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Ciência

Ciclone-bomba: tempestade de grande escala gira e pode ter quilômetros

Fenômeno raro ocorre quando a pressão atmosférica cai rapidamente, aumentando o potencial para ventos fortes, chuvas intensas e granizo

05/08/2026 12:24, atualizado 06/08/2026 12:14
Divulgação/Nasa
Ciclone - Metrópoles

A possibilidade de formação de um ciclone-bomba entre a Argentina, o Uruguai e o Sul do Brasil chamou a atenção nos últimos dias. Apesar do nome, o fenômeno não envolve explosões. Trata-se de um ciclone extratropical que passa por uma intensificação muito rápida, aumentando o potencial para temporais, rajadas de vento e queda de granizo.

Segundo o professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), apoiado pelo Instituto Serrapilheira, antes de entender o que é um ciclone-bomba é preciso saber o que caracteriza um ciclone.

“Um ciclone é um sistema meteorológico de grande escala, que pode se estender por centenas ou até milhares de quilômetros. Sua principal característica é a rotação”, explica.

No Brasil, os ciclones que atuam são do tipo extratropical e subtropical. Eles se formam quando massas de ar frio e quente se encontram, criando um forte contraste de temperatura que favorece a queda da pressão atmosférica e o desenvolvimento do sistema.


Quais estados devem ser mais afetados

  • Região Sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná devem concentrar os impactos mais significativos.
  • Quarta-feira (5/8): está vigente aviso amarelo para:
    Centro-sul e oeste de Mato Grosso do Sul;
    Todo o Paraná;
    Santa Catarina;
    Rio Grande do Sul;
    Divisa entre São Paulo e Paraná.
  • Quinta-feira (6/8): o Inmet prevê aviso laranja, de perigo para tempestades, para:
    Sul de Mato Grosso do Sul;
    Oeste e sul do Paraná;
    Santa Catarina;
    Todo o Rio Grande do Sul.
  • Aviso amarelo na quinta-feira: também há previsão de perigo potencial para:
    Outras áreas da Região Sul;
    Centro e sul de Mato Grosso do Sul;

O que faz um ciclone extratropical virar um ciclone-bomba

A diferença entre um ciclone extratropical comum e um ciclone-bomba está na velocidade com que ele se intensifica.

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“O que diferencia um ciclone comum de um ciclone-bomba é a intensidade desse processo. Quando o contraste de temperatura é muito maior, a circulação atmosférica em altitude se fortalece e faz com que a pressão na superfície caia mais rapidamente”, afirma Cecchini.

Existe, inclusive, um critério técnico para essa classificação. Em regiões próximas a 60 graus de latitude, um ciclone é considerado bomba quando a pressão atmosférica diminui pelo menos 24 milibares em um período de 24 horas. Para a população, essa rápida intensificação significa maior potencial para a ocorrência de chuva forte, ventos intensos, granizo e queda acentuada das temperaturas após a passagem do sistema.

Por que o Sul é a região mais afetada?

Cecchini explica que esse tipo de ciclone sempre atinge primeiro a Região Sul porque se forma em latitudes mais elevadas e avança em direção ao norte.

“O principal impacto costuma ocorrer no Sul. Em alguns casos, os efeitos podem alcançar o Sudeste e até áreas do Centro-Oeste, mas, à medida que o ciclone avança, ele pode perder intensidade ou seguir em direção ao oceano”, pontua.

O pesquisador ressalta ainda que ciclones-bomba não são fenômenos frequentes. “Foi necessário criar uma definição específica justamente para identificar eventos que exigem um nível de atenção particularmente elevado. Portanto, eles não são comuns”, conclui.