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Negócios

Dólar e Bolsa ficam no zero a zero, com investidor à espera da Selic

Moeda americana registrou pequena queda de 0,06%, cotada a R$ 5,12. O Ibovespa, o principal índice da B3, caiu apenas 0,09%

05/08/2026 17:03, atualizado 05/08/2026 17:31
Jackal Pan/Getty Images
Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles

O dólar registrou leve queda de 0,06% frente ao real, cotado a R$ 5,12 nesta quarta-feira (5/8). O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em pequena baixa de 0,09%, aos 177,7 mil pontos. Como a variação nos dois casos foi pequena, houve estabilidade nos indicadores.

A sessão desta quarta-feira foi morna, com diversos vetores atuando sobre o mercado. Nenhum deles, contudo, conseguiu empurrar o câmbio e as ações de forma expressiva quer para cima, quer para baixo.

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O maior catalisador, dado o impacto global, continua sendo a guerra entre Estados Unidos e Irã. Desde o fim de semana, a perspectiva é de negociação entre os dois países, mas as conversas caminham aos trancos, com sucessivos vaivéns.

Esse quadro de incertezas afetou o preço do petróleo, que anotou uma série de quedas ao longo da semana. Nesta quarta-feira, contudo, o barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, subiu 0,11%, a US$ 79,45. Já o tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, caiu 0,57%, a US$ 75,34.

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Emprego americano

Os investidores também acompanharam a divulgação de novos dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. De acordo com o relatório ADP, a criação de vagas de emprego desacelerou no setor privado americano.

Em julho, foram abertos 44 mil postos, ante 95 mil em junho. Além disso, a expectativa do mercado para o mês passado era maior: os técnicos previam a criação de 70 mil vagas.

Tais informações indicam, ainda que parcialmente, uma desaceleração da economia. Em tese, tal tendência diminui a pressão por um aumento da taxa de juros dos Estados Unidos. O relatório ADP (sigla de Automatic Data Processing) é feito em parceria com o Laboratório de Economia Digital de Stanford.

Juros do Fed

No campo dos juros, o mercado também acompanhou as declarações de integrantes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Tanto Jeffrey Schmid, do Fed de Kansas City, como Neel Kashkari, de Minneapolis, defenderam uma política monetária mais apertada.

No Brasil, o movimento do câmbio seguiu a tendência global. Às 16h15, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), recuava 0,17%, aos 99,70 pontos.

Juros no Brasil

No ambiente interno, porém, a grande expectativa concentra-se na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), sobre o valor da taxa básica de juros do país, a Selic.  O número será anunciado no início da noite desta quarta-feira, depois de reunião do Copom, com previsão de término às 18h30.

O mercado aposta maciçamente num corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic para 14,00% ao ano. Atualmente, ela está em 14,25%. A questão pendente, no entanto, é o que o Copom vai sinalizar para o próximo encontro do órgão, em setembro — se é que dará alguma indicação do que vai fazer.

Análises

João Vitor Saccardo, especialista em renda variável da Convexa, considera que a estabilidade do Ibovespa foi resultado da expectativa de um acordo no Oriente Médio, com a reabertura do Estreito de Ormuz. “Os juros futuros caíram em todos os vértices, o que favoreceu as empresas domésticas”, diz. “A Petrobras recuou com o petróleo, enquanto a PetroRio subiu depois de reportar balanço forte. O destaque também vai para o setor de construção civil, que avança em bloco, depois do balanço da Tenda, que dobrou o lucro em relação ao segundo trimestre de 2025, aliviando temores de uma desaceleração no setor.”

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, observa que os investidores adotaram uma postura de cautela nesta sessão à espera do Copom. No cenário internacional, o ambiente contribui para estabilizar o câmbio no Brasil.

Bruno Perri, da Forum Investimentos, acrescenta que, nesta quarta-feira, a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral da Genial/Quaest também pode ter afetado o mercado. “Ela trouxe uma melhora do candidato Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao presidente Lula no segundo turno”, diz. Mas o impacto do levantamento no pregão, observa o analista, foi “marginal”.

A sondagem indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera em todos os cenários de segundo turno. Ele tem 44% das intenções de voto, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os números representam uma oscilação positiva a favor de Flávio, que perdia de 45% a 37% no levantamento anterior, de 15 de julho. A margem de erro da pesquisa, porém, é de dois pontos percentuais.