O Pão de Açúcar vai sobreviver? Veja os planos para salvar a empresa

Demissões, fechamento de lojas, mudanças operacionais. Quais são as propostas dos executivos para reverter a situação crítica do grupo

atualizado

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No fim de fevereiro, o GPA, dono do Pão de Açúcar e do Extra, reportou um prejuízo líquido das operações de R$ 523 milhões. O número representou uma melhora em relação aos R$ 737 milhões negativos registrados um ano antes, mas não foi suficiente para tirar a empresa do buraco.

Na ocasião, os executivos do GPA divulgaram ações que seriam colocadas em prática na tentativa de reverter o quadro negativo. As propostas da companhia, que entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta terça-feira (10/3), incluíam os seguintes pontos:

  1. Dívida e Liquidez

A companhia enfrenta vencimentos importantes de dívida nos próximos meses. A alavancagem financeira encerrou o trimestre em 2,4 vezes. O foco está no alongamento das dívidas por meio de diálogos constantes com credores e no cumprimento de ritos de governança. A venda da participação na FIC deve gerar um reforço de caixa de aproximadamente R$ 260 milhões.

Passivos Estruturais: existem passivos fiscais e trabalhistas relevantes que impactam a última linha do balanço e o fluxo de caixa (via seguros-garantia).

Como superar: a empresa mantém uma estratégia ativa de acordos tributários e busca trocar garantias judiciais para reduzir o custo financeiro.

2) Eficiência e despesas

A estrutura de despesas é considerada proporcionalmente elevada e há contratos desconectados da realidade atual da empresa.

Como superar: implementação do Plano de Eficiência 2026, que visa reduzir ao menos R$ 415 milhões na base de custos e despesas operacionais. Isso inclui revisão de contratos de tecnologia, aluguéis e serviços, além de um ajuste no quadro organizacional.

3) Gestão de Investimentos (CAPEX).

Decisões passadas de investimento foram consideradas desconectadas da capacidade operacional.

Como superar: redução drástica do CAPEX, com orçamento para 2026 fixado entre R$ 300 e R$ 350 milhões (metade do valor de 2025), eliminando expansões e focando apenas na sustentação das lojas e experiência do cliente.

4) Lojas com Baixa Performance.

Cerca de 20% a 25% do parque de lojas performa abaixo do potencial.

Como superar: antes de fechar unidades, o GPA foca em alavancagem operacional (aumentar vendas por metro quadrado), revisão de sortimento e renegociação de aluguéis desproporcionais. Há também uma reavaliação do footprint, priorizando São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

5) Pontos considerados “menos complicados”

Estes temas referem-se a tendências de consumo, ajustes pontuais de portfólio e canais de crescimento que, embora importantes, não representam o cerne da crise estrutural:

• Impacto do GLP-1 (Medicamentos para perda de peso): Questionados sobre essa tendência, os executivos afirmam que o GPA está bem posicionado devido à sua plataforma de saudabilidade e forte presença em perecíveis (50% das vendas do Pão de Açúcar). Observam uma mudança para dietas com menos carboidratos e mais proteínas.

• Descontinuidade do Programa Aliados (B2B): A empresa decidiu encerrar esse programa porque, apesar de gerar volume de vendas, apresentava margem próxima de zero e alta volatilidade, não agregando valor à última linha do resultado.

• Crescimento do Digital e Retail Media: O e-commerce atingiu quase R$ 400 milhões em vendas no trimestre (alta de 7%). O avanço no retail media também foi destacado como uma alavanca para margens mais elevadas.

• Ajustes Logísticos em Proximidade: Estão sendo realizados testes para reduzir o número de itens (SKUs) em lojas de proximidade para diminuir a complexidade e o custo logístico de abastecimento fracionado.

• Sazonalidade do 4º trimestre de 2025: Os executivos admitem que os resultados operacionais positivos do trimestre foram auxiliados pelo fator sazonal de final de ano.

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