiva para os componentes estruturais, no entanto, a tendência é de consolidação da perda de dinamismo já observada em novembro, com o setor sendo o principal responsável pela acomodação do ritmo de crescimento ao longo do primeiro semestre deste ano e, consequentemente, maior equilíbrio do hiato do produto”, afirma.

O economista Maykon Douglas, por sua vez, observa que o resultado de novembro interrompe uma sequência de nove meses consecutivos de expansão, “mas o setor vem de máximas históricas, registradas justamente no mês de outubro”. “Além disso, houve revisão altista da série em outubro, ou seja, a base estatística foi um pouco maior”, diz.

“Nos últimos meses, o setor tem crescido de forma menos disseminada do que a média histórica. Vemos altas mais significativas nos segmentos ligados aos transportes, devido ao aumento da demanda e ao escoamento da safra recorde. Os serviços às famílias, um termômetro da força do consumo das famílias, vieram piores que o esperado e ficaram de lado no fim do ano passado, com base nos dados mensais até aqui”, explica o economista.

Ele conclui: “Embora o setor de serviços tenha se mostrado mais resiliente do que a indústria e o varejo, que são mais sensíveis às condições de crédito, é notável a perda de ritmo nos últimos meses”.

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