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Netflix faz “empréstimo-ponte” para garantir compra da Warner. Entenda

O chamado empréstimo-ponte é um financiamento de curto prazo para suprir necessidades de caixa enquanto se aguarda financiamento permanente

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1 de 1 Imagem de logomarcas de Netflix e Warner Bros. Discovery - Metrópoles - Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images

Dias depois de o Conselho de Administração da Warner Bros. Discovery recomendar aos acionistas da empresa a recusa da oferta de compra apresentada pela Paramount Skydance, a Netflix decidiu refinanciar parte de um “empréstimo-ponte” de US$ 59 bilhões (cerca de R$ 325,4 bilhões, pela cotação atual).

Segundo informações publicadas pela agência Bloomberg, o refinanciamento foi feito com uma dívida mais barata e de prazo mais longo. Com a medida, a Netflix, na prática, fortalece o pacote financeiro que sustenta sua proposta formal de compra da Warner.

O gigante global do streaming obteve uma linha de crédito rotativo de US$ 5 bilhões (R$ 27,5 bilhões) e dois empréstimos a prazo para refinanciar parte do empréstimo contratado para a oferta pela Warner.

O que é empréstimo-ponte

Em linhas gerais, o empréstimo-ponte é um financiamento de curto prazo utilizado para suprir necessidades imediatas de caixa enquanto se aguarda um financiamento permanente ou a venda de um ativo.

Muito comum no mercado imobiliário e corporativo, ele oferece rapidez na liberação de recursos, mas costuma ter juros mais altos e exige garantias. Funciona como uma “ponte” para cobrir despesas críticas até a entrada de capital definitivo, com prazos que variam, normalmente, de 1 a 18 meses.

Entre os bancos envolvidos no empréstimo-ponte para a Netflix, estariam Wells Fargo, BNP Paribas e HSBC – algumas das principais instituições financeiras do mundo.

A dívida vence em intervalos escalonados. Caso a aquisição da Warner avance, a linha de crédito rotativo, que permite empréstimos e pagamentos flexíveis, vencerá em 2030 ou três anos após a conclusão do negócio – o que acontecer primeiro. Os empréstimos a prazo com saque diferido vencerão em dois e três anos, respectivamente.

Conselho da Warner recusou oferta da Paramount

O Conselho de Administração da Warner Bros. Discovery – dona de HBO, CNN e do estúdio de cinema Warner Bros. – decidiu recomendar aos acionistas a rejeição da chamada “oferta hostil” de compra apresentada pela Paramount Skydance.

A decisão foi comunicada na última quarta-feira (17/12). A proposta da Paramount era de US$ 108,4 bilhões.

Em carta aos acionistas da Warner, o Conselho de Administração da gigante do entretenimento afirmou que a Paramount havia “enganado consistentemente” os acionistas da Warner Bros., informando que a oferta em dinheiro de US$ 30 por ação seria “totalmente garantida ou respaldada” pela família Ellison, do bilionário e presidente-executivo da Oracle, Larry Ellison.

“Não é o caso e nunca foi”, afirmou o conselho da Warner, desqualificando as garantias apresentadas pela Paramount. Segundo o órgão, a oferta apresentava “inúmeros riscos significativos”.

“Apesar de ter sido informada repetidamente pela Warner Bros. Discovery sobre a importância de um compromisso de financiamento total e incondicional da família Ellison, a família Ellison optou por não garantir a oferta da Paramount. Um fundo revogável não substitui um compromisso garantido por um acionista controlador”, disse o conselho da Warner.

Segundo informações do The New York Times, a nova investida da Paramount sobre a Warner incluiu uma série de investidores que vêm dando suporte à oferta. Um deles é a empresa de private equity Affinity Partners, que chamou atenção pelo fato de ter sido fundada pelo investidor e empresário Jared Kushner – genro do presidente dos EUA, Donald Trump.

De acordo com a Paramount, o empresário Larry Ellison, fundador da Oracle e pai do CEO da empresa, David Ellison, teria se comprometido a garantir cerca de US$ 40 bilhões para viabilizar a oferta – por meio da empresa RedBird Capital Partners. A companhia, por sua vez, reuniu diversos investidores, como a empresa de Kushner, para repassar parte do investimento. Essa garantia não foi confirmada, segundo a Warner.

Ainda de acordo com o conselho da Warner, a oferta da Paramount, de forma geral, foi “inferior” ao acordo firmado com a Netflix, gigante global do streaming. A proposta da Netflix foi de US$ 27,75 por ação pelos estúdios de cinema e televisão da Warner, além de seu acervo e do serviço de streaming HBO Max.

Para o conselho da Warner, trata-se de um acordo que não demanda financiamento de capital e tem compromissos de dívida “robustos”.

Se houvesse uma reviravolta na transação e a Warner decidisse fechar com a Paramount, a companhia teria de pagar à Netflix uma multa rescisória de quase US$ 3 bilhões.

Ao todo, a Paramount apresentou uma série de seis propostas para a compra da Warner. Todas foram recusadas.

Paramount apresentou “oferta hostil”

A Paramount apresentou uma “oferta hostil” pela compra da Warner, atravessando a negociação entre a companhia e a Netflix. Foi uma tentativa de comprar o controle de uma companhia sem o consentimento ou a aprovação do Conselho de Administração da empresa-alvo.

A oferta hostil é apresentada diretamente aos acionistas, geralmente um prêmio sobre o preço de mercado, para que vendam suas ações. Assim, a medida contorna a diretoria da empresa, que inicialmente não aprovou a aquisição. É uma tentativa de assumir o controle da empresa desejada.

Netflix anunciou a compra da Warner

No início do mês, a Netflix anunciou que levou a melhor na disputa e concordou em adquirir os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner por valores que variam entre US$ 72 bilhões (cerca de R$ 381,2 milhões) e US$ 83 bilhões (R$ 438 bilhões).

A proposta da Netflix foi de algo entre US$ 28 e US$ 30 por ação, quase todo o valor em dinheiro, além de uma multa de US$ 5 bilhões caso o acordo seja barrado pelos órgãos reguladores. Esse pacote acabou superando ofertas de grupos como Paramount Skydance e Comcast, que queriam apenas partes da companhia.

O acordo dará à Netflix o controle de um dos ativos mais antigos e valiosos de Hollywood. A plataforma aumentará significativamente sua capacidade de produção de conteúdo e terá acesso ao vasto acervo de filmes do estúdio e a franquias icônicas, como Harry Potter e Senhor dos Anéis.

Em carta à Warner, a Paramount contestou o processo de negociação para a venda da companhia e alegou que a empresa teria abandonado um modelo justo de licitação e declarado a Netflix como vencedora, sem critérios justos e transparentes.

A compra da Warner pela Netflix vem causando preocupação em setores do mercado. Os investidores questionam a capacidade da rede de streaming de administrar uma empresa tão grande.

Além disso, o negócio também deve enfrentar obstáculos na legislação antitruste tanto nos EUA quanto na Europa. A transação dá à Netflix a propriedade de um concorrente que conta com a HBO Max e possui quase 130 milhões de assinantes.

A Warner Bros. Discovery é uma multinacional de mídia e um conglomerado de entretenimento. A empresa foi formada por meio da fusão entre a WarnerMedia e a Discovery Inc., concluída em abril de 2022.

A Paramount Skydance é uma empresa formada a partir da fusão entre a Paramount Global e a Skydance Media, concluída em agosto deste ano.

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