Para mercado, BC foi "nem, nem" em comunicado sobre corte da Selic
Na avaliação de analistas, Copom não fechou a porta para novo corte da taxa básica de juros, mas também não se comprometeu com redução

Na avaliação de analistas do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi “nem, nem”, no comunicado que anunciou o novo corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, nesta quarta-feira (5/8). Isso quer dizer que ele “nem” fechou a porta, mas também “nem” se comprometeu com novas reduções.
Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), na prática, o Banco Central deixou a porta aberta para um novo corte “Agora, o mercado vai acompanhar de perto a evolução da inflação, do cenário fiscal e da atividade para entender se haverá espaço para mais uma redução da Selic em setembro”, diz.

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Ver todasOs analistas da corretora Warren Rena afirmaram que o comunicado veio com “um tom sereno”. Ele “evitou ruídos na comunicação, reconhecendo os riscos e desafios e sem qualquer sinalização mais objetiva sobre os próximos passos”. O texto, dizem os técnicos, “reafirma o compromisso de convergir a inflação para um patamar ao redor do centro da meta e de manter o nível adequado de restrição monetária para esse objetivo”.
Felipe Rodrigo de Oliveira, da MAG Investimentos, destaca que um ponto importante do comunicado é a desancoragem adicional das expectativas de inflação mais longas, o que, segundo o BC, aumenta o custo da desinflação. “Mas entendemos que o texto deixa espaço para mais cortes, sem se comprometer em dar um ‘guidance’ (orientação)”, afirma.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa avaliação de Fabrício Voigt, da Aware Investments, o comunicado deixou um recado claro: o processo de flexibilização continua, mas isso não significa que haverá uma sequência automática de reduções, com a mesma intensidade, nas próximas reuniões.
“A questão é que o Banco Central continuará condicionando suas decisões à evolução da inflação, das expectativas dos agentes econômicos, da atividade, do cenário fiscal e do ambiente internacional”, diz.
Para Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, o Copom manteve o espaço para cortes adicionais da Selic, mas isso ocorrerá de maneira gradual. “A desaceleração da atividade e a melhora da inflação corrente favorecem a continuidade do ciclo de redução, enquanto a projeção ainda acima da meta, as expectativas desancoradas e a assimetria altista dos riscos impedem uma flexibilização mais rápida”, diz. “Para a próxima reunião, um novo corte de 0,25 ponto percentual permanece como cenário mais provável, condicionado à ausência de deterioração relevante no câmbio, nas expectativas ou nos preços de petróleo e alimentos.”



