Pão de Açúcar faz acordo com credores e quer reduzir dívida bilionária

Segundo comunicado do Pão de Açúcar, a expectativa é a de que a dívida de R$ 4,57 bilhões seja reduzida em mais de 50% ao longo do tempo

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida da entrada de uma unidade do Grupo Pão de Açúcar - Metrópoles - Foto: Divulgação/GPA

O Grupo Pão de Açúcar, dono das redes Pão de Açúcar e Extra, informou, na noite dessa terça-feira (5/5), que concluiu a renegociação com credores de seu plano de recuperação extrajudicial. A dívida da companhia é de R$ 4,57 bilhões.

Segundo comunicado do Pão de Açúcar ao mercado, a expectativa é a de que a dívida seja reduzida em mais de 50% ao longo do tempo.

Entre outros pontos, o plano de recuperação da empresa prevê a reestruturação de créditos em debêntures conversíveis no valor de até R$ 1,1 bilhão, além de um novo ​financiamento de até R$ 200 milhões. Debêntures são títulos de dívida emitidos pelas empresas para a captação de recursos.

Ainda de acordo com o Pão de Açúcar, o plano obteve o aval de credores representando 57,49% dos créditos sujeitos. A proposta foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia e será protocolada junto à 3ª Vara ​de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

“Como resultado dessas medidas, o plano de recuperação extrajudicial ⁠proporcionará liquidez ​relevante e ​reduzirá em mais de R$ 4 bilhões os desembolsos a serem ⁠realizados pela companhia nos ​próximos dois anos, aliviando o fluxo de caixa no período”, afirmou o Pão de Açúcar no comunicado.

Segundo a companhia, “o plano celebrado ​nesta data permitirá uma solução estruturada para os desafios financeiros da companhia, endereçando ​simultaneamente a ⁠liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo ⁠prazo”.

Recuperação extrajudicial

No início de março deste ano, o Pão de Açúcar entrou com pedido de recuperação extrajudicial. Do montante total da dívida, quase 40% dos passivos vencem em até 12 meses.

O plano de recuperação extrajudicial abrange obrigações de pagamento sem garantia que não constituem dívidas correntes ou operacionais da companhia, no montante total dos mencionados R$ 4,5 bilhões. Ficam excluídas obrigações junto a fornecedores, parceiros e clientes, bem como débitos trabalhistas, que não serão afetados pela iniciativa.

A estratégia, diz a empresa, foi celebrada com os principais credores (Itaú, HSBC, Rabobank e BTG Pactual), titulares de 46% do total de créditos sujeitos ao plano, o equivalente a R$ 2,1 bilhões, percentual superior ao quórum mínimo legal de um terço dos créditos afetados.

Recuperação extrajudicial é um instrumento jurídico que permite a uma empresa que passa por dificuldades financeiras negociar diretamente com seus credores para reestruturar suas dívidas fora do sistema judicial tradicional.

Trata-se, em linhas gerais, de uma alternativa mais rápida e menos onerosa do que a recuperação judicial, que pode ser homologada pelo juiz para conferir segurança jurídica ao acordo.

A recuperação judicial, por sua vez, é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários.

Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação.

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