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Warner encerra novela e recusa proposta de compra feita pela Paramount

Em vitória da Netflix, o Conselho de Administração da Warner Bros. Discovery recomendou aos acionistas que rejeitem nova oferta da Paramount

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Imagem de telefone celular sendo segurado e exibindo na tela as logomarcas de Netflix, Warner e Paramount - Metrópoles
1 de 1 Imagem de telefone celular sendo segurado e exibindo na tela as logomarcas de Netflix, Warner e Paramount - Metrópoles - Foto: Anna Barclay/Getty Images

O Conselho de Administração da Warner Bros. Discovery confirmou de forma oficial, nesta quarta-feira (7/1), que rejeitou a nova proposta de compra apresentada pela Paramount Skydance.

De acordo com a Warner, a recusa do colegiado a mais uma investida da Paramount se deu por unanimidade. A mais recente oferta era de US$ 108,4 bilhões (cerca de R$ 583 bilhões, pela cotação atual).

Segundo a companhia, que é dona de HBO, CNN e do estúdio de cinema Warner Bros., a oferta da Paramount não se mostrou uma “proposta superior” à da Netflix, que já havia anunciado, no início de dezembro, um acordo bilionário para comprar a Warner.

Com a decisão, o Conselho de Administração da Warner recomendou, mais uma vez, que os acionistas da empresa rejeitem a proposta da Paramount, encerrando uma novela que vem se arrastando por alguns meses.

Em nota, o presidente do Conselho de Administração da Warner, Samuel A. Di Piazza Jr., afirmou que a oferta da Paramount é de “valor insuficiente” e envolve “riscos elevados” para a companhia, especialmente porque depende de um grande volume de financiamento por dívida.

“Isso aumenta os riscos de conclusão do negócio e reduz as garantias aos acionistas caso a transação não se concretize. Já o acordo vinculativo com a Netflix oferece mais valor e previsibilidade, sem os riscos e custos relevantes que a proposta da Paramount imporia aos investidores”, diz o presidente do conselho.

Ainda segundo o colegiado, caso a proposta da Paramount fosse aceita, a empresa ficaria com uma dívida estimada em US$ 87 bilhões (R$ 467,9 bilhões) após a conclusão do negócio e teria, então, de levantar um volume de recursos muito grande, aumentando significativamente os riscos da operação.

As investidas da Paramount

Em meados de dezembro, o bilionário Larry Ellison, presidente-executivo da Oracle, anunciou que daria uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões para que a empresa superasse a oferta da Netflix e vencesse a disputa.

Segundo Ellison, tratava-se de uma garantia pessoal e “irrevogável” em financiamento de capital próprio para a proposta de US$ 108,4 bilhões apresentada pela Paramount para adquirir a Warner.

A companhia informou ainda que aumentaria a taxa regulatória de rescisão reversa de US$ 5 bilhões para US$ 5,8 bilhões. A Paramount manteve a oferta de comprar, por US$ 30 por ação em dinheiro, 100% das ações em circulação da Warner. O filho de Larry Ellison, David Ellison, é o atual diretor-presidente da Paramount.

Ao todo, a Paramount apresentou uma série de seis propostas para a compra da Warner. Todas foram recusadas.

A Paramount apresentou uma “oferta hostil” pela compra da Warner, atravessando a negociação entre a companhia e a Netflix. Foi uma tentativa de comprar o controle de uma companhia sem o consentimento ou a aprovação do Conselho de Administração da empresa-alvo.

A oferta hostil é apresentada diretamente aos acionistas, geralmente um prêmio sobre o preço de mercado, para que vendam suas ações. Assim, a medida contorna a diretoria da empresa, que inicialmente não aprovou a aquisição. É uma tentativa de assumir o controle da empresa desejada.

Netflix refinanciou “empréstimo-ponte”

Favorita a assumir o controle da Warner, a Netflix decidiu refinanciar parte de um “empréstimo-ponte” de US$ 59 bilhões.

O refinanciamento foi feito com uma dívida mais barata e de prazo mais longo. Com a medida, a Netflix, na prática, fortalece o pacote financeiro que sustenta sua proposta formal de compra da Warner.

O gigante global do streaming obteve uma linha de crédito rotativo de US$ 5 bilhões (R$ 27,5 bilhões) e dois empréstimos a prazo para refinanciar parte do empréstimo contratado para a oferta pela Warner.

Em linhas gerais, o empréstimo-ponte é um financiamento de curto prazo utilizado para suprir necessidades imediatas de caixa enquanto se aguarda um financiamento permanente ou a venda de um ativo.

Muito comum no mercado imobiliário e corporativo, ele oferece rapidez na liberação de recursos, mas costuma ter juros mais altos e exige garantias. Funciona como uma “ponte” para cobrir despesas críticas até a entrada de capital definitivo, com prazos que variam, normalmente, de 1 a 18 meses.

Entre os bancos envolvidos no empréstimo-ponte para a Netflix, estariam Wells Fargo, BNP Paribas e HSBC – algumas das principais instituições financeiras do mundo.

A dívida vence em intervalos escalonados. Caso a aquisição da Warner avance, a linha de crédito rotativo, que permite empréstimos e pagamentos flexíveis, vencerá em 2030 ou três anos após a conclusão do negócio – o que acontecer primeiro. Os empréstimos a prazo com saque diferido vencerão em dois e três anos, respectivamente.

Netflix anunciou a compra da Warner

No início do mês, a Netflix anunciou que levou a melhor na disputa e concordou em adquirir os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner por valores que variam entre US$ 72 bilhões (cerca de R$ 381,2 milhões) e US$ 83 bilhões (R$ 438 bilhões).

A proposta da Netflix foi de algo entre US$ 28 e US$ 30 por ação, quase todo o valor em dinheiro, além de uma multa de US$ 5 bilhões caso o acordo seja barrado pelos órgãos reguladores. Esse pacote acabou superando ofertas de grupos como Paramount Skydance e Comcast, que queriam apenas partes da companhia.

O acordo dará à Netflix o controle de um dos ativos mais antigos e valiosos de Hollywood. A plataforma aumentará significativamente sua capacidade de produção de conteúdo e terá acesso ao vasto acervo de filmes do estúdio e a franquias icônicas, como Harry Potter e Senhor dos Anéis.

Em carta à Warner, a Paramount contestou o processo de negociação para a venda da companhia e alegou que a empresa teria abandonado um modelo justo de licitação e declarado a Netflix como vencedora, sem critérios justos e transparentes.

A compra da Warner pela Netflix vem causando preocupação em setores do mercado. Os investidores questionam a capacidade da rede de streaming de administrar uma empresa tão grande.

Além disso, o negócio também deve enfrentar obstáculos na legislação antitruste tanto nos EUA quanto na Europa. A transação dá à Netflix a propriedade de um concorrente que conta com a HBO Max e possui quase 130 milhões de assinantes.

A Warner Bros. Discovery é uma multinacional de mídia e um conglomerado de entretenimento. A empresa foi formada por meio da fusão entre a WarnerMedia e a Discovery Inc., concluída em abril de 2022.

A Paramount Skydance é uma empresa formada a partir da fusão entre a Paramount Global e a Skydance Media, concluída em agosto deste ano.

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