Para analistas, Copom mostra que trajetória da inflação se afasta da meta
Economistas destacam ainda que comunicado do Comitê de Política Monetária também indica maior preocupação com desdobramentos da guerra
atualizado
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Para analistas do mercado, o comunicado divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), nesta quarta-feira (29/4), elevou o tom de preocupação sobre a guerra do Irã. Além disso, mostrou uma piora da perspectiva de a inflação atingir a meta, fixada em 3% ao ano.
O documento veiculado pelo Comitê contém a análise básica que levou o órgão a cortar a taxa básica de juros do país, a Selic. Ela foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano.
Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe, da Forum Investimentos, a decisão veio de acordo com o esperado. “E ficou claro que o comunicado trouxe um tom mais pessimista em relação ao cenário externo”, diz. “Isso pela persistência do conflito no Irã e seus desdobramentos sobre os preços de energia.”
Para Perri, o comunicado também imprimiu uma visão mais cautelosa à inflação interna, reforçando que ela vem se distanciando da meta. “Apontou, ainda, uma atividade acima das expectativas no primeiro trimestre, embora consistente com uma trajetória de desaceleração”, afirma. “Sinalizando à frente, o Copom indica disposição para prolongar o ciclo de cortes, mas adotando um tom mais gradualista e comprometido com a continuidade do ajuste monetário.”
Mercado de trabalho
Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, o comunicado do Copom “segue pontuando que o cenário internacional está incerto pelas questões relacionadas ao Oriente Médio”. Em relação ao quadro interno, o Comitê, nota o analista, diz que a atividade econômica brasileira segue em trajetória de moderação, embora o mercado de trabalho mantenha alguma resiliência.
“Quando avalia o aspecto inflacionário, o Copom comenta que a inflação corrente está pior, tanto a fechada quanto os núcleos (que excluem os itens mais voláteis), distanciando-se da meta”, diz Cardoso. “As expectativas de inflação também pioraram, assim como as projeções do Banco Central para o horizonte relevante, que vieram em 3,5%, acima do que imaginávamos.”
“Horizonte relevante” mencionado no texto é o período futuro, geralmente de cerca de 18 meses, em que as decisões de taxa de juros devem produzir o efeito máximo sobre a economia e a inflação. No último encontro do Copom, em 18 de março, a projeção de inflação nesse momento era de 3,3% (agora, foi para 3,5%).
