Paramount processa Warner e quer detalhes sobre acordo com Netflix
Além da medida judicial, a Paramount também encaminhou uma carta aos acionistas da Warner e reafirmou sua oferta de US$ 30 por ação
atualizado
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Depois de ter sua última proposta de compra recusada pela Warner Bros. Discovery, a Paramount Skydance foi à Justiça contra a dona de HBO, CNN e do estúdio de cinema Warner Bros. e exige a apresentação dos detalhes do acordo firmado entre a companhia e a Netflix, em dezembro do ano passado.
A ação da Paramount contra a Warner foi apresentada em um tribunal do estado de Delaware, nos Estados Unidos.
Além da medida judicial, a Paramount encaminhou, nesta segunda-feira (12/1), uma carta aos acionistas da Warner e reafirmou sua oferta de US$ 30 por ação. A empresa conclamou os investidores a entregarem suas ações.
“A Warner deixou de incluir qualquer divulgação sobre como avaliou a participação remanescente da Global Networks, como avaliou a transação geral com a Netflix, como funciona a redução do preço de compra por conta da dívida na transação com a Netflix, ou mesmo qual é a base para seu ‘ajuste de risco’ em relação à nossa oferta integral em dinheiro de US$ 30 por ação”, afirmou o CEO da Paramount, David Ellison, no documento aos acionistas.
Entenda
Na semana passada, o Conselho de Administração da Warner Bros. Discovery rejeitou a nova proposta de compra apresentada pela Paramount. De acordo com a Warner, a recusa do colegiado a mais uma investida da Paramount se deu por unanimidade. A mais recente oferta era de US$ 108,4 bilhões.
Segundo a companhia, a oferta da Paramount não se mostrou uma “proposta superior” à da Netflix, que já havia anunciado, no início de dezembro, um acordo bilionário para comprar a Warner.
Com a decisão, o Conselho de Administração da Warner recomendou, mais uma vez, que os acionistas da empresa rejeitem a proposta da Paramount, encerrando uma novela que vem se arrastando por alguns meses.
Em nota, o presidente do Conselho de Administração da Warner, Samuel A. Di Piazza Jr., afirmou que a oferta da Paramount é de “valor insuficiente” e envolve “riscos elevados” para a companhia, especialmente porque depende de um grande volume de financiamento por dívida.
“Isso aumenta os riscos de conclusão do negócio e reduz as garantias aos acionistas caso a transação não se concretize. Já o acordo vinculativo com a Netflix oferece mais valor e previsibilidade, sem os riscos e custos relevantes que a proposta da Paramount imporia aos investidores”, disse o presidente do conselho, na ocasião.
Ainda segundo o colegiado, caso a proposta da Paramount fosse aceita, a empresa ficaria com uma dívida estimada em US$ 87 bilhões (R$ 467,9 bilhões) após a conclusão do negócio e teria, então, de levantar um volume de recursos muito grande, aumentando significativamente os riscos da operação.
As investidas da Paramount
Em meados de dezembro, o bilionário Larry Ellison, presidente-executivo da Oracle, anunciou que daria uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões para que a empresa superasse a oferta da Netflix e vencesse a disputa.
Segundo Ellison, tratava-se de uma garantia pessoal e “irrevogável” em financiamento de capital próprio para a proposta de US$ 108,4 bilhões apresentada pela Paramount para adquirir a Warner.
A companhia informou ainda que aumentaria a taxa regulatória de rescisão reversa de US$ 5 bilhões para US$ 5,8 bilhões. A Paramount manteve a oferta de comprar, por US$ 30 por ação em dinheiro, 100% das ações em circulação da Warner. O filho de Larry Ellison, David Ellison, é o atual diretor-presidente da Paramount.
Ao todo, a Paramount apresentou uma série de seis propostas para a compra da Warner. Todas foram recusadas.
A Paramount apresentou uma “oferta hostil” pela compra da Warner, atravessando a negociação entre a companhia e a Netflix. Foi uma tentativa de comprar o controle de uma companhia sem o consentimento ou a aprovação do Conselho de Administração da empresa-alvo.
A oferta hostil é apresentada diretamente aos acionistas, geralmente um prêmio sobre o preço de mercado, para que vendam suas ações. Assim, a medida contorna a diretoria da empresa, que inicialmente não aprovou a aquisição. É uma tentativa de assumir o controle da empresa desejada.
Netflix anunciou a compra da Warner
No início do mês, a Netflix anunciou que levou a melhor na disputa e concordou em adquirir os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner por valores que variam entre US$ 72 bilhões (cerca de R$ 381,2 milhões) e US$ 83 bilhões (R$ 438 bilhões).
A proposta da Netflix foi de algo entre US$ 28 e US$ 30 por ação, quase todo o valor em dinheiro, além de uma multa de US$ 5 bilhões caso o acordo seja barrado pelos órgãos reguladores. Esse pacote acabou superando ofertas de grupos como Paramount Skydance e Comcast, que queriam apenas partes da companhia.
O acordo dará à Netflix o controle de um dos ativos mais antigos e valiosos de Hollywood. A plataforma aumentará significativamente sua capacidade de produção de conteúdo e terá acesso ao vasto acervo de filmes do estúdio e a franquias icônicas, como Harry Potter e Senhor dos Anéis.
Em carta à Warner, a Paramount contestou o processo de negociação para a venda da companhia e alegou que a empresa teria abandonado um modelo justo de licitação e declarado a Netflix como vencedora, sem critérios justos e transparentes.
A compra da Warner pela Netflix vem causando preocupação em setores do mercado. Os investidores questionam a capacidade da rede de streaming de administrar uma empresa tão grande.
Além disso, o negócio também deve enfrentar obstáculos na legislação antitruste tanto nos EUA quanto na Europa. A transação dá à Netflix a propriedade de um concorrente que conta com a HBO Max e possui quase 130 milhões de assinantes.
A Warner Bros. Discovery é uma multinacional de mídia e um conglomerado de entretenimento. A empresa foi formada por meio da fusão entre a WarnerMedia e a Discovery Inc., concluída em abril de 2022.
A Paramount Skydance é uma empresa formada a partir da fusão entre a Paramount Global e a Skydance Media, concluída em agosto deste ano.
