Copom não dá pistas ao mercado sobre valor da Selic em setembro
Comunicado emitido pelo órgão do BC, no entanto, registra melhora no cenário doméstico. Estimativa de inflação para 2028 está perto da meta

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), mais uma vez, deixou o mercado no escuro. Fez isso ao não oferecer nenhuma indicação a respeito da eventual ocorrência de novos cortes da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do órgão, em setembro.
É isso o que mostra o comunicado divulgado nesta quarta-feira (5/8) pelo BC, no qual o Copom fez uma análise da conjuntura econômica, tanto nacional como global, e justificou o corte de 0,25 ponto percentual (a quarta redução seguida) na Selic. Agora, a taxa foi fixada em 14,00% ao ano (antes disso, estava em 14,25%).

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Ver todasA decisão de um corte de 0,25 ponto percentual da Selic já era amplamente esperada pelos agentes econômicos. A grande dúvida era se haveria ou não sinalização sobre os próximos passos da política monetária, o que não aconteceu.
No documento, o Copom afirmou apenas que o “cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”. Com isso, segue o texto, o “Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesCenário mais positivo
O Copom, no entanto, apontou melhoras no cenário doméstico. Disse o órgão do BC: “(…) o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião [em junho] sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido”.
Além disso, “nas divulgações mais recentes”, acrescenta a nota, “a inflação cheia desacelerou”, embora ainda esteja acima do limite superior da meta (4,5% ao ano).
Projeções de inflação
O Comitê observou que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus (o levantamento semanal feito pelo BC com economistas do mercado) permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,0% e 4,2%, respectivamente. Em junho, na última reunião do órgão, esses números eram 5,30% e 4,10% (note-se que, para 2027, portanto, a previsão era menor).
A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2%. Ou seja, bem próximo do centro da meta de 3%. No comunicado da última reunião, quando o horizonte relevante era o quarto trimestre de 2027, esse valor foi de 3,7%.
O horizonte relevante é o momento em que a alteração da Selic exerce efeito pleno sobre a economia e a inflação.
Reuniões do Copom
O Copom reúne-se por dois dias a cada 45 dias. No primeiro dia, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas da economia no Brasil e no mundo, além do comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do comitê, formado pela diretoria do BC, definem a taxa Selic.
Neste ano, estão previstas mais três reuniões do Copom. Elas vão ocorrer entre 15 e 16 de setembro, entre 3 e 4 de novembro e entre 8 e 9 de dezembro. De acordo com o último Boletim Focus, a pesquisa semanal realizada pelo BC com economistas do mercado, a Selic deve terminar 2026 em 13,75%. Para atingir esse valor, a taxa teria de ser cortada mais uma vez em 0,25 ponto percentual.
Taxa Selic
A Selic (sigla de Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é o principal instrumento do Banco Central para orientar o custo do crédito e controlar a inflação no país. Quando a taxa sobe, o consumo e a atividade econômica tendem a diminuir, o que contém a elevação dos preços de produtos e serviços.



