Bilionário dá garantia de US$ 40 bilhões à Paramount para levar Warner

Em nova investidada, o bilionário Larry Ellison, presidente-executivo da Oracle, anunciou que dará uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões

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1 de 1 Imagem de celular exibindo a logomarca da Paramount e, ao fundo, a imagem do logotipo da Warner - Metrópoles - Foto: Cheng Xin/Getty Images

Em uma nova – e talvez derradeira – cartada da Paramount Skydance para tentar atravessar o acordo da Netflix e comprar a Warner Bros. Discovery, o bilionário Larry Ellison, presidente-executivo da Oracle, anunciou que dará uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões (cerca de R$ 222,8 bilhões, pela cotação atual) para que a empresa supere a oferta da Netflix e vença a disputa.

Segundo Ellison, que divulgou um comunicado nesta segunda-feira (22/12), trata-se de uma garantia pessoal e “irrevogável” em financiamento de capital próprio para a proposta de US$ 108,4 bilhões apresentada pela Paramount para adquirir a Warner. A Paramount confirmou a informação.

“Em um esforço para atender à necessidade, ainda que difusa, da Warner Bros. por ‘flexibilidade’ nas operações durante o período de transição, a proposta revisada de acordo de fusão da Paramount oferece flexibilidade adicional e aprimorada à Warner Bros. em operações de refinanciamento de dívida, declarações e compromissos operacionais intermediários”, disse a Paramount em nota.

A companhia informou ainda que deve aumentar a taxa regulatória de rescisão reversa de US$ 5 bilhões para US$ 5,8 bilhões. A Paramount mantém a oferta de comprar, por US$ 30 por ação em dinheiro, 100% das ações em circulação da Warner. O filho de Larry Ellison, David Ellison, é o atual diretor-presidente da Paramount.

Segundo informações publicadas na semana passada pelo The New York Times, a nova investida da Paramount sobre a Warner incluiria uma série de investidores que vêm dando suporte à oferta. Um deles é a empresa de private equity Affinity Partners, que chamou atenção pelo fato de ter sido fundada pelo investidor e empresário Jared Kushner – genro do presidente dos EUA, Donald Trump.

De acordo com o Conselho de Administração da Warner, a oferta da Paramount, de forma geral, foi “inferior” ao acordo firmado com a Netflix, gigante global do streaming. A proposta da Netflix foi de US$ 27,75 por ação pelos estúdios de cinema e televisão da Warner, além de seu acervo e do serviço de streaming HBO Max.

Para o conselho da Warner, que recomendou aos acionistas que recusem a oferta, trata-se de um acordo que não demanda financiamento de capital e tem compromissos de dívida “robustos”.

Ao todo, a Paramount apresentou uma série de seis propostas para a compra da Warner. Todas foram recusadas.

A Paramount apresentou uma “oferta hostil” pela compra da Warner, atravessando a negociação entre a companhia e a Netflix. Foi uma tentativa de comprar o controle de uma companhia sem o consentimento ou a aprovação do Conselho de Administração da empresa-alvo.

A oferta hostil é apresentada diretamente aos acionistas, geralmente um prêmio sobre o preço de mercado, para que vendam suas ações. Assim, a medida contorna a diretoria da empresa, que inicialmente não aprovou a aquisição. É uma tentativa de assumir o controle da empresa desejada.

Netflix refinancia “empréstimo-ponte”

Ainda favorita a assumir o controle da Warner, a Netflix decidiu refinanciar parte de um “empréstimo-ponte” de US$ 59 bilhões (cerca de R$ 325,4 bilhões, pela cotação atual).

Segundo informações da agência Bloomberg, o refinanciamento foi feito com uma dívida mais barata e de prazo mais longo. Com a medida, a Netflix, na prática, fortalece o pacote financeiro que sustenta sua proposta formal de compra da Warner.

O gigante global do streaming obteve uma linha de crédito rotativo de US$ 5 bilhões (R$ 27,5 bilhões) e dois empréstimos a prazo para refinanciar parte do empréstimo contratado para a oferta pela Warner.

Em linhas gerais, o empréstimo-ponte é um financiamento de curto prazo utilizado para suprir necessidades imediatas de caixa enquanto se aguarda um financiamento permanente ou a venda de um ativo.

Muito comum no mercado imobiliário e corporativo, ele oferece rapidez na liberação de recursos, mas costuma ter juros mais altos e exige garantias. Funciona como uma “ponte” para cobrir despesas críticas até a entrada de capital definitivo, com prazos que variam, normalmente, de 1 a 18 meses.

Entre os bancos envolvidos no empréstimo-ponte para a Netflix, estariam Wells Fargo, BNP Paribas e HSBC – algumas das principais instituições financeiras do mundo.

A dívida vence em intervalos escalonados. Caso a aquisição da Warner avance, a linha de crédito rotativo, que permite empréstimos e pagamentos flexíveis, vencerá em 2030 ou três anos após a conclusão do negócio – o que acontecer primeiro. Os empréstimos a prazo com saque diferido vencerão em dois e três anos, respectivamente.

Netflix anunciou a compra da Warner

No início do mês, a Netflix anunciou que levou a melhor na disputa e concordou em adquirir os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner por valores que variam entre US$ 72 bilhões (cerca de R$ 381,2 milhões) e US$ 83 bilhões (R$ 438 bilhões).

A proposta da Netflix foi de algo entre US$ 28 e US$ 30 por ação, quase todo o valor em dinheiro, além de uma multa de US$ 5 bilhões caso o acordo seja barrado pelos órgãos reguladores. Esse pacote acabou superando ofertas de grupos como Paramount Skydance e Comcast, que queriam apenas partes da companhia.

O acordo dará à Netflix o controle de um dos ativos mais antigos e valiosos de Hollywood. A plataforma aumentará significativamente sua capacidade de produção de conteúdo e terá acesso ao vasto acervo de filmes do estúdio e a franquias icônicas, como Harry Potter e Senhor dos Anéis.

Em carta à Warner, a Paramount contestou o processo de negociação para a venda da companhia e alegou que a empresa teria abandonado um modelo justo de licitação e declarado a Netflix como vencedora, sem critérios justos e transparentes.

A compra da Warner pela Netflix vem causando preocupação em setores do mercado. Os investidores questionam a capacidade da rede de streaming de administrar uma empresa tão grande.

Além disso, o negócio também deve enfrentar obstáculos na legislação antitruste tanto nos EUA quanto na Europa. A transação dá à Netflix a propriedade de um concorrente que conta com a HBO Max e possui quase 130 milhões de assinantes.

A Warner Bros. Discovery é uma multinacional de mídia e um conglomerado de entretenimento. A empresa foi formada por meio da fusão entre a WarnerMedia e a Discovery Inc., concluída em abril de 2022.

A Paramount Skydance é uma empresa formada a partir da fusão entre a Paramount Global e a Skydance Media, concluída em agosto deste ano.

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